O crítico de arte de O Estado de S. Paulo, Daniel Piza, está com uma enquete muito interessante em seu blog, Qual o Mais Belo Quadro da Arte Brasileira? São 10 opções, com a devida reprodução, alguns esquecimentos imperdoáveis, e uma certeza, quase todas as obras são do início do século passado. É uma boa oportunidade de admirar um pedacinho mínimo da pintura nacional, tragicamente desaparecida, como a literatura, no alvorecer do poder econômico e na assunção da ignorância no Brasil do capitalismo organizado ou do descaramento demagógico, você pode escolher um ou outro, como o condenado tem o sagrado direito de decidir se vai ser fuzilado com vendas nos olhos ou não.
Eu fiquei com Di Cavalcanti e suas gurias de Guaratinguetá, mas gostaria de ver algo de Siron Franco ou um dos auto-retratos de Caymmi. Também gostaria de rever uma aquarela que pintei do lago da Redenção, quando era ginasiano no Julio de Castilhos, na mesma época em que os milicos davam o golpe no Brasil. Mas acho que isto já é outro assunto.
Não pude reproduzir o quadro porque o botão da direita de meu mouse resolveu calar-se para sempre.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Fim de linha
Estou sem escrever no blog porque tenho passado o tempo inteiro tentando arranjar um trabalhinho. Perdoem-me. E se souberem de alguma coisa... o perfil é simples: jornalista veterano, meia atacante e romancista obnubilado.
Não consigo mais ler sobre política. O cinismo, a roubalheira e a demagogia, como se fosse um trio sertanejo, tomam conta das paradas de sucesso.
A palavra do presidente da República e dos candidatos a presidente da República não valem um tostão furado.
Vou tentar mudar o foco, para não jogar no ralo esses mais de 460 posts em 10 meses de blog.
Hoje, por exemplo, vi uma materinha no UOL sobre a cantora e compositora Angela Ro Ro, celebridade ao avesso da minha geração. Sempre gostei da gordinha sapatão e agora passei a admirar.
Vejam o que disse a doida sobre si mesma:
"Eu não deixei de ser louca. Loucura é criatividade, ousadia, questionamento. Deixei de ser alcoólatra, 'toxicômana' e tabagista de plantão. Foram 56 kg que eu perdi. Estou mais sadia, mas a loucura me orienta."
A mim também. O problema é seguir adiante sem saber qual o letreiro do bonde.
Não consigo mais ler sobre política. O cinismo, a roubalheira e a demagogia, como se fosse um trio sertanejo, tomam conta das paradas de sucesso.
A palavra do presidente da República e dos candidatos a presidente da República não valem um tostão furado.
Vou tentar mudar o foco, para não jogar no ralo esses mais de 460 posts em 10 meses de blog.
Hoje, por exemplo, vi uma materinha no UOL sobre a cantora e compositora Angela Ro Ro, celebridade ao avesso da minha geração. Sempre gostei da gordinha sapatão e agora passei a admirar.
Vejam o que disse a doida sobre si mesma:
"Eu não deixei de ser louca. Loucura é criatividade, ousadia, questionamento. Deixei de ser alcoólatra, 'toxicômana' e tabagista de plantão. Foram 56 kg que eu perdi. Estou mais sadia, mas a loucura me orienta."
A mim também. O problema é seguir adiante sem saber qual o letreiro do bonde.
quarta-feira, 14 de outubro de 2009
Minha mãe eu vou pra Lua
O presidente Lula, com candidatos preferenciais a tiracolo e uma renca de militares obtusos e politiqueiros puxa-sacos como saia rendada, está iniciando um tour de três dias pela região da transposição do rio São Francisco. A marcha, que vai utilizar avião, barcos e camionetes off-road, está sendo chamada pela mídia cooptada como a Coluna Lula, isso em desastrosa comparação com a histórica Coluna Prestes.
Em busca de ribalta para expor seus favoritos ao eleitorado e de fatos políticos que possam reforçar ainda mais sua espetacular biografia, Lula não se importa nem um pouco de fazer o papel principal em um movimento político-eleitoral que não passa de uma farsa histórica. Prestes era um comunista gaúcho revolucionário. Prestes lutava para mudar o regime político nacional. Lula é o governo. Lula é o cara a ser batido. O marqueting político governista parece não ter limites para seus devaneios políticos ideológicos irresponsáveis. E Lula adora se aproveitar desse vácuo na mídia de comunicação nacional.
O governo esquerdista do Brasil está a cada dia mais autoritário, populista e demagógico. E o povo batendo palmas.
Em busca de ribalta para expor seus favoritos ao eleitorado e de fatos políticos que possam reforçar ainda mais sua espetacular biografia, Lula não se importa nem um pouco de fazer o papel principal em um movimento político-eleitoral que não passa de uma farsa histórica. Prestes era um comunista gaúcho revolucionário. Prestes lutava para mudar o regime político nacional. Lula é o governo. Lula é o cara a ser batido. O marqueting político governista parece não ter limites para seus devaneios políticos ideológicos irresponsáveis. E Lula adora se aproveitar desse vácuo na mídia de comunicação nacional.
O governo esquerdista do Brasil está a cada dia mais autoritário, populista e demagógico. E o povo batendo palmas.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
domingo, 11 de outubro de 2009
Bonequinha da vez
Candidata disciplinada no cabresto do marqueting político, a ministra da Casa Civil da Presidência da República Dilma Roussef perpetuou nas últimas 48 horas o mais impressionante périplo político ecumênico da história da democracia demagógica neste país.
Tomou banho de pipoca no sincretismo religioso baiano, andou atrás da santinha no rio de gente em Belém do Pará (não se sabe se ela conseguiu segurar na corda) e deve estar agora saracoteando à vontade no bloco católico da emoção barata, em Aparecida do Norte.
É a mulatinha de todas as contas e rosários de tantas cores, fidúcias e atitudes morais desta vasta Nação, cada vez mais política-esportiva em vez de humana, igual e progressista.
Aleluia, isquindum, saravá e amém.
Tomou banho de pipoca no sincretismo religioso baiano, andou atrás da santinha no rio de gente em Belém do Pará (não se sabe se ela conseguiu segurar na corda) e deve estar agora saracoteando à vontade no bloco católico da emoção barata, em Aparecida do Norte.
É a mulatinha de todas as contas e rosários de tantas cores, fidúcias e atitudes morais desta vasta Nação, cada vez mais política-esportiva em vez de humana, igual e progressista.
Aleluia, isquindum, saravá e amém.
Domingo nublado
O grande garoto-propaganda do Governo Federal, capaz de vender centenas de milhares de carros novos em um único dia, para aumentar os índices de poluição no País, endividar a classe média cretina e enriquecer um pouco mais as financeiras e as montadoras de automóveis, fez mais um gesto decisivo para diminuir as desigualdades sociais neste País de futuro esportivo tão promissor: diminuiu o IPI sobre fogões e geladeiras. E também, em outro gesto magnânimo, resolveu doar R$ 400 mil aos ex-jogadores da Seleção brasileira que foram campeões do mundo. E a realidade da vida está aí, todo dia, com cabras de brincos eleitorais, tragédias naturais cotidianas num país de infra-estrutura de castelo de cartas, combate aberto entre povo e polícia em terminais de transporte público, chacinas inexplicáveis na guerra interminável entre polícia e traficantes e o maior festival de corrupção com dinheiro público que este –ou qualquer outro– país já viu. E o garoto Casas Bahia baixa alguns centavos no preço do fogão e distribui algumas esmolas públicas para ex-heróis populares, tudo devidamente registrado pela mídia “golpista e reacionária” numa espécie de caixinha eleitoral, cujo som é aquele mesmo que todos nós conhecemos: plim, plim..
Mas hoje é domingo, melhor pensar na primavera, como fazem os jornalistas da Rede Globo. Desovei estas mal traçadas aí de cima só porque tenho o absoluto direito de dizer alto e bom som, todos os dias, que continuo me guardando pra quando o carnaval chegar. E esse papo covarde de esquerda pragmática, por favor, nunca mais...
Mas hoje é domingo, melhor pensar na primavera, como fazem os jornalistas da Rede Globo. Desovei estas mal traçadas aí de cima só porque tenho o absoluto direito de dizer alto e bom som, todos os dias, que continuo me guardando pra quando o carnaval chegar. E esse papo covarde de esquerda pragmática, por favor, nunca mais...
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