quinta-feira, 30 de abril de 2009

Diário da Aldeia

Abri a Internet de manhã cedo, olhei a capa da UOL e imediatamente desloiguei o computador. Como se sabe, antes das nove da manhã é muito, muito perigoso se contrariar, como diz minha mãe.
Voltei agora e a capinha escrota continua no ar.
No tempo em que havia jornalismo, em que os jornais tinham que respeitar certa hierarquia de importância dos fatos, em que os jornalistas sabiam discernir entre farsa e realidade, em que os interesses comerciais e políticos NÃO se sobrepunham aos conceitos editoriais, nesse tempo não se levava uma bofetada na consciência ao olhar as capas dos jornais.
Pois hoje, na metade alta da capa da Uol –como de resto acontece em praticamente todos os portais– há uma “notícia” com direito a foto com a seguinte chamada:
Chateada, Miley Cyrus nega que queira voltar com Nick Jones.
Gostaria de saber, sinceramente, se há pelo menos meia dúzia de pessoas entre os 180 milhões de brasileiros que saibam quem são estes dois personagens e o que fazem na vida.
Ah, esqueci de dizer que naquele tempo em que havia jornais e jornalistas, crianças não editavam primeiras páginas. Nem idiotas.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um piscar de olhos

Dizem que o poder muda a cabeça das pessoas.
Não sei, nunca estive sequer próximo do poder, só me atrevo a pensar assim em voz alta porque estou baseado em fatos. O presidente Lula começou na vida pública como líder sindicalista radical de esquerda. Ontem aconselhou a ministra Dilma a rezar e fez o sinal da cruz diante das câmeras da tevê. A ministra Dilma, questionada dois anos atrás pela Folha sobre se acreditava ou não em Deus titubeou entre “será que há, será que não há”, e hoje não perde um baileco em nome de Jeová ou de Jesus ou de qualquer santo padroeiro de alguma excentricidade.
Talvez o verbo mais exato para este ditado popular sobre o poder seja desatarrachar.
A mentira e a verdade, para políticos profissionais, estão separadas pela mesma distância que limita a realidade da imaginação -um tantinho assim.

Almanaque

Caso os senhores não tenham reparado, maio começa no próximo fim-de-semana, ou melhor, depois de amanhã a meia noite. Maio de 2009. Parece que está passando depressa demais. Isso de tempo, assim como certo e errado, bem e mal, depende muito de se estar virado para onde sopra o vento, claro, mas acho que algo desatou no relógio do sol e a vida desembestou ladeira abaixo. Sugiro, caso haja um divino diretor de cena, que o volante do planeta seja entregue a Rubens Barrichello. Seríamos todos conduzidos com técnica, precisão e segurança, sem muita pressa de chegar...

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Erre de Rei

Nós nunca tivemos um rei, nós tivemos todos os reis.
O rei do futebol. O rei do dó maior com açúcar. O do baião. O da cocada preta. Os reis dos gramados, das pistas, dos ringues, das quadras, dos picadeiros, dos prostíbulos. Do cangaço, da maracutaia, do tráfico de armas e de drogas e de animais e de mulheres e de crianças. Nossos reis são reis de tudo e de nada.
Pois, hoje, nós do País do Futebol amanhecemos súditos outra vez, nos reconhecemos todos súditos. Um súdito só é súdito quando reconhece o rei. Um rei só é rei quando é rei de todos. Como foi Pelé, como é Ronaldo.
Nós sabemos que somos súditos quando vemos o rei correndo em nossa direção, com a alma erriçada, sorriso e braços abertos depois de ter feito algo que nenhum de nós é capaz de fazer, e quando a gente nem sabe direito o que dizer disso tudo.
Viva a Monarquia. E um terceiro mandato para Ronaldo.

domingo, 26 de abril de 2009

Um sábado qualquer




















Flagrante caseiro, na lente Ipod de Pascoal Gomes, numa malfadada tentativa de Velásquez, com este escriba imitando uma anta gorda segurando espelho, o bailarino Sobral refestelado na poltrona, e a dona da casa, Eleonora, a sorrir.

Segue o barco

De sexta-feira para cá, quando este blog esteve em silêncio, aconteceram pelo menos dois fatos de alta relevância na política nacional. A descoberta da farra das passagens aéreas no Congresso e o câncer linfático da ministra candidata a presidente. Para o bem geral da Nação, as duas coisas vão dar em nada, tanto no diagnóstico como na conseqüência. Os deputados e senadores vão continuar se lambuzando em vantagens e a ministra ganhará, quando muito, dois pontinhos no índice de popularidade.