Logo depois de postar a nota abaixo saí para buscar veneno no armazém da esquina. No caminho, triste Bahia, quão dessemelhante, passei por dois meninos e tive a graça de escutar a conversa. O maior, uns sete, oito anos, perguntou pro menor:
- Você sabe por que o Maiqueujéquius morreu?
- Não.
- Porque ele trocou de pele.
Comprei o cigarro e voltei pra casa matutando. Desde ontem à noite vejo os noticiários titubearem sobre a morte do grande astro. O Jornal Nacional, por exemplo, demorou cinco minutos para dizer que o cara estava morto, algo mais ou menos parecido com a absurda cobertura ao vivo do acidente da TAM, em Congonhas, quando o repórter EVITOU dizer que tinha 200 pessoas a bordo do avião em chamas que a televisão estava mostrando. Mas bastou sair à rua para ouvir uma opinião crítica sincera e original. E logo de um guri vagabundeando na manhã ainda outonal da periferia baiana. Um sacana que nem tem diploma de jornalista...
sexta-feira, 26 de junho de 2009
Los antojos
O vento triste da morte anda a recolher almas e, por isso, só por isso, desatou nesta manhã baiana de sol frio o nó que sufoca o pescoço deste blog.
Primeiro, Farrah Fawcet, retrato oficial da beleza em folhinha de oficina mecânica. Algumas horas depois, Michael Jackson, este sim o sol halográfico que iluminava ribaltas mundo afora, aqui, no Pelourinho, na Rocinha, no Cazaquistão e nas luas de Saturno. E um pouco antes, sem ninguém notar, levou outro Antonio Santos, o Toninho Vanuza, ex-meio-campo do Palmeiras.
Acho que os três tinham uma coisa em comum: eram jovens. Ainda estavam longe de fechar o boteco, mas hoje em dia, graças ao avanço das drogas medicinais, a gente pode morrer a qualquer hora, sem mais nem por quê.
Primeiro, Farrah Fawcet, retrato oficial da beleza em folhinha de oficina mecânica. Algumas horas depois, Michael Jackson, este sim o sol halográfico que iluminava ribaltas mundo afora, aqui, no Pelourinho, na Rocinha, no Cazaquistão e nas luas de Saturno. E um pouco antes, sem ninguém notar, levou outro Antonio Santos, o Toninho Vanuza, ex-meio-campo do Palmeiras.
Acho que os três tinham uma coisa em comum: eram jovens. Ainda estavam longe de fechar o boteco, mas hoje em dia, graças ao avanço das drogas medicinais, a gente pode morrer a qualquer hora, sem mais nem por quê.
quarta-feira, 24 de junho de 2009
O convertido
Nesta semana que passou o presidente Lula talvez tenha dito a maior quantidade de bobagens homéricas de todas as pronunciadas ao longo de sete anos de mandato. Ele é popular, legítimo, demagogo, pode tudo, mas isso desde que não tente mudar a realidade dos fatos e nem prever conseqüências históricas que só interessam a ele e aos seus súditos.
Ao se referir a guerrilha do Araguaia, um dos episódios ainda não totalmente esclarecido durante a RESISTÊNCIA ao regime militar, disse em tom professoral que o Brasil precisa é de heróis, e não de ficar tentando identificar e julgar seus algozes.
Ninguém precisa de heróis. Nenhuma Nação precisa de heróis. Só gente e mundo de fantasia é que precisam de heróis.
O Brasil precisa, isto sim, o mais rápido possível, é esclarecer em que circunstâncias dezenas de militantes políticos brasileiros foram assassinados nas matas do cerrado.
Lula, a cada dia que passa, se afasta ainda mais dos compromissos políticos ideológicos que o levaram à presidência da República.
O roteiro de seu mundo perfeito, onde a oposição é o mal e ele, só ele, é o bem, deve estar sendo escrito por alguém dos estúdios das antigas chanchadas da Atlântida. E alguém muito competente. Se não fosse assim, como aqueles jovens de ontem (nós mesmos!) poderiam continuar acreditando num líder de esquerda que é o preferido do presidente dos Estados Unidos?
Ao se referir a guerrilha do Araguaia, um dos episódios ainda não totalmente esclarecido durante a RESISTÊNCIA ao regime militar, disse em tom professoral que o Brasil precisa é de heróis, e não de ficar tentando identificar e julgar seus algozes.
Ninguém precisa de heróis. Nenhuma Nação precisa de heróis. Só gente e mundo de fantasia é que precisam de heróis.
O Brasil precisa, isto sim, o mais rápido possível, é esclarecer em que circunstâncias dezenas de militantes políticos brasileiros foram assassinados nas matas do cerrado.
Lula, a cada dia que passa, se afasta ainda mais dos compromissos políticos ideológicos que o levaram à presidência da República.
O roteiro de seu mundo perfeito, onde a oposição é o mal e ele, só ele, é o bem, deve estar sendo escrito por alguém dos estúdios das antigas chanchadas da Atlântida. E alguém muito competente. Se não fosse assim, como aqueles jovens de ontem (nós mesmos!) poderiam continuar acreditando num líder de esquerda que é o preferido do presidente dos Estados Unidos?
sábado, 20 de junho de 2009
Psicopatia
Brasileiros e brasileiras, ando meio brigado com o blog, mas a manchete de hoje de O Estado de S. Paulo me traz de volta ao teclado:
Senado paga mordomo de Roseane Sarney.
O mordomo responde pelo apelido de Secreta, ganha 12 paus por mês como assessor do senador José Sarney, mas trabalha na casa da governadora Roseana Sarney.
O senador, presidente do Senado Federal, continua aplicando o golpe do eu não vi, eu não sabia, eu vou mandar investigar.
O presidente Lula tem razão, Sarney não é uma pessoa comum, não pode ser tratado como uma pessoa comum.
Senado paga mordomo de Roseane Sarney.
O mordomo responde pelo apelido de Secreta, ganha 12 paus por mês como assessor do senador José Sarney, mas trabalha na casa da governadora Roseana Sarney.
O senador, presidente do Senado Federal, continua aplicando o golpe do eu não vi, eu não sabia, eu vou mandar investigar.
O presidente Lula tem razão, Sarney não é uma pessoa comum, não pode ser tratado como uma pessoa comum.
sábado, 13 de junho de 2009
Dois milhões de Zie e Zii
O ministro da Cultura, Juca Ferreira, deu um tiro calibre 12 no pé esquerdo.
O senhor Juca, guindado ao mais alto escalão político da República pelas mãos conterrâneas coorporativas de Gilberto Gil, sem qualquer qualificação artística ou crítica a não ser o fato de ser devoto contrito dos Novos Baianos e membro destacado da confraria do filósofo contemporâneo Roberto Pinho, tropeçou no próprio palavreado ininteligível na vã tentativa de explicar porque o Governo brasileiro tem de bancar uma turnê do cantor e compositor Caetano Veloso pelas principais capitais tropicais.
O senhor ministro de plantão disse simplesmente que "Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá."
O que é isso? Desde quando o Ministério da Cultura tem interesses comerciais na divulgação da arte nacional? O Brasil é um país pobre e, até segunda ordem, tem um governo popular interessado em promover a produção artística cultural sem PROTEGER artistas consagrados e muito bem sucedidos.
Caetano Veloso, em nome de sua própria história no cenário cultural nacional, devia retirar a solicitação de verba oficial. E um pedido de desculpas a Nação também não faria mal nenhum.
O senhor Juca, guindado ao mais alto escalão político da República pelas mãos conterrâneas coorporativas de Gilberto Gil, sem qualquer qualificação artística ou crítica a não ser o fato de ser devoto contrito dos Novos Baianos e membro destacado da confraria do filósofo contemporâneo Roberto Pinho, tropeçou no próprio palavreado ininteligível na vã tentativa de explicar porque o Governo brasileiro tem de bancar uma turnê do cantor e compositor Caetano Veloso pelas principais capitais tropicais.
O senhor ministro de plantão disse simplesmente que "Não sou masoquista para trabalhar só com artistas malsucedidos. O ministério não tem vocação para irmã Dulce ou para Madre Teresa de Calcutá."
O que é isso? Desde quando o Ministério da Cultura tem interesses comerciais na divulgação da arte nacional? O Brasil é um país pobre e, até segunda ordem, tem um governo popular interessado em promover a produção artística cultural sem PROTEGER artistas consagrados e muito bem sucedidos.
Caetano Veloso, em nome de sua própria história no cenário cultural nacional, devia retirar a solicitação de verba oficial. E um pedido de desculpas a Nação também não faria mal nenhum.
sexta-feira, 12 de junho de 2009
Traque matinal
Sol de outono, o noticiário otimista diz que vai dar praia, mas isso pouco interessa, há mais o que fazer nesta estação do Paraíso.
Pode-se esculpir frase a frase uma história que jamais existiu e sucumbir no empurra-empurra das culpas do dia-a-dia e navegar os versos del maestro até a ilha dos náufragos e colar a espalda ao paredón e reordenar os velhos e bons planos de explodir o palácio do governo. Ou então apenas voar.
Como um sabiá sob o céu da Bahia, sobre a serenidade burguesa dos condomínios à beira mar, sobre os palácios sem reboco da periferia, um sabiá flutuando na brisa sobre a Baía de Todos os Santos até entrar no Recôncavo e pousar num cajueiro de Santo Antonio de Jesus e decretar, com trinados e gorjeios veementes, para que todos ouçam e não esqueçam nunca, que CRIANÇA NÃO PODE FABRICAR FOGOS DE ARITIFÍCIO.
E aproveitar o ensejo para também relembrar que gente grande não deve votar em político demagogo.
Pode-se esculpir frase a frase uma história que jamais existiu e sucumbir no empurra-empurra das culpas do dia-a-dia e navegar os versos del maestro até a ilha dos náufragos e colar a espalda ao paredón e reordenar os velhos e bons planos de explodir o palácio do governo. Ou então apenas voar.
Como um sabiá sob o céu da Bahia, sobre a serenidade burguesa dos condomínios à beira mar, sobre os palácios sem reboco da periferia, um sabiá flutuando na brisa sobre a Baía de Todos os Santos até entrar no Recôncavo e pousar num cajueiro de Santo Antonio de Jesus e decretar, com trinados e gorjeios veementes, para que todos ouçam e não esqueçam nunca, que CRIANÇA NÃO PODE FABRICAR FOGOS DE ARITIFÍCIO.
E aproveitar o ensejo para também relembrar que gente grande não deve votar em político demagogo.
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