quarta-feira, 6 de maio de 2009

Igrejas e terreiros lotados

A Bahia está pagando seus pecados. E olha que na Bahia pecado já vem como hóstia de manhã cedo, é a benção do povo encalorado, sensual, liberal e safado. Quer dizer, aqui, pecado é o que não falta. E todo mundo sabe disso.
A chuva não dá trégua, quer dizer, até dá, mas só por alguns instantes. A dengue, só no último mês, fez cinco mil novas vítimas. Cinco mil. E agora chegou a meningite. Há um surto em todo Estado.
Alguém está pensando que voto no candidato certo resolve? Pois sim. Melhor rezar. Ou bater tambor.

Aqui

Continua chovendo na Bahia. Ontem choveu sem parar, com bem força, como se diz aqui, por mais de seis horas. Deve ter sido recorde de precipitação nos últimos anos, difícil saber exatamente, não há Imprensa local, há produtos comerciais que se se intitulam jornal, rádio e televisão, mas não há jornalismo, só departamentos financeiros. Melhor nem ver.
Escrevo Bahia, mas o senhor, se não tiver intimidade suficiente com a terra da felicidade, deve ler Salvador. Aqui é a Bahia. De Feira de Santana pra lá é o sertão ou o Brasil. E a Bahia não está preparada para chuva. Nunca esteve.
Estas tragédias anunciadas, por incrível que pareça, servem para eleger profissionais da promessa, o povo baiano é muito dócil, ingênuo, maleável, tem o costume bôbo de acreditar nas pessoas, principalmente se forem políticos celebridades, e por isso, só por isso, vê a cidade passar de mão em mão, cada uma mais espertalhona que a outra, e se desmilinguir na chuva do outono.
É uma tristeza para o povo e não é nem uma vergonha para os governantes. Ou, na verdade, talvez seja mesmo uma vergonha para o povo e nem uma tristeza para os governantes.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Verdades e mentiras

O jornal Estado de S. Paulo perguntou ao jornalista norte-americano Gay Talese "Por que nós precisamos de jornais?". A resposta ajuda a entender a nota logo abaixo.
"Porque no prédio de qualquer redação de um jornal respeitável, a qualquer momento, há menos mentirosos por metro quadrado do que em qualquer outro prédio. Há mentirosos nos jornais também, mas em menor número. Nos prédios do governo, nas escolas, instituições científicas, estádios de esporte, nas fábricas, a mentira circula num grau mais alto. Os jornais estão mais interessados na verdade, mesmo se cometem erros, às vezes, erros involuntários. E se você ainda quer a verdade, é mais fácil chegar a ela por intermédio de um jornal do que em qualquer outra instituição. Os jornais ainda oferecem a melhor chance de manter a verdade em circulação."

Disparada

O papel da Imprensa na tragicomédia cotidiana dos fatos começa a mudar efetivamente. Mais ou menos como a abertura democrática no Brasil no tempo da ditadura, lenta, gradual e irreversível. Imprimir jornais já é politicamente incorreto, o jeito são as empresas de comunicação se acostumarem rápido com a nova roupagem eletrônica. O futuro, sem qualquer dúvida, será atração exclusiva de tela de computador, jornal nem em sanitário público.
Uma nota publicada na edição impressa do New York Times, por exemplo, pode ser lida, supõem-se, por cerca de um milhão de pessoas. Esta mesma nota, no site do mesmo NYT, é lida por mais de 20 milhões. Onde o senhor acha que os anunciantes irão colocar seus reclames?
Ainda em Nova York, o bilionário norte-americano Warren Buffett disse que não compraria nenhum dos jornais americanos por dinheiro algum. Os investidores preferem o certo da luz ao duvidoso do papel.
Quer dizer, nós, leitores primatas, estamos à mercê da liberalidade absoluta da Internet. Preparem seu coração para as coisas que eles vão nos contar...

Imagens














Capitão do Corínthians, Williams levanta a taça de campeão em chamas. Isso é que é foto-jornalismo, na capa da Folha de hoje. Obra de Ricardo Nogueira.

Abaixo, na mesma Folha de hoje, quadrinho de Laerte, algo sobre auto-ajuda e bom humor.

sábado, 2 de maio de 2009

Mês das noivas

Abro um novo arquivo para as notas do blog, maio, no velho PC restaurado (não, não estou falando do PPS), desconfiado do dia, do tempo, dos fatos. Chove lá fora, não sei até quando a natureza vai continuar ensopando a vida deste lado do País. O noticiário é o mesmo de ontem, o mundo se debate entre crise econômica e gripe suína, não se sabe se Ronaldo joga amanhã, e o presidente Lula voltou a insultar a inteligência dos brasileiros, chamando todo mundo de hipócrita.
Convenhamos, maio começa com tudo igual a abril, março, fevereiro, ou seja, tudo fora do lugar. A chuva bem que podia ir chover noutra freguesia, assim como Ronaldinho Gaúcho devia voltar para o Grêmio e o presidente da República falar como presidente da República, e não como Lula, o metalúrgico.
Seriam bons presentes, sem dúvida, para o próximo dia das mães.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Velas ao vento

Hoje, dia do trabalho, o Brasil finalmente amanheceu sem Lei de Imprensa.
O Supremo Tribunal de Justiça decidiu que o Estado deve soltar suas garras de cima dos jornais e dos jornalistas.
A votação no STJ derrubou toda a Lei, não ficou nem o direito de resposta.
O mercado, como acontece em todas as áreas, se auto-regula (ainda com hífen, pelo menos para alguns teimosos).
O Estado deve cuidar de segurança, educação, saúde, transporte... Comunicação, esporte, cultura se resolvem sem intervenções paternalistas e protecionistas.
A cada dia que passa ficamos mais distantes do autoritarismo militarista dos anos 60, 70 e 80, embora sem saber exatamente do quê nós estamos nos aproximando.
As atuais idéias do Governo Federal sobre Imprensa e Cultura, por exemplo, são ainda mais retrógradas e perniciosas, mas as instituições já começam a navegar livres das amarras do Estado, a Nação é maior, bem maior que ditadores de qualquer cepa, inclusive os eleitos pelo povo.