quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Sindicato no torneio

Encantado que está em se transformar em sócio majoritário de construtoras e empreiteiras pelo País afora, o PT ainda não percebeu, mas já é possível ler nas entrelinhas da grande imprensa o futuro resultado das eleições presidenciais, inclusive com nome e sobrenome dos culpados pela derrota anunciada do grande partido que era isto e virou aquilo.
Sob a égide A Estupidez Política Não Tem Limites, a trindade radical petista que inviabilizará o golpe do lulismo em se perpetuar no poder:
-José Dirceu, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia.
Com um meio de campo desses, com essas idéias progressistas socialistas em direção ao fim do mundo, não tem técnico marqueteiro que resolva. Já perderam –e vão dar vexame na saída.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parla, mestre!

O boneco falou antes do ventríloquo.
Quer dizer, a ministra Dilma Roussef respondeu antes do presidente Lula às reclamações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os temas que serão explorados na campanha eleitoral.
Talvez quisesse demonstrar independência, mas faltou ao discurso agressividade e autoridade de quem sabe o que diz. Eis o que ministra disse:
— Comparar não é ficar olhando para o retrovisor. Pelo contrário. É discutir que caminho eu vou seguir. Para que lado eu vou. E por que o povo tem que discutir isso? Porque é importante saber se nós vamos fazer obras de saneamento ou não.
O boneco fala sobre uma outra dimensão da realidade. O povo não tem a menor idéia do que seja saneamento.
O cara, por exemplo, jamais tentaria uma frase decisiva com um palavrão desse calibre.
O boneco, decididamente, não é o cara.
O artigo de Fernando Henrique (lead no post abaixo) foi contundente, respondeu pontapé na canela com cotovelada na cara.
Continuamos aguardando a palavra do ventríloquo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Do abacateiro

O presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores têm chamado insistentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a briga eleitoral.
O ex-presidente resolveu aceitar o convite.
Leiam o que ele escreveu em seu artigo semanal para alguns jornais (eu li no blog do Noblat). Reproduzo o lead, digamos assim:

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que, se a oposição ganhar, será o caos.
Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse "o Estado sou eu". Lula dirá: "o Brasil sou eu!" Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições.

O presidente Lula vai responder, é claro. Não será em artigo pela Imprensa, mas em qualquer das centenas de microfones que tem à disposição para falar o que bem entende na hora que quiser. Publicarei a resposta. O esquentamento do processo eleitoral pelos dois grandes nomes nacionais que não disputam o pleito pode –e deve– influenciar diretamente no resultado. Eles, os dois, Lula e Fernando Henrique são os caras, as caras do Bem e do Mal, a depender, claro, do ponto de vista do espectador. Aguardaremos quietos à beira do regato.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Jogo aberto

A sucessão presidencial entrou fevereiro rebolando como passista de escola de samba.
Há quatro candidatos no páreo, com peso eleitoral mais ou menos definido, mas o ritmo dos tamborins é tão contagiante que hoje, oito meses antes, é impossível saber qual a bundinha que vai sentar na cadeira mais desejada da Nação.
Ciro personalizou rápido, como pistoleiro experiente, a imagem do combativo, do ferrabrás, daquele que não tem papas na língua. Seus perdigotos já resvalam até em Lula, a quem o cearense paulista chamou de “santo” com clara conotação pejorativa. Isso, como se sabe, ganha voto, a questão é saber quem perde, se Serra ou Dilma.
Marina foi muito feliz em seu primeiro programa eleitoral, ontem. Câmera fechada em seu rosto quase o tempo todo, sem se jactar de realizações duvidosas nem se basear em promessas de futuro progressista, deixou uma imagem clara ao eleitorado, muito santinha do pau oco, para o gosto de muitos, mas original, genuína e verdadeira. Deve crescer com consistência, mas com o mesmo problema de Ciro, não tem uma bandeira clara e objetiva, com cores bem definidas. Ninguém sabe de quem ela tira voto. Eu acho que é do Lula, mas o “santo” não é candidato.
Dilma. Ninguém nunca mentiu tanto neste País. E nem precisava. O pessoal da “estratégia” errou a mão na primeira tentativa, voltou a errar na segunda, e hoje não há dois cidadãos que concordem em apontar um perfil definido para a ministra. Ela é a menina do Lula, isso todo mundo sabe, o que não se sabe se ela é a menina boazinha ou é a menina má.
José Serra. Ou Arres Esoj. Nunca o vampiro simpatia esteve com cara tão desesperada na tevê. Sua eleição “garantida”, como indicava dez entre nove observadores independentes da cena política nacional, está boiando na inundação interminável de São Paulo, e pode afundar como uma anta numa boca de lobo.
Melhor para nós, a comer pipocas na arquibancada do circo enquanto o novo lobo, ou loba, não entra em cena para valer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Atrás do trio

Atenção!
Está em curso um dos piores crimes jamais acontecidos na Terra da Felicidade do País das Maravilhas.
Um soldado PM foi morto num confronto com um grupo de jovens marginalizados em Vitória da Conquista. Dois depois do crime, 15 adolescentes, todos pobres e marginalizados, foram assassinados a tiros. Entre os mortos, meninos e meninas de 14, 15 anos de idade. Um massacre do qual não se ouve uma voz sequer de qualquer autoridade que seja. Ou melhor, quer dizer, ou pior, se ouve apenas explicações fajutas de “oficiais da corporação”.
A Imprensa local não sabe nem como abordar o caso, comprometida que está com Deus e o Diabo na terra do sol. A opinião editorial depende diretamente do volume de anúncios.
O governador? Bem, o governador mantém impecável o desenho da barba e dedica-se todos os dias a perseguir os adversários políticos e a palmilhar seu caminho em direção à reeleição. Quer dizer, o governador só pensa em eleição. E isso em nome de supostos interesses do povo. Negócio de adolescente morto não interessa. Bahia boa é Bahia em festa.
Agora, querida paulistinha, venha brincar o carnaval com um barulho desses...

Pula a fogueira, neném

Êê, Bahia, êê Brasil.
O sol está quente, o ar está quente, a alma do povo está quente, o noticiário das entrelinhas, então, está pegando fogo.
Aproveito para jogar um palito de fósforo aceso na fogueira.
Como todo mundo sabe, viu e não deve fingir que não aconteceu, o presidente Lula rasgou sua biografia de líder sindicalista de esquerda ao assumir o poder em nome de um projeto político pessoal, distribuir esmolas aos pobres e apaniguados e entupir de dinheiro os bancos privados, as incorporadoras e os grupos econômicos que exploram os benefícios do capitalismo no País das Maravilhas.
Pois, agora, o presidente Lula já está estraçalhando sua novíssima biografia de autodenominado líder mundial do bom senso com os mais variados, desonestos e inimagináveis golpes contra a democracia, na desesperada –e até incompreensível– intenção de se manter no poder a qualquer custo. O Governo, o PT e os quadrilheiros de aluguel estão montando e manipulando pesquisas eleitorais, chantageando os políticos da base de apoio e fazendo ameaças (por escrito!!) ao povo que recebe o Bolsa Família. Isso está nos jornais, nos portais, nos blogs, em todo lugar.
Acho que nenhuma rasteira nos interesses reais dos brasileiros vai adiantar. Parece que qualquer candidato ganha de Dilma. Até um tal de Arres Esoj que apareceu na lista de candidatos exibida pelo Vox Populi aos elitores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sem lenço...

Dois de fevereiro, dia de festa no mar.
E de vexame no ar.
O Jornal da Manhã, da Globo local, tem um repórter de plantão na casa do presente, praia da Paciência, Rio Vermelho. Arde o sol no céu da Bahia, mas a luz não nasceu para todos. O rapaz reporta mais ou menos assim: “Há uma pequena confusão por aqui, O presente de Iemanjá está atrasado. O presente este ano foi montado em Arembepe e quando vinha sendo transportado pela estrada foi barrado no posto rodoviário. O caminhão não tinha documentos”... E continuou a falar sem se dar conta que a matéria era justamente aquela e não esta. Os âncoras do estúdio são espécie de animadores de bloco e nem tem obrigação, pelo menos é o que parece, de dar um encaminhamento jornalístico mínimo aos fatos do cotidiano, então ficamos, eu e os outros telespectadores matinais, sem saber o que houve afinal com o presente oficial de Iemanjá no dia dois de fevereiro. Pela gota mínima de informação reportada no telejornal, um guarda rodoviário impediu o cortejo de Iemanjá de chegar ao mar. O motivo seria a falta de documentação do caminhão que transportava o barco dos presentes ofertados à deusa do candomblé.
Infelizmente, talvez jamais saibamos o que houve de fato. Não vimos o caminhão nem a cara do guarda mau. Mas das duas, uma, como diz o povo. Ou estava todo mundo bêbado, o motorista do caminhão inclusive, e o caminhão caindo aos pedaços, o que é bastante provável, ou o tal guarda rodoviário é um evangélico destemido e considerou aquilo tudo uma afronta a Jesus ou a Jeová e decretou um teje preso radical.
O eterno enfrentamento das entidades espirituais parece ter produzido uma inusitada escaramuça suburbana que escapou aos olhos festivos e distraídos da Imprensa baiana.