Gostaria de aproveitar estes breve momentos de lucidez nesta manhâ ensolarada de uma quinta-feira que se diz feriado nacional para uma pequena obervação sobre a comoção de todos nós com o acidente do Airbus da Air France.
Acho que todos sentimos tão profundamente este tipo de acidente não apenas porque, logicamente, poderia ter sido com a gente mesmo, mas sim porque as pessoas com um mínimo de sensibilidade gostam muito de seus bichinhos de estimação.
E avião é o grande pássaro que nos leva a passear pelo céu.
Avião é um bicho vivo, isto sim.
E o que caiu no meio do mar era dos grandes, tinha 228 corações.
quinta-feira, 11 de junho de 2009
Vão mamar noutro lugar
Estou meio em banho-maria curtindo uma alergia de origem desconhecida, quer dizer, desconhecida para mim, os médicos devem saber do que se trata, mas sou meio burrão, só vou a médico se for com fratura exposta ou ferimento grave. Portanto, cá estou com o rosto inchado e embolotado, mas uma chamadinha da capa da Folha de hoje me traz à tona como se fosse um destroço de avião.
Diz a matéria da Folha que o Ministério da Cultura vetou um patrocínio de R$ 2 milhões para uma turnê nacional do cantor e compositor Caetano Veloso. O veto, dado as circunstâncias mercantilistas ideológicas do atual governo, surpreende a mídia e o mercado artístico porque os amigos do grupo político de plantão no Palácio do Planalto jamais mamaram tanto nas tetas da Nação. Mas a decisão do MinC é louvável, pois todo mundo sabe que Caetano tem dinheiro suficiente para produzir qualquer espetáculo em qualquer canto do planeta, não precisa de incentivos financeiros para ir até onde o povo está.
O que preocupa os observadores da tropicalíssima cena política nacional é o fato de que o Ministério, através do ministro Juca Ferreira, velho amigo dos veteranos baianos vanguardistas da música popular brasileira, vai acabar liberando a verba, como aconteceu com a cantora Maria Betânia, que levou R$ 1,8 milhão para percorrer as principais cidades brasileiras.
Espero que Caetano não inclua no repertório da turnê turbinada com grana oficial a genial composição de Riachão, Cada Macaco no Seu Galho. O povo pode achar que é deboche...
Diz a matéria da Folha que o Ministério da Cultura vetou um patrocínio de R$ 2 milhões para uma turnê nacional do cantor e compositor Caetano Veloso. O veto, dado as circunstâncias mercantilistas ideológicas do atual governo, surpreende a mídia e o mercado artístico porque os amigos do grupo político de plantão no Palácio do Planalto jamais mamaram tanto nas tetas da Nação. Mas a decisão do MinC é louvável, pois todo mundo sabe que Caetano tem dinheiro suficiente para produzir qualquer espetáculo em qualquer canto do planeta, não precisa de incentivos financeiros para ir até onde o povo está.
O que preocupa os observadores da tropicalíssima cena política nacional é o fato de que o Ministério, através do ministro Juca Ferreira, velho amigo dos veteranos baianos vanguardistas da música popular brasileira, vai acabar liberando a verba, como aconteceu com a cantora Maria Betânia, que levou R$ 1,8 milhão para percorrer as principais cidades brasileiras.
Espero que Caetano não inclua no repertório da turnê turbinada com grana oficial a genial composição de Riachão, Cada Macaco no Seu Galho. O povo pode achar que é deboche...
domingo, 7 de junho de 2009
Sentença senil
Não é que eu queira azedar o domingo de vocês, mas Millôr Fernandes, o gênio do Meyer, estragou o meu, então vou falar um pouquinho sobre isso.
A coluna que está no ar, via Uol, é uma peça mal acabada de um velho humorista preguiçoso.
A primeira frase-reflexão é perfeita (Uma vez que o privilégio é institucionalizado, vira religião).
A segunda frase (Não desespera irmão, com toda essa escuridão, tem sempre aurora em algum lugar) é um descarado arranjo floral para um velho –e conhecido- verso do poeta Otto Maria Carpeaux (A escuridão é tão intensa que a aurora não deve demorar).
O Internet Nota 10 é repetição de alguns meses atrás, com agravante de não citar o nome do fotógrafo (Charles Ebbts).
E o recado final é um insulto gratuito a todos os fumantes (Seja gentil com um fumante, ele vai morrer).
Todo mundo sabe que todos vamos morrer. Esta, na verdade, é a única certeza da humanidade –ninguém sai vivo dessa, lembram-se? Eu, por exemplo, acabo de acender um genuíno Hollywood, sei que vou morrer não demora muito, mas na certa será bem depois de Millôr.
A coluna que está no ar, via Uol, é uma peça mal acabada de um velho humorista preguiçoso.
A primeira frase-reflexão é perfeita (Uma vez que o privilégio é institucionalizado, vira religião).
A segunda frase (Não desespera irmão, com toda essa escuridão, tem sempre aurora em algum lugar) é um descarado arranjo floral para um velho –e conhecido- verso do poeta Otto Maria Carpeaux (A escuridão é tão intensa que a aurora não deve demorar).
O Internet Nota 10 é repetição de alguns meses atrás, com agravante de não citar o nome do fotógrafo (Charles Ebbts).
E o recado final é um insulto gratuito a todos os fumantes (Seja gentil com um fumante, ele vai morrer).
Todo mundo sabe que todos vamos morrer. Esta, na verdade, é a única certeza da humanidade –ninguém sai vivo dessa, lembram-se? Eu, por exemplo, acabo de acender um genuíno Hollywood, sei que vou morrer não demora muito, mas na certa será bem depois de Millôr.
sábado, 6 de junho de 2009
Aquarela eleitoral
As próximas pesquisas eleitorais devem dar musculatura à tese do terceiro mandato. A favorita do Planalto está esbarrando no tecnicismo científico do marketing político eleitoral. O suposto padecimento oncológico não extirpou outro tumor ainda mais letal, a rejeição.
A partir de agora, mais do que nunca neste País, os tortuosos caminhos legais para viabilizar o terceiro mandato devem convergir para o referendo popular e enfim conquistar ares de legitimidade. Isso foi o que Lula disse na cerimônia do Meio Ambiente. Só não ouviu quem não quis ou quem tem orelha só para pendurar óculos.
A partir de agora, mais do que nunca neste País, os tortuosos caminhos legais para viabilizar o terceiro mandato devem convergir para o referendo popular e enfim conquistar ares de legitimidade. Isso foi o que Lula disse na cerimônia do Meio Ambiente. Só não ouviu quem não quis ou quem tem orelha só para pendurar óculos.
Gaiola de loucos
Voltei a ligar a televisão. Foi agora de manhã, e por um bom motivo, o treino das baratinhas. Estou com dificuldades para digerir o noticiário político e a cobertura jornalística da tragédia do vôo 447 da Air France.
É difícil ver Lula tentando explicar que vai concorrer ao terceiro mandato, sim senhor, se o povo brasileiro quiser.
É mais difícil ainda ver um índio loiro vestido de colete estampadinho falando como ministro de Estado –ou ao contrário.
E é praticamente impossível acreditar que o Ministro da Defesa, responsável pela interação entre Exército, Aeronáutica e Marinha, faça papel de palhaço diante de uma tragédia da aviação civil internacional.
No último bloco do treino da Fórmula-1 notei um comercial da Renault também absolutamente inacreditável. O locutor diz alto e bom som que “não interessa o que vai acontecer com seu orçamento familiar, o que interessa é que você já sabe qual o carro que vai comprar”.
Televisão, meu amigo, melhor não vê-la.
É difícil ver Lula tentando explicar que vai concorrer ao terceiro mandato, sim senhor, se o povo brasileiro quiser.
É mais difícil ainda ver um índio loiro vestido de colete estampadinho falando como ministro de Estado –ou ao contrário.
E é praticamente impossível acreditar que o Ministro da Defesa, responsável pela interação entre Exército, Aeronáutica e Marinha, faça papel de palhaço diante de uma tragédia da aviação civil internacional.
No último bloco do treino da Fórmula-1 notei um comercial da Renault também absolutamente inacreditável. O locutor diz alto e bom som que “não interessa o que vai acontecer com seu orçamento familiar, o que interessa é que você já sabe qual o carro que vai comprar”.
Televisão, meu amigo, melhor não vê-la.
É mole?
A imaginação não tem a menor chance contra a realidade. Talvez por isso a literatura esteja arrastando a asa para os fatos históricos. Nunca neste mundo de Deus o “baseado na vida real” fez tanto sentido. Ou será que algum roteirista poderia imaginar que o Kung Fu morreria de tanto bater punheta num quarto de hotel?
sexta-feira, 5 de junho de 2009
Caixa preta
Problemas técnico-caseiros, de acordo com reforma pessoal da língua portuguesa, estão impedindo a devida atenção ao nada -ou a este blog.
Voltaremos quando reunirmos os destroços.
Voltaremos quando reunirmos os destroços.
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