quinta-feira, 4 de março de 2010

Matinal...

Talvez não haja nada pior, para um palhaço alfabetizado, como eu, do que acordar, ligar a tevê para ver o noticiário e se deparar com o presidente da República, com cara de cínico apavorado, falando besteiras primárias sobre relações políticas internacionais.
Em uma única frase indireta, repleta de digressões e insinuações, e absolutamente inconclusa, Lula se escondeu na Constituição brasileira, que não tem nada a ver com isso, para justificar um posicionamento diplomático dúbio, incerto, sobre um governo fundamentalista do qual o mundo ocidental não sabe quais são as reais intenções do anunciado programa de desenvolvimento nuclear.
Dá vontade de tirar o colarinho voltar para a cama. Ou escrever logo um post raivoso.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Censura livre

Há algum tempo o presidente Lula está tangendo o País no rumo de uma ditadura.
A censura à Imprensa já é uma realidade, apesar do silêncio da própria Imprensa, cada vez mais dependente das polpudas verbas publicitárias do governo. Um dos maiores jornais diários da história do jornalismo na América Latina, O Estado de S. Paulo, está sob censura oficial a mais de 200 dias por conta de um dos maiores criminosos políticos da história do Brasil. Agora, outro ícone da Imprensa nacional, o jornalista Alberto Dines foi censurado e demitido do portal IG por ter escrito um artigo de opinião sobre a inexplicável e ininteligível posição do presidente Lula quanto aos direitos humanos na ilha de Cuba.
Publico o artigo de Dines como mínimo movimento de resistência ao autoritarismo e em defesa da liberdade de expressão. O Brasil é muito grande para ser dominado por fascistas ignorantes.

O azar dos sortudos

Alberto Dines

Tem fama de afortunado, ditoso ou, como diz o povo, empelicado. Mas nem tudo foram flores quando Lula enveredou pela política: perdeu três pleitos presidenciais sucessivos e já começava a ficar com fama de perdedor quando os ventos mudaram e embora não fosse surfista enganchou-se nas ondas certas.
Nestes últimos oito anos, inspirado pelos astros ou pelo bom senso, Lula acionou corretamente todos os botões mesmo quando os companheiros cometiam as barbaridades do mensalão e do dossiê Vedoin. Animado pela infalibilidade cometeu há um ano monumental asneira ao escolher José Sarney para presidir o Senado. Ainda não pagou por ela mas não está longe o dia em que será julgado pela complacência na desmoralização do Legislativo e na proteção a um dos coronéis mais corruptos da história do Nordeste.
A viagem ao México e Caribe prometia ser um cruzeiro de férias: em Cancun, na Cúpula das Américas, deveria envergar a confortável guayabera presenteada pelo anfitrião Filipe Calderon aos participantes homens (excluídas as mulheres) e participar de mais um bloco continental, não-carnavalesco, a “OEA do B”, sem a participação dos EUA e Canadá.
Em Cuba encontraria Fidel Castro, em franca recuperação, e talvez incentivasse as negociações recém iniciadas com os EUA cumprindo o seu papel de contrapeso à insanidade de Chávez. Não foi avisado ou não deu importância à informação de que o dissidente cubano, Orlando Zapata, em greve de fome há 85 dias, fora internado em estado grave uma semana antes num hospital de Havana.
Como a Parca não distingue sortudos dos azarados, o anúncio da morte de Zapata correu o mundo justamente quando o avião da Força Aérea Brasileira aterrava em Havana e Lula, feliz da vida, preparava-se para abraçar os irmãos Castro. Boas estrelas são volúveis, a sorte é movediça, pior ainda: imprevisível.
O presidente Lula atrapalhou-se ao explicar por que não atendera ao pedido dos dissidentes cubanos para interceder em favor de Zapata e cometeu uma barbaridade ao desqualificar o sacrifício do militante oposicionista. Ignorou ostensivamente a heróica jornada do Mahatma Gandhi que dobrou o invencível império britânico graças às greves de fome.
Desprezar a imolação e depreciar o martírio é uma forma de compactuar com aqueles que não permitem outra alternativa senão a imolação e o martírio. Invocando princípios religiosos Lula foi anti-religioso, ao buscar a racionalidade associou-se aos irracionais que relativizam as liberdades para defender o arbítrio. Não contente, em entrevista aos jornalistas cubanos, fez um apelo à ousadia de Obama para acabar com o embargo econômico dos EUA a Cuba.
Este embargo ianque é estúpido, desumano, imoral e inútil, Obama está empenhado em suspendê-lo, mas considerá-lo como único responsável pela ditadura cubana – como fizera na véspera seu homólogo, Raúl Castro – é um raciocínio primário à altura do intelecto de Hugo Chávez.
Atarantada por suas próprias mazelas, a imprensa internacional não deixou sem comentários o simplismo do nosso presidente. O prestigioso diário espanhol El País, o mais importante do mundo ibero-americano, lamentou a oportunidade perdida pelo dirigente brasileiro para forçar o regime cubano a respeitar os direitos humanos.
“O silêncio de Lula diante de uma ditadura como a castrista macula o que ele representa para a América Latina e à medida em que o Brasil se fortalece como potencia emergente, para o resto do mundo.” Não se trata de uma opinião pessoal do correspondente no Brasil, Juan Árias – geralmente cordato – mas da opinião institucional de um grande jornal que recentemente ofereceu a Lula um honroso galardão.
Negociar com todas as partes em conflito é a principal ferramenta da diplomacia, mas a confiança dos interlocutores não pode ser conquistada à custa do sacrifício de valores universais. Remember Munique: as concessões pragmáticas de Chamberlain e Deladier, ao invés de aplacar Hitler, só aumentaram a sua ferocidade.
A sorte é imponderável, inexplicável, mas consta que sortudos têm boa memória.

Essssportiva

Pouca gente notou, mas a seleção brasileira foi derrotada ontem em jogo amistoso na Inglaterra.
Perdeu de goleada. A Irlanda não está no mapa do futebol profissional no mundo. O Brasil é a seleção de futebol mais vencedora de toda a história do futebol. Dois a zero contra ninguém é igual a nada.
Robinho jogou mal o tempo todo, errou passes primários, não tem ritmo de jogo e não marca nem a própria sombra. É só fingimento, do princípio ao fim, em busca de uma câmera de tevê para abrir o sorriso marqueteiro. No primeiro gol, estava impedido e teve auxílio involuntário de um zagueiro irlandês. No segundo, entre dois toques geniais de Kaká e Grafite, sinceramente, até minha mãe chutaria aquela bola no cantinho. A sanha da mídia por heróis de ocasião (fica mais fácil vender jornal com ações esportivas épicas e sobre-humanas) coloca Robinho em todas as primeiras páginas do mundo esportivo.
Mesmo assim, não creio que a obtusidade mental de Dunga prevaleça contra a realidade dos fatos. O Brasil estará sim com seus melhores jogadores na Copa. Se vamos ganhar ou não, parodiando Parreira, é só um detalhe. O Brasil não tem obrigação de vencer. Já venceu a todos. O Brasil tem que ensinar o mundo a jogar futebol. Essa sim é nossa agradável missão na Copa. Missão que Dunga parece não ter humor suficiente para entender. E praticar.

Três por quatro

O telejornal Bom Dia, Brasil, da rede Globo, acaba de mostrar uma escola pública no Maranhão, ou o que a reportagem chamou de escola. O comentarista Alexandre Garcia, mais de 40 anos de jornalismo e 30 de convivência diária com a política em Brasília, disse que esse é mais um caso de lesa-Pátria no Estado do Maranhão.
Esqueceu de dizer, e nem os apresentadores Renato e Renata ressalvaram, que o Estado do Maranhão é propriedade de José Sarney, presidente do Senado Federal e membro da Academia Brasileira de Letras. Aquele mesmo Sarney que já foi presidente da República sem ter sido eleito para isso e que foi chamado de ladrão pelo atual presidente da República, mas que se mantém na crista da vida pública nacional por obra de um suposto acordo de governabilidade com este mesmíssimo presidente.
Este é um pequeno retrato do verdadeiro legado da era Lula. O fim da educação pública e a prevalência de obras públicas fantasiadas de faraônicas e sem mínimo suporte de infra-estrutura. Lula governa para banqueiros e construtoras, e compactua com figuras como o senhor José Sarney, um político que deveria, isto sim, estar internado em um manicômio judiciário.

terça-feira, 2 de março de 2010

Amigos do Leão

Mais de 120 mil contribuintes entregaram a declaração do Imposto de Renda no primeiro dia!
O Governo Federal bem que poderia distribuir a medalha Cuzinho de Ferro a cada uma destas almas ansiosas.

Isto é um crime

Tem uma propaganda no ar do Banco do Brasil com uma criança de sete, oito anos de idade dizendo a um grupo de adultos sorridentes que quer ser dono de banco quando crescer.
Como pode um redatorzinho qualquer de publicidade, certamente incentivado e brifado por um marqueteiro farsante, expor a milhões e milhões de pessoas uma idéia tão esdrúxula, tão covarde, tão submissa, tão imperialista, tão norte-americana, tão fedorenta.
Criança quer ser Tarzan, Batman, Ronaldinho, Senna, Giba, Daiane, Jade, Ivete Sangalo e até o cara do rebolation, menos dono de banco. Só se for filho de um idiota, e os idiotas, como se sabe, ainda não são maioria. Criança, no máximo, e se for filho de brasileiro consciente e trabalhador, como a maioria do país, quer é explodir o banco. Criança sonha, banco é lugar de pesadelo, pelo menos para gente comum, como a gente. Banco só é paraíso para ladrões e gente interessada em riqueza, só em riqueza.
O Conselho que regula publicidade devia intervir. O Governo Federal... Bem, o Governo Federal se beneficia eleitoralmente com estas propagandas fajutas e fascistas de empresas estatais e afins que têm inundado a televisão dos brasileiros.

Essssportiva

Hoje tem jogo do Brasil e, pela primeira vez nesta minha doce, atribulada e contraditória vida, vou torcer contra. Espero, de todo coração, que a seleção canarinho comandada pelo capitão Dunga leve uma sonora goleada da Irlanda.
Dunga acha que só a vitória interessa, a qualquer custo. Algo meio parecido com o jeito do presidente Lula fazer política, o que alguns otimistas chamam de pragmatismo. Na vida real não é bem assim. No futebol, vale o espetáculo. Na política, vale a defesa da liberdade, em todos os níveis, e o bem-estar da sociedade.
Dunga quer retrancar o melhor futebol do mundo, sonhando em ganhar de um zero, num contra-ataque. O futebol brasileiro sempre botou os gringos na roda –ou na roda dos gringos. Jogar para não levar gol é coisa de medíocre, de quem não tem recursos técnicos para se impor num jogo de bola. O Brasil tem os melhores jogadores do mundo e corre o risco de ir para a Copa com Josué, Ramires, Elano, Robinho, etc, deixando de fora os Ronaldo (dois dos quatro maiores jogadores de todos os tempos) e promessas nas pontas dos cascos, como Neymar e Pato. O jogador mais importante é um débil mental evangélico.
Dunga, caso fosse presidente do Brasil, seria um nacionalista nazi-fascista, algo assim ocmo o Lula, mas muito mais pernicioso ao País, pois além de ser tudo que lembra um reacionário emperdenido ainda é conservador e racista.
Dunga, neste momento, consegue ser mais obtuso que o próprio mestre da obtusidade.