terça-feira, 4 de agosto de 2009

O bom da vida

Passei o dia de ontem em intensa expectativa de uma nova ordem profissional na minha vidinha de jornalista-escritor desconectado prestes a voltar ao berço esplêndido que até esqueci do post obrigatório de segunda-feira.
Mas justifico.
Além da atenção presilhada na realidade da vida, me distrai com parábolas e rasantes de um gavião solitário no céu da minha janela e com a releitura de alguns parágrafos daquele que talvez seja o maior romance da língua portuguesa, Levantado do Chão.
Como gesto de boa vontade para pagar a conta do post que não houve, copio um breve parágrafo muito além da parca imaginação dos homens comuns, como nós.
Entonces... Saramago:

-Duas horas depois, mais tempo fosse e todo haveria de parecer curto, Manuel Espada saiu de casa, vai ter de esforçar o passo para chegar ao trabalho antes do sol fora. Os dois vagalumes que tinham estado à espera, puseram-se outra vez a voar, rentinho ao chão, com tal claridade que as sentinelas dos formigueiros gritaram para dentro que o sol estava nascendo.

Sorria, você acabou de ler uma das mais lindas metáforas jamais descritas na literatura.

Vem m(*) por aí...

O PMDB e os governistas fisiológicos ligaram os ventiladores no Senado Federal.
Alguns senadores contra e a favor do generoso vento planaltino bateram boca no melhor estilo teatral na sessão de ontem à tarde. Simon, Renan, Collor, Cristóvão e Jarbas só não saíram aos tapas porque nenhum deles tem mais idade para isso. O que mais chamou atenção aos espectadores da cena política nacional ao vivo e em cores foram o olhar encolerizado de Collor e a estrondosa ausência do PSDB.
O mundo dá voltas e voltas e passa de novo no mesmo lugar. E não é como farsa.

domingo, 2 de agosto de 2009

É o amoooor...

Laerte, quem mais poderia ser?, na Ilustrada de hoje.

Oferta da casa

A prática política influencia decisivamente o comportamento de qualquer cidadão, por mais sério ou safado que seja. O governador de São Paulo, José Serra, sem espaço nem jeito, tenta de todas as maneiras viajar pelo País anunciando que é candidato a presidente da República.
Ontem, segundo a Folha, o governador esteve no interior de Pernambuco e discursou para um público perplexo. Serra disse que sempre foi amigo dos nordestinos, e deu como exemplo o fato de no Jardim da Infância ter tido como colegas alguns filhos de retirantes nordestinos. E para coroar esta sensacional afirmação de proximidade afetiva com o povo do Nordeste, o candidato a presidência do Brasil disse que sempre trabalhou muito pela região e deu como exemplo a homenagem que prestou a Luiz Gonzaga no Vale do Anhangabaú.
Os nordestinos devem ter ficado muito impressionados. Tanto que serviram bode assado no almoço. Uma especiaria regional que Serra comeu aos soluços e ainda agradeceu dizendo que estava uma delícia.
A delícia mesmo ele vai ver quando contar os votos que o Nordeste está reservando ao PSDB.

Plim Plim

O meu amigo Fernando Marroni, deputado federal pelo PT/RS, apareceu ontem no Jornal Nacional como papagaio de pirata do ministro Celso Minc em matéria sobre lixo tóxico. Marroni estava com cara pra lá de séria e com jeito de quem tinha algo a dizer, uma pena que o repórter global não percebeu. Fiquei com a sensação de que eram dois caras certos, no lugar certo, na hora certa, mas no lado errado. Pelo menos quanto a Globo.

Antonio de Niro

Sempre considerei Antonio Fagundes um excelente ator, apesar das atuações adocicadas em novelas e mini-séries da televisão. A partir de hoje, depois de ler uma matéria da Ilustrada, passarei a chamá-lo de Bob Fagundes, numa referência a Robert de Niro, o maior ator da história do cinema, conforme todo mundo sabe.
Bob Fagundes está estreando uma peça em São Paulo, cidade que abriga talvez a maior campanha anti-tabagista do mundo, e resolveu enfrentar a censura dita politicamente correta acendendo um cigarro em cena.
Estou pensando seriamente em parar de fumar, meu desempenho em campo, como meia armador, tem sido sofrível, mas apóio a posição de confronto de Fagundes. Censura é para ser combatida e não respeitada.
Como alguém escreveu num muro de Paris, em maio de 68, e não o Caetano Veloso em uma musiquinha politicamente oportunista como pensam alguns desavisados, é proibido proibir.

sábado, 1 de agosto de 2009

O bando


Nunca neste País a democracia, a liberdade de expressão e os direitos do cidadão foram tão achincalhados como no episódio político do derruba-não-derruba o senador José Sarney da Presidência do Senado Federal.
O jornal O Estado de S. Paulo está sob censura da Justiça Federal e proibido de divulgar matérias jornalísticas sobre a Operação Faktor, ou Boi Barrica, que investiga uma tonelada de denúncias de desvio de verbas e enriquecimento ilícito da família Sarney.
Pode parecer inacreditável um jornal diário independente ser proibido de divulgar informações de absoluto interesse público, mas é o que está acontecendo. O autor da espetacular façanha judicial lesa-pátria é o desembargador Dácio Vieira, do Tribunal de Justiça de Brasília.
Na foto acima, podemos ver um flagrante do grupo de autoridades que lidera o fabuloso conglomerado conhecido como Família Sarney.
Da esquerda para a direita da foto, fora as formosas e desconhecidas madames, o próprio Dácio, Sarney, Agaciel Maia e Renan Calheiros.
O senador José Sarney, o Incomum, corre o risco de ver o movimento Fora Sarney virar para o velho e bom Cana Nele!
E o presidente Lula, o Pilatos, devia vir a público nos explicar a diferença entre impunidade política e liberdade de imprensa.