terça-feira, 30 de março de 2010

A voz da ignorância

O lançamento do PAC 2 foi um espetáculo de terceira categoria, com atores políticos visivelmente constrangidos, sem qualquer emergência administrativa que justificasse o circo político-eleitoral. Uma vergonha que nem o surpreendente discurso vacilante do presidente Lula conseguiu encobrir. A ministra Dilma, microfone em punho, titubeou ao tentar explicar o que é o PAC e enveredou em ataques despropositados ao velho inimigo de sempre, um tal de FHC, e a louvar um pretenso fortalecimento do Estado, colocando-se em confronto direto com o desenvolvimento político-econômico neoliberal que deu justamente a base para a estabilidade econômica ao País.
Mas o espetáculo não estava completo com a cara de assustado e as frases inconclusas do presidente Lula ou mesmo o gaguejar inútil de uma espécie de samba do crioulo doido da candidata oficial. Faltava o molho do socialismo antidemocrático e autoritário do sindicalismo nacional no modelo de liberdade aplicado por Castro e Chavéz. Coube ao presidente da CUT dar o tempero do absurdo ao projeto político da esquerda corrupta encastelada no Planalto.
O moço da CUT se propôs a falar sobre a democratização dos meios de comunicação, mais ou menos no mesmo nível intelectual de seu mestre e líder político nas negociações de paz entre árabes e israelenses. O líder sindicalista disse que "A liberdade de Imprensa não pode ser só a liberdade privada da imprensa brasileira". Como assim? Os aloprados do PT, mesmo às vésperas do já garantido chute na bunda nas próximas eleições, ainda sonham com uma ditadura do proletariado de carteirinha, com um partido único e também um único jornal.
A grande dúvida, para a imensa maioria do povo brasileiro, neste fabuloso projeto político sindicalista, é quanto ao futebol. Será que também teremos apenas um único time de futebol? O Corínthians, por supuesto? Seria muito chato.
Esta chegando a hora de apagar esses caras da história política do Brasil.
Nada mais.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fala, minha santa

E o Papa, heim?
A questão dos abusos sexuais na Igreja católica vai além dos improváveis tribunais de justiça mundo afora, está em jogo (quase dois milênios depois!!) a relação entre Estado e Religião. Afinal, chegou a hora de a sociedade civil enquadrar dogmas e valores que se debatem entre a cruz e a espada.
O senhor Bento XVI preferiu tentar minimizar o problema e acaba de dizer à Imprensa que tudo não passa de fofoca, de fofoquinhas.
Sei não, mas parece coisa de bichona.

A lição do povo

E as pesquisas, heim?
A questão não é mais saber quando Dilma vai passar a casa dos 30. Agora todos se perguntam se ela vai chegar à casa dos 30. O dado mais interessante divulgado pelo Data-Folha está na intenção de voto daqueles que vão votar no candidato de Lula: Serra tem 32 por cento e Dilma 31!
Pesquisa majoritária costuma provocar efeito dominó em candidaturas aderentes ou simpatizantes. O PT, neste instante, só tem um Estado importante, a Bahia (isso em termos de colégio eleitoral, economicamente a Bahia é pouco mais que nada). O Rio Grande é outro caso, o PT de lá tem nada a ver com Lula e seus quadrilheiros. O partido do presidente mais popular da história do planeta pode acabar as próximas eleições de mãos abanando, ou alguém acha que a sofisticada organização criminosa vai ganhar em São Paulo? Paraná? Rio? Minas? O PT deve ganhar em Sergipe... E olhe lá!
Os baianos, êta povinho preguiçoso, ainda vão ficar remanchando até agosto, setembro, aí a ficha cai e eles darão um pontapé na bunda desse governozinho fascista que fechou escolas públicas e não se sente responsável, por exemplo, por mais de 1700 pessoas assassinadas a tiros no ano passado, sendo 60 por cento menores de idade, pobres e pretos dos subúrbios. O governo de Todos Nós é uma fraude histórica, maior, muito maior que a Bahia do ACM meu amor, o Predador que considerava este Estado sua propriedade particular e instransferível.

sábado, 27 de março de 2010

Retrato do dia



Foto de Ernesto Rodrigues, no Estadão de ontem. Professores da rede estadual de São Paulo fazem manifetação de protesto. Os mestres queimaram apostilas que deveriam usar nas salas de aula. Como se vê no título em primeiro plano, os professores paulistas estão fazendo história.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A água não lava tudo

Chove na Bahia. São as águas de março e abril. A chuva enche o saco até fim de maio, início de junho. Quer dizer, enche o saco para uns, para outros é caos, tragédia, desespero.
A Bahia sempre foi um castelo de cartas, linda de ver, mas podendo desabar com um sopro ou uma enxurrada. De uns tempos para cá, com o governo do PT, o “governo para todos”, o governo que não para de trabalhar fazendo “o bem a todos”, a situação piorou muito. É decepcionante ver a propaganda governista na televisão, um insulto fascista ao povo desamparado e desinformado e desprotegido e explorado. Os ditos socialistas apenas passam uma demão no castelo de cartas, igual fazia o Grande Demônio Antonio Carlos Magalhães. E também cobram comissão da tinta.
O ensino público faliu em silêncio, agonizando sob a escandalosa omissão dos movimentos sindicais, as escolas de segundo grau estão simplesmente fechando. O ensino está privatizado, parece que se instituiu a máxima do presidente Lula de que pobre não precisa de ensino, qualquer torneiro-mecânico analfabeto e mau caráter pode ”chegar lá”. A saúde pública é um jogo de crueldade diária, há epidemia de dengue, centenas de casos de meningite, hepatite B e gripe. A segurança pública é caso para um tribunal de justiça internacional. Nunca mataram tantos jovens pobres, pretos e desempregados. Os adolescentes do subúrbio são considerados todos eles membros do crime organizado e são executados aos magotes, sem direito à defesa, à proteção do Estado ou mesmo a um mínimo de civilidade.
E vem mais chuva por aí.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Na ponta da língua

Manchete política dos portais agora à tarde:

Lula: Já escolhi a candidata, escolher vice é demais.

Manifestação espontânea e sincera de um velho democrata cansado de guerra.

Los hermanos enanos

Vez em quando os argentinos reinventam a discussão sobre quem joga mais futebol, nós ou eles, Maradona ou Pelé, e agora Messi ou Ronaldinho Gaúcho.
Na qualidade de professor de Deus, esclareço ao meu imenso público leitor que os estilos são bastante semelhantes, mas com sutis diferenças que determinam, de fato, que um joga mais que o outro. Os números não mentem jamais. Estatística, em esporte, é determinante, com exceção de Robinho, uma invenção midiática, que mal toca na bola, erra a grande maioria dos passes, faz um golzinho de mês em mês, mas é o primeiro a expor o sorriso galhofeiro na comemoração de um gol de seu time para ser saudado como um mito por narradores, repórteres e comentaristas comprometidos com grandes anunciantes. Uma fraude espetacular, mas é outro assunto. Falávamos dos anões malabaristas.
Nós jogamos mais porque somos mais objetivos. Simples assim. Os dois jogam para ganhar, claro, mas somos mais objetivos, chutamos mais a gol, eles adoram uma firulinha, uma tabelinha, até chegar à área pequena, à frente do gol, para então finalizar. Essa é a diferença.
O metro e 75 que limita o tamanho dos super-craques vale para os dois lados. Lá, Maradona, Ortiz, Díaz, Messi, com duas ou três exceções como Riquelme e Kémpez, por exemplo. Aqui, todos los grandes, Garrincha, Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson, Zico, Reinaldo, Romário, todos baixotes, todos geniais. Também com cinco ou seis exceções, Falcão, Sócrates, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Não, Kaká não conta. É fanático religioso, ou melhor, um picareta da fé, antes de ser jgador de futebol.
Os nossos números são mais expressivos (Copas do Mundo, melhores jogadores, maiores goleadores, etc.). Mesmo considerando o teto de metro e 75, somos mais altos. Eles ganham em ouros itens. Perón era mais populista do que Lula, embora Lula seja muito mais demagogo. A carne de gado deles é melhor, sem dúvida, mas nosso vinho é superior. Eles são melhores escritores, mas nossos cantores e pintores... E eles só ganham mesmo quando o caso é psicanálise. Agora, por exemplo, embora seja impossível, gostaria de saber a opinião de Emílio Rodrigué a respeito de salada que acabo de fazer neste post mutcho loco com frijoles, manzanas, tapa de quadril, palmito, aspargo, manga e caju. Muy hermosa.
Ah, sim. O melhor jogador do mundo é Ronaldinho. E é gaúcho, não gaucho.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Na terra do faz de conta

Acabou a greve de fome.
Ontem rolaram batatas cozidas. Almoçamos como se estivéssemos em Dresden, logo depois do bombardeio americano.
Os amigos apareceram. Dois. Um trouxe uma dúzia imaginária de ovos para tornar meu café mais protéico. Outro me apontou o caminho da luz. O terceiro mais assíduo, que ontem não veio, mandou dizer que não é inspetor de quarteirão a serviço do lulismo conforme escrevi aqui outro dia. Deve ter sido promovido a major do arraial.
Não posso mais jogar bola, os filhos estão longe, a mentira estrela o jornalismo Nacional.
Sinto-me um ganso solitário a grasnar contra bandoleiros invisíveis inatingíveis.
Tem nada mais ridículo.

sábado, 20 de março de 2010

Sorte do goleiro

Aconteceu o que todo mundo já sabia, o governador de São Paulo José Serra é candidato a Presidência da República.
A novidade, que nem é tão novidade assim, está na estratégia de campanha quanto ao discurso político. Serra se apresenta com credenciais de competência e experiência para dar continuidade ao legado econômico social da era Lula. Nada, nadica de nada, de combater o homem da popularidade imbatível. No máximo, um chega pra lá na candidata adversária, mas sem ofensas nem denúncias.
Mesmo diante da fabulosa fraude política do governo Lula, Serra abdica da oposição para ser alternativa de continuidade. O último candidato que eu vi ser cordial com adversário perdeu a eleição.
Lula se elegeu fantasiado de poeta revolucionário, com direito a barba e estrelinha vermelha. Hoje, a metamorfose usa o modelo da hora, azar é do goleiro.
Serra está pragmático antes da eleição.
Mal não comparando, é mais ou menos como ver Zico escalado para bater o pênalti.

Au-au



Tira de Laerte, hoje, na Ilustrada. A personagem é a cara do boxer aqui de casa, senador Fernando Gabeira. A postura diante do poder também é a mesma.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ninguém merece

O ministro da Defesa Nelson Jobim é o retrato pronto e acabado do PMDB.
O ministro anunciou que vai recomendar ao presidente Lula a compra dos caças franceses Rafale.
Como alguns palhaços ainda se lembram, este mesmo ministro disse semanas atrás que a Força Aérea preferia os caças suecos ou mesmo os norte-americanos, ou seja, menos os franceses. E ainda argumentou que os jatos franceses eram cerca de 10 vezes mais caros.
O presidente Lula disse apenas que a decisão seria dele, tratava-se de uma questão política e não técnica (notem que estamos falando de caças de guerra).
O ministro da Defesa disse que analisaria o problema e agora “decidiu”: o Brasil deve comprar os caças franceses.
Dizem que o presidente Lula, em agradecimento ao ministro condescendente, vai permitir que ele use uma nova e reluzente farda de general de quarteirão e que leia um pronunciamento de três minutos na cerimônia oficial do anúncio da compra dos aviões, pronunciamento este, claro, escrito pelos "redatores" políticos do Palácio do Planalto.
O ministro da Defesa é uma figura ridícula e caricata, como a grande maioria dos seus companheiros de partido.
O que ele faz ou diz serve apenas para isto: piada ruim.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Canivete giratório

Sinto-me um ingênuo babaca.
Estou em greve de fome, e hoje, por exemplo, tomei café sem ovo frito!
E acabo de notar que os amigos desapareceram.
Jamais imaginei que a guerra civil se daria entre nós mesmos e por causa de um maldito prato de comida, tipo self-service, com direito a água ou refresco de maracujá.
A pobreza material, seja ela qual for, é sempre menor que a pobreza espiritual.
Pior do que ter quase nada em cima da mesa na hora da refeição é acreditar que a economia está bombando e que as pessoas nunca estiveram tão felizes.
Eleição? Dança de cadeiras entre palhaços, oportunistas e ladrões.
A melhor maneira de se comprometer é cair fora.

Os normais

Os secretários de segurança dos principais Estados do País estão reunidos hoje aqui em Salvador. Estão à beira mar, sob a brisa fresca da Bahia, comendo e bebendo do bom e do melhor, nem têm tempo para reparar na violenta realidade dos subúrbios das grandes capitais.
Os governistas, principalmente os ligados ao PT, vivem no mundo perfeito da ilusão, repetem para si mesmos “a economia está bombando, a economia está bombando”, e fecham os olhos para os massacres diários do confronto entre a Polícia armada e os pobres, pretos e adolescentes que se debatem para sobreviver na realidade criminosa do abandono e da omissão.
Ontem mesmo, no centro histórico de Salvador, numa dessas galerias de lojinhas de badulaques e bijuterias para desvalidos, três jovens foram mortos a tiros pela Polícia Militar depois de uma tentativa frustrada de roubar aparelhos celulares. Nada foi roubado, nenhum polícia se feriu (nem de susto!), mas três jovens foram executados no meio da rua.
Será que os secretários vão discutir o caso? Não creio. Estes senhores pensam alto. Precisam organizar licitações para comprar armas, veículos, equipamentos, construir delegacias, presídios, e, claro, manter a política de extermínio que nunca jamais ninguém viu igual neste País.

O sorriso do larápio

Interessante esta história de que o Governo Federal está cerceando a liberdade de expressão, ou em palavras mais objetivas, censurando a Imprensa.
Não é bem assim.
O Governo não está censurando ninguém.
O Governo está comprando a opinião dos principais veículos de comunicação, sejam jornais, portais, blogs ou até mesmo jornalistas a granel.
Esta é a realidade, o resto é farsa.
Nunca na história desse País a mídia de comunicação trabalhou tanto para conduzir a repercussão dos fatos a favor do Governo, sejam estes quais forem.
O resultado pode ser visto nos índices de popularidade do presidente da República e seu Governo.
Hoje, na manchete do portal UOL, o maior da América Latina, aparece o senhor José Dirceu, ex-deputado cassado sob acusação de chefiar uma organização criminosa de corrupção política e membro da Executiva nacional do Partido dos Trabalhadores, afirmando, sem qualquer gancho jornalístico que justificasse a presença na manchete principal do dia, que “no Brasil a mídia não elege mais presidente da República”.
O que o senhor Dirceu queria dizer com isso?
Creio que ele queria apenas encobrir a corrupção desembestada pelo marketing político que serve os altos e sagrados interesses do lulismo que salvou o Brasil e agora vai salvar o mundo.
É mais ou menos como a gente ter de dar bom dia pro cara que está saindo do nosso galinheiro com algumas penosas debaixo do braço.
O pior de ser roubado é ouvir o riso do ladrão.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sinapses

A face branca do Word na tela do computador tem o mesmo recato da página pálida de susto que o poeta Mario Quintana contemplava em uma Olivetti enferrujada pelas maresias imaginárias do rio Guaíba, 100 anos atrás, atrás do tempo, deste mesmo tempo anunciado na claridade absoluta de um novo dia debruçado no mar da Bahia.
Pouco a fazer, não se pode nem fumar nos dias de hoje. Ainda não surgiu quem escreva alguma coisa minimamente interessante sem estar com um cigarro por perto.
Comer quindins, então, como o poeta fazia de garfo e faca, nem pensar.
Penso política e torço pelo constrangimento alheio. Jeito esquisito de exigir justiça.

Terra de bandoleiros

A greve de fome continua.
Pior. Foi intensificada.
Hoje vi naqueles recados do MSN uma frasezinha de meu amigo Amilton Coelho, mestre em Letras e em criação publicitária, purgando amargura, “se a dor eleva, estratosfera aqui vamos nós”. E recebi um e-mail-bomba de um veterano companheiro de lutas profissionais, hoje uma espécie de inspetor de quarteirão do lulismo no subúrbio norte de Salvador, “chega de baboseiras ideológicas, a economia está bombando”.
Baboseiras ideológicas. Economia bombando. A mesma economia que caiu de oitavo para nono no ranking mundial.
O assalto está consumado.
O chefe da quadrilha luta pela sucessão dele mesmo.
E temos que pagar consumação para continuar trabalhando.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alma bolivariana

Continuo em greve de fome.
Comi um pedaço de mamão e uma banana do quintal, e tomei café preto com bolacha creme cracker lambuzada de patê de fígado.
Quer dizer, greve de fome rigorosa.
Agoras, como diz a garotada, vamos caminhar um pouco nas cercanias de lugar nenhum.
Estou muito animado com a segunda-feira. Pode ser até que exista o resto da semana.
Salvo uma certa amargura natural do povo brasileiro, uma insistente névoa de tristeza no calorão à beira mar, sinto-me cada vez mais orgulhoso de viver no recém-pintado País das Maravilhas e de ser comandado pelo Grande Mestre Luis Lula da Silva.
Como podem ver, e como canta Sabina, a maneira de comprometer-me foi dar-me a la fuga.

domingo, 14 de março de 2010

Bandeirada de toalha

Minutos atrás, apesar de tossindo como uma vaca guerrilheira e arrotando como um boi dissimulado, assisti, aos pedaços, a primeira corrida de Fórmula 1 do ano.
O narrador Galvão Bueno estava em um dia de presidente da República, ou seja, não dava uma informação sequer sem embutir uma mentira. As novas regras do circo, pelo menos para quem assiste a isso deste o tempo da voz tresloucada de Luciano do Valle, transformaram a corrida em prova de resistência, com visível favorecimento aos motores Ferrari e Mercedes. Galvão falseou tanto a verdade que chegou a dar a bandeirada da vitória para Fernando Alonso uma volta antes. Ao perceber, meio minuto depois, que havia cometido um erro fundamental em uma transmissão ao vivo, disse que tinha se “precipitado”. De bom mesmo, apenas Felipe Massa provando que não perdeu o meio segundo que todos perdem depois de um acidente grave como o dele.
Daqui a pouco tem Luciano do Valle transmitindo também uma corrida de fórmula, mas com carros de tecnologia superada em uma pista tipo maquete gigante de concreto armado e guiados por pilotos do segundo quadro, como diria meu pai. Os carros andam aos pulos na reta. Vai ser divertido. Tomara que ninguém se machuque.

Com a mão na massa

Estou em greve de fome.
Parcial.
Não vou comer filé nem tomar vinho nem saborear um petit gateau, no almoço solitário deste domingo.
Vou de macarrão com sardinha, água de poço e uma manga do quintal.
Não, não é cinismo, ou desrespeito com legítimo recurso de qualquer prisioneiro de Estado.
Sou prisioneiro de mim mesmo, protesto contra minha própria incompetência para resisitir a uma ditadura de ignorâncias.
Nada de política, só questão de grana, ou melhor, de falta de grana.
Cínico é o presidente da República.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um boi e a boiada

O ator Rogério Cardoso que me perdoe lá do céu por citar seu inocente bordão, mas nunca neste país um cidadão rolou tanto o lero quanto o atual presidente da República.
O cara é um humorista nato, domina como ninguém a arte de digressão do pensamento usando exclusivamente ditados populares e filosofias de almanaque. Ele emenda um ditado no outro como se estivesse alinhavando bom senso em princípios éticos e morais aos risos e grunhidos.
Ele diz, por exemplo, que continuará visitando obras porque “o olho do dono é que engorda a boiada”. Essa frase é típica de coronéis fazendeiros e de comerciantes gananciosos, gente que vive para o enriquecimento a qualquer preço. Soa até meio estranho na boca de um homem que diz governar para os mais necessitados.
O pior desta expressão infeliz, entretanto, é o fato de o presidente se colocar na posição de dono da boiada. Ele se referia a uma obra federal de infra-estrutura, quer dizer, obrigação administrativa do Governo Federal, e não alguma propriedade particular dele. Ele não é o dono do Brasil, como seu desvario político imagina. E devia ter um mínimo de decência para não insinuar um despautério dessa magnitude, afinal é um presidente eleito, devia respeitar seus eleitores e principalmente a Nação que suporta este governo de tantas controvérsias morais e éticas. Mas seu coraçãozinho de galinha sindicalista parece que comanda a língua desaforada e mentirosa sem se importar com quem quer que seja.
Por causa disso, e em homenagem à falecida Escolinha do Professor Raimundo, estou bolando um quadro para programa eleitoral gratuito, misturando tendências gaúchas e baianas, com enredo Deu Pra Ti, Excelência, Vá Mamar Noutro Lugar...

Kabuki no chão

O movimento retórico dos altos senhores que servem o governo Lula para minimizar o choque internacional provocado pelas declarações do presidente sobre os dissidentes cubanos transpassa a lógica como uma faca corta um pedaço de manteiga. As besteiras se sucedem, ninguém consegue justificar o óbvio, o presidente brasileiro apóia ditaduras de esquerda em detrimento de direitos humanos básicos. Ponto.
Na real da real, o presidente parece não saber do que está falando exatamente. Seus argumentos são uma espécie de poeira filosófica de um improvável almanaque de mitos e farsas do mundo moderno.
A quadrilha cisca, cisca, cacareja, cacareja e diz nada. Não há quem consiga dar um nó para manter a máscara de liberal progressista de esquerda na cara-de-pau do velho sindicalista reacionário. Como se sabe desde o tempo do guaraná de rolha, ninguém consegue enganar a todos o tempo todo.

Perdemos

O cartunista Glauco e seu filho mais velho foram assassinados a tiros ontem à noite em Osasco. Os dois foram mortos em casa por uma dupla de assaltantes.
O cartunista deixa órfãos Dona Marta, Doy Jorge, Geraldão e outros dois filhos de verdade.
A Folha de S. Paulo de hoje ainda publica a tira diária de Glauco.
Eu, que já não tenho mínimo motivo para sorrir no dia-a-dia deste sanatório, homenageio o veterano trombadinha dos quadrinhos com este post póstumo e me solidarizo com sua família e as de todas as vítimas da violência urbana que cobre o País das Maravilhas, da Demagogia e da Ignorância.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Para todos

O fim do amor é tema da vez para poetas mundo afora.
Estava a pouco ouvindo Joaquín Sabina se queixar das muitas mulheres que teve quando me ocorreu uma frase definitiva sobre este velho e desgastado exercício de duas pessoas viverem juntas.
Parece um verso à espera de uma canção. Bom para os antigos diários de normalistas ou mesmo para brilhar no prato de porcelana na parede da cozinha.
Eis:
- O pior do amor quando termina é que não acaba.

Bom Dia, Babaca

Como diz a minha mãe, tem coisas que até Deus duvida.
O crescimento do Brasil em 2009 foi zero.
É. Zero.
Pois às sete e meia da manhã, no Bom Dia Brasil, a jornalista e filósofa contemporânea Miriam Leitão começou gaguejando, afinal a missão não era nada fácil, mas conseguiu provar ao querido público matinal, o povo que gira a roda, os que acordam cedo para trabalhar, que o ZERO no Produto Interno Bruto nacional é positivo.
O PIB sob Lula é positivo, claro, não poderia deixar de ser. E para provar a lorota descabida, a senhora jornalista dos cabelos desgrenhados chegou a se valer de um quadro estatístico dos números do Brasil frente ao mundo. Isso mesmo. Ao mundo, incluindo Serra Leoa, Etiópia, Somália, Afeganistão, Laos, Camboja, Belize e outras potências internacionais. O ZERO do Brasil, claro, nestes termos, é goleada.
A senhora crítica de economia da Globo, tida como inimiga dos governistas por alguns idiotas avermelhados, fechou seu “comentário” afirmando que o Brasil precisa de crescimento continuado, o que quer dizer isso mesmo que o senhor pensou.
Com oposição desse quilate, o presidente da República nem precisar latir mentiras como está fazendo todo santo dia. É só deixar na mão da mídia golpista e reacionária.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Prato do dia

O ex-presidente Fernando Henrique não se emenda, como se poderia dizer das cabeças roladas pela guilhotina da liberdade, fraternidade e igualdade.
O sociólogo palestrou ontem em São Paulo em troca de alguns trocados e com certeza reavivou as suspeitas de que votou em Lula, em 2002. Dona Ruth Cardoso, como todo mundo sabe, votou no cara da estrela vermelha, ela achava que era hora do avanço das conquistas sociais.
O resultado do diz-que-diz progressista é que Lula enfrentou uma eleição sem oposição direta, no plano das idéias, o máximo que aconteceu foi uma suposta atriz popular dizer na tevê que estava com medo. No segundo tempo, o máximo que a oposição fez foi apresentar um candidato que representava o neto bem comportado de uma senhora de Pindamonhangaba. Mesmo assim, foi para o segundo trno e perdeu por seis pontos de diferença. Enquanto isso, a cabeça de Fernando Henrique rolou por todo País como se fosse o maior inimigo público da Nação. Foi o jeitinho Lula de agradecer ao sociólogo vacilão.
O texto de Fernando Henrique está nesta matéria da Folha de hoje, mas não deve ter sido compreendido pelo Dragão da Bondade. O mais interessante da matéria é a afirmação de que “o baixo clero dominou de tal maneira que hoje não há mais alto clero”. E daí?
Ou a oposição fala sério ou Lula continuará comendo intelectuais e atrizes medrosas no jantar.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1003201006.htm

Sai de baixo

O presidente Lula voltou a falar sobre presos políticos em Cuba.
Devia ter ficado calado, lógico. Ele não consegue uma expressão clara sobre a evidente contradição entre a importância do regime cubano para o equilíbrio político na América Latina e a absoluta falta de direitos humanos na ilha de Fidel. Lula não sabe porque apóia Castro.
Então, por que não se cala?
A resposta deve estar nos boletins de pesquisas sobre as próximas eleições presidenciais. Boletins de verdade, claro, não estes arremedos dirigidos da Sensus e Vox Populi. Os números devem estar provocando este desarranjo demagógico de frases idiotas que se viu nos últimos dias.
Lula foi eleito trajando uma vistosa fantasia de esquerdista e, por suposto, quer ver sua favorita reluzindo os trapos vermelhos do autoritarismo, mais atraente à juventude.
Na realidade da vida política nacional, a dupla tem pouca chance eleitoral, salvo, claro, se apostar na farsa para iludir o eleitorado mais uma vez. A economia está bombando. É a melhor hora para repetir o golpe de esquerda.
Deus nos livre dessas marolinhas de ignorânica.

terça-feira, 9 de março de 2010

Nas asas da mentira

Informação interessante do jornal O Globo de hoje, ao desmentir, mais uma vez, os números maquiados da economia lulista.
- O Governo Geisel investiu mais do que o Governo Lula.
Lula tem dito, e feito propaganda disso, que o governo dele é quem mais investiu no País. Não é verdade. Os números oficiais mostram que os investimentos oficiais, sob Lula, foram três vezes menores do que no Brasil comandado pelo general Geisel.
Vergonha em dose dupla para nossa cara de esquerdista.

O dragão da bondade




A campanha eleitoral para a Presidência da República ainda nem começou, segundo a ótica transversa e obnubilada do TSE, mas a farra dos candidatos está a pleno vapor.
De acordo com a manchete da Folha de hoje, os principais candidatos, Serra e Dilma, estão em campo a inaugurar obras inacabadas ou até obras dos outros. Vale tudo em busca de visibilidade na Imprensa.
Lula, o dissimulado, se mantém a mil por hora, conforme se viu ontem, na favela da Rocinha, com arco e flecha nas mãos a 50 centímetros do alvo enorme, sob olhar carinhoso e admirado do governador carioca, como se este estivesse vendo o próprio Robin Hood em ação, em cena de humor pastelão. Seria de rir não fosse uma simples palhaçada de dois dos maiores canastrões da política nacional.
Mas a foto de hoje na capa da Folha é muito interessante.
Um filósofo contemporâneo diria que o jogo é jogado e o lambari é pescado.

Pode-se dizer tudo do presidente fanfarrão, menos que ele não sabe desfrutar de seus poderes sobrenaturais diante das câmeras da tevê ou de quem quer que seja. Lula, mais do que nunca neste país, não quer nem saber, diz e faz o que pensa e quer.
A nós, o querido ouvinte do interior, resta espernear –ou admirar o sacripanta descarado.

Repare na expressão me-leva-que-eu-vou da moça abraçada.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Na contramão

Manchete da Folha de S. Paulo de hoje:
Filiais no Brasil seguram os resultados das múltis.
O Brasil já é o segundo maior consumidor para Unilever e Nestlé e a filial brasileira da Fiat já é maior que a matriz italiana.
O atual presidente foi eleito para enquadrar as multinacionais que sempre exploraram mão-de-obra e riquezas nacionais às mãos cheias. Não fez nada neste sentido, ao contrário, fortaleceu a política econômica neoliberal e enriqueceu ainda mais seu grupo político e os investidores estrangeiros.
O Brasil cresce para enriquecer velhos e novos exploradores da força de trabalho dos brasileiros.
E o senhor aí, se não for ligado à cadeia (!!) progressiva do PT, claro, o senhor ganhou alguma coisa com seu trabalho, além do soldo de sempre?
Eu não. Para mim, na verdade, cada dia sai pior. Ando a bater de frente com locomotivas desembestadas.

Geminiano

Ignorante como o presidente Lula, raciocino no mesmo estilo truculento.
O problema de escrever contra o PT é que os leitores pensam que estamos a favor do PSDB ou de coisa pior, como o DEM.
Esclareço que não voto em Serra nem para evitar a eleição de Dilma.
Não voto em Ciro nem para garantir a mulher mais bonita do Brasil como Primeira-Dama.
Não voto em Marina porque ela anda elogiando militares e citando a Bíblia, esta espécie de manual de instruções para o bom comportamento de ovelhas.
Não tenho em quem votar desde que Brizola morreu. Assim como não tenho a quem ler, ouvir ou ver desde que o Brasil se transformou no País das Maravilhas, maravilhas para eles, claro, os usurpadores da Nação.
Enquanto minha morte não vem, vivo de brigar contra o rei.
Parece coisa de escorpião, mas não.
É só puro instinto.

Alô, alô, tem alguém aí?

Não dá mais para segurar.
A política no Brasil virou uma questão de defender o País, a terra, as instituições, o povo.
Ninguém tem mais o direito de ficar calado ou, do outro lado, defender apenas sua tribo. Quem sabe ler e escrever tem obrigação de expulsar da vida pública esta quadrilha de ladrões que se instalou no Palácio do Planalto.
Nunca na história deste País um grupo político partidário roubou tanto quanto o Partido dos Trabalhadores.
O caso do Bancoop vai além da imaginação.
O PT ROUBOU OS PRÓPRIOS TRABALHADORES.
Já não se trata mais apenas de um governo que pratica a excelência da ignorância, agora é caso de Polícia.
O PT INVENTOU O ESTELIONATO COM REQUINTE DE CRUELDADE.
Os depoimentos das pessoas, famílias inteiras que foram roubadas pelo PT, são estarrecedores.
E o presidente da República? O dinheiro roubado dos trabalhadores foi para os cofres do PT, para a campanha de Lula. O que ele vai dizer? Que não sabia de nada? Que não é com ele?
O homem acusado pela Polícia Federal de comandar o cruel estelionato em São Paulo assumiu, foi eleito por seus comparsas, o cargo de tesoureiro nacional do PT.
E o que vão dizer os petistas? Ainda vale tudo para chegar ao poder?
Como pode ex-guerrilheiros, ex-operários, ex-intelectuais apoiarem um cidadão que varreu para debaixo do tapete a luta por Educação, Saúde e Segurança em favor da bandeira do desenvolvimento econômico, que serve, isto sim, para enriquecer ainda mais as grandes construtoras e encher os bolsos dos comissários petistas. Será que todos aspiram a se transformar em uma casta política, em inspetores de quarteirão bem vestidos, embriagados de rum e charuto cubano, a divulgar números mentirosos de estatísticas oficiais como se ninguém estivesse vendo a absurda realidade nacional?
SERÁ QUE TODOS PERDERAM A VERGONHA NA CARA?
Os nomes dos ladrões estão todos escritos nas páginas da Imprensa que não foi comprada pelo marketing pragmático da quadrilha vermelha. Só não vê quem não quer ou é cego.
A candidata do presidente, chamada por ele mesmo de Dilminha, uma autodenominada ex-guerrilheira que defende com unhas, dentes e máscara a execução de grandes obras públicas e não diz uma palavra sobre a redistribuição da renda (Bolsa Família é esmola eleitoral!), encontrou logo a solução diante desse último escândalo com a quadrilha: vai ter um tesoureiro próprio! É uma gracinha a Dilminha.
Lula é omisso (Mensalão, Bancoop, Sarney), covarde (Cuba, Venezuela, Irã) e traidor (todas as bandeiras de consciência que o levaram ao poder).
E todos os que apóiam este safado não passam de canalhas oportunistas, gente cujo único talento é enganar o povo.

Pronto, agora. com o coração aos pedaços, vamos tratar da segunda-feira.

domingo, 7 de março de 2010

Globalização

A lógica de sobrevivência política petista chegou enfim, quem diria, ao Vaticano. Não que esta pérola do moderno pensamento pragmático seja qualquer novidade na fortaleza religiosa romana, mas não deixa de soar bastante familiar aos nossos ouvidos a resposta do irmão do Papa às indagações dramáticas de abuso sexual no coro infantil que ele dirigiu por mais de 30 anos:
“Não vi nada. Não sei de nada a respeito. Nunca ouvi nada sobre isso. (...) Trata-se de outra geração, diferente da dos meus anos”.
A conversa é quase a mesma, da camiseta com a estrela vermelha ao pala dourado eclesiástico. Com um detalhe de diferença, suponho. A palavra anos, no Brasil, soa com u e não o, o que, afinal, dá sentido à resposta do bispo Ratzinger.

sábado, 6 de março de 2010

Poesia dissonante

Já não se fazem mais sambas como antigamente, ou até os anos 80, só para tentar ser exato. No meu computador, onde se ouve música hoje em dia, só toca Joaquín Sabina (in direto), Piazzola, Dylan, Pavarotti, uma ou outra banda de rock e olhe lá. Brasileiros, tudo de Elis/Milton/Brant, uma ou outra saudade, e muito Gil, demais até, a se considerar o ministro que foi. Não, não esqueci de Chico. Desisti de Chico, isto sim, depois que se fantasiou de escritor e passou a freqüentar feiras de livro com crachá de romancista.
Mas o jornalista, poeta e compositor Paulo D’Ántão me perguntou por e-mail se eu conhecia Não Tenho Medo da Morte, de Gil, e teve a gentileza de enviar um link. Cliquei, procurei, li a letra e ouvi a música. Não sei direito, acho que ando de má vontade com o negrão... Mas gostei do site do ex-ministro. Tem-se acesso à fantástica obra do maior músico baiano pós Dorival Caymmi, esquecendo de João Gilberto e Caetano Veloso de propósito, claro, só de sacanagem com os vanguardinhas de antanho, mas foi bisbilhotando no índice alfabético das músicas que cheguei justo a homenagem do discípulo ao mestre, Buda Nagô, com direito a Nana Caymmi num contralto de fazer sorrir. Valeu o dia.
E aproveito para devolver a Paulo e a quem se interessar um link pro grande poeta espanhol, mais ou menos no décimo quinto andar em relação ao sobradinho da MPB, capaz de cantarolar versos como “nada de adiós muchachos, durmo nos enterros da minha geração, toda noite me invento, like a Rolling Stones”. Ou “morrer não é tão grave, agonizo em voz baixa por cortesia”.
Ou ainda "roubei a garrafa de rum de um mendigo moribundo, eu queria escrever a canção mais bonita do mundo".
Esta aí embaixo não fala de morte, fala de trajetória de vida –“com 60, que importa o corte do meu Calvin Klein?” A letra está à direita, em “mais informações”.


http://www.youtube.com/watch?v=q7-I0o8LMsE

Coisa de criança

UOL, maior portal de notícias da Web latino-americana, está neste momento, 9h50min, com noticiário velho nos Esportes. São fatos do fim-de-semana passado. Tudo bem, deve ser resultado de alguma besteira do editor ou diagramador, sei lá. Mais abaixo, entretanto, há uma chamada com direito a foto ordenando ou ameaçando, não sei, ouvir a música e ler a letra do novo “sucesso” do cantor Daniel. Por quê? Mais abaixo ainda, há outra ordem ou ameaça, não sei, dizendo pra ouvir os grandes hits de Britney Spears desde seu primeiro álbum. Putaquepariu!

Apocalíptico


Angeli angelical, na Ilustrada de hoje. A legião de anjos do Senhor recolhe alguns trocadinhos em montes de gente exterminada.

Canalhice

O grande cartunista Ziraldo publicou hoje em seu blog um desenho que supõe a evolução de Mônica, a genial criação de Maurício de Souza, para uma caricatura de Dilma Roussef.
A questão ética profissional deve ser rebatida, lógico, por Maurício em processo judicial.
A questão ética política é problema nosso.
Eu sugiro, humildemente, que o grande cartunista vá direto ao ponto e coloque o número de sua conta bancária no blog, para que os petistas e o governo possam agradecer, bem ao seu estilo deles, os bons serviços prestados à causa do autoritarismo e da usurpação nacional.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Incoerências

O Jornal Nacional acabou a pouco, mais um espetáculo de esconde-esconde informação política relevante e de incentivo a pequenos fatos esportivos ou de entretenimento. Até a moça do tempo disse bobagem. Está chovendo em Salvador e não fazendo sol, como ela anunciou.
Não se ouviu nenhuma palavra sobre dois fatos de primeira página, como se dizia no tempo em que havia jornalismo no País, isso no interregno entre o autoritarismo dos militares e o do Lula.
O primeiro fato: o Ministério Público pediu o bloqueio das contas bancárias da atriz global Débora Secco, envolvida em esquema de desvio de verbas públicas. William Bonner preferiu gastar a cara-de-pau em sorrisos e trejeitos ao final de materinhas açucaradas e mais uma vez sonegou a informação, para felicidade do casal Garotinho, principal alvo da mesma acusação.
O segundo fato é bem mais sério. O jornal O Globo deu de manchete ontem, e O Globo não é jornal de apostar em notícia não confirmada, ainda mais em manchete de primeira página, que o presidente Lula vai se licenciar para fazer a campanha de Dilma. A notícia dizia ainda que o senador José Sarney assumiria o cargo, mas já estamos falando de porcaria demais, deixamos de lado este senhor, e fiquemos apenas com a primeira parte da manchete.
A questão tem outros desdobramentos mais interessantes. Esta mesma informação, em tom de expectativa e não de fato, foi divulgada pelo próprio presidente Lula dias atrás. Hoje, depois que a manchete do Globo virou um rastilho de nitrogliocerina, o presidente Lula resolveu desdizer a si mesmo. Chegou a afirmar que seria uma coisa descabida, irresponsável. Ele confessou, em outras palavras, que é um homem capaz de imaginar –e falar– coisas descabidas e irresponsáveis. Só isso já seria motivo para o senhor âncora do Jornal Nacional botar o caso alguns segundinhos no ar. Não precisava nem dizer que os profissionais de política no País, de candidatos a marqueteiros, todos consideram que um pedido de licença nesses termos é o mesmo que o reconhecimento da derrota evidente nas urnas.
Bonner não é um piadista. É um profissional sério. E para não dizerem que não falou de política, o Jornal Nacional deu mais umas pauladas em Arruda, ou chutou cachorro morto, como se dizia no tempo em que... blábláblá.

O careca da vez

Impressionante o inferno astral do DEM.
Mas seus filiados merecem, sem dúvida.
O senador mais visível do partido, o líder, o senhor Agripino Maia, não transmite um gramo de confiabilidade nem muito menos de credibilidade com os cabelos pintados de ferrugem dourada e a voz enjoada de personagem de Walt Disney. Impossível acreditar até num simples “bom dia” dito por este sujeito.
O Arruda... Bem, o Arruda é só um ladrão. Ou melhor, um homem forjado à maracutaia desde o tempo em que era do PSDB.
Agora, talvez o único texto legível do partido, o senador Demóstenes Torres acaba de pisar no tomate, sapatear e ainda jogar uma banana para o público. Demóstenes, ungido certamente por uma ideologia incubada no fundo da alma, para não citar lugar mais profundo e escuro da anatomia humana, acusa os negros pela escravidão. E chega ao cúmulo de afirmar que a miscigenação entre os fazendeiros brancos e as escravas negras se deu de forma consensual.
Não sei se são os ares sufocantes baianos, mas não posso deixar de escrever que este cidadão deveria passar pelo menos um fim-de-semana preso em qualquer presídio nacional, para entender, na ponta da língua e naquele já citado local profundo e escuro, como se deu realmente a miscigenação no tempo do Brasil colônia.

Sorria...

“A Bahia é o melhor lugar”.
Esta frase digna das patéticas campanhas de publicidade do Governo estadual foi dita ontem à noite, no programa Conexão Repórter, do SBT, por uma agenciadora de crianças para adoção ou, na realidade dos fatos, por uma traficante de crianças. A vendedora de gente indefesa explicava ao repórter Roberto Cabrini onde costuma negociar com mais facilidade.
Pouco antes, no noticiário local da Globo, às sete da noite, três casos de brigas de adolescentes armados de revólveres e facas dentro de escolas públicas em Salvador.
Em Vitória da Conquista, a 500 quilômetros da capital, seguem as investigações e exumações de corpos de adolescentes executados a tiros. Foram 16 jovens assassinados em represália pela morte de um PM. Dezesseis por um é a receita macabra da Polícia Militar da Bahia.
O governador? Está em campanha pela reeleição, líder absoluto das pesquisas de opinião segundo ele mesmo. Hoje estará em Juazeiro, na recepção ao presidente Lula, na cerimônia oficial eleitoral da inauguração de coisas que equivalem a um ninho de bem-te-vi e um cupinzeiro ecológico, obras fundamentais para os índices de desenvolvimento humano do sofrido povo baiano, no maior curral eleitoral do PT no País.
“...Você está na Bahia” completa o título acima.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Censura e auto-censura

O ataque lento e gradual do Governo Federal à liberdade de expressão começa a expor situações inusitadas, surpreendentes e até meio ridículas. Mas não poderia ser diferente quando se trata de tentar “corrigir” manifestações artísticas ou críticas jornalísticas. A Rede Globo, como também não poderia deixar de ser, está envolvida até a raiz dos cabelos.
Só hoje, dois casos ganharam destaque nos portais e telejornais.
Primeiro, o humorista Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, denunciou que os redatores do programa têm sido pressionados por vozes governistas a não satirizar atos da Presidência da República, com frases do tipo “o presidente não está gostando, Dona Marisa não está gostando”. Quer dizer, não chega a ser uma agressão, parece mais com empurrões de gente truculenta, no pior estilo da política sindical, mas não deixa de ser claro cerceamento à criação.
Segundo, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o ex-governador e a ex-governadora Garotinho e mais 86 pessoas por desvio de verbas públicas. A atriz Débora Secco, do primeiro time global, está entre os denunciados, mas não foi sequer citada na “reportagem” que o Jornal Nacional levou a pouco ao ar. A Horta do Noblat, o blog mais lido do País, já publicou dois textos e também teve o “cuidado” de suprimir o nome da artista, colega do plantador de notícias na folha de pagamento da empresa.
Neste segundo caso, o Governo não tem nada a ver. É pura auto-censura da Globo.

Atiradores de elite

Março, quem diria?
Começam a montar-se equipes de comunicação para atuar na próxima campanha eleitoral. Pistoleiro de aluguel, ou redator de marketing político, geralmente não quer nem saber o nome da vítima nem o agrupamento partidário, afinal vítima é vítima, são todas iguais, e essa é a parte divertida do trabalho. Volto, pois, ao mural, a quem interessar possa.
Tenho vivido aturdido os últimos meses, sem saber direito se sou volante ou meia armador no time da vez. O tempo passa por mim como passam ondas de tsunami nas aldeias à beira mar. Hoje prestei atenção na data porque notei que há um novo seguidor neste blog meio clandestino. São cinco. Um internauta maluco que não conheço, uma irmã, uma sobrinha, um amigo, e agora uma mestra em jornalismo. Além desses, há uma dúzia de leitores fiéis, todos profisionais de comunicação ligadíssimos na tal realidade política nacional.
O que tem uma coisa a ver com a outra? Tudo. Alguns dos principais marqueteiros do País, Barros, Einhardt, Alves, Zé Luís, creio eu, zapeiam a vitrine da Web vez em quando para descobrir por onde andam as consciências volúveis, capazes e independentes que compõem seus comandos de caça em campanha eleitoral. Sempre estive com um ou outro, agora cá estou outra vez para ver quem saca mais rápido.
Entonces, o que quero dizer aos mestres do bom senso neste post chove-não-molha é que aqui nesta página, por trás deste fraseado político radical, hiberna uma equipe completa, acostumada e interessada em jogar no ataque. Uma equipe que tem dezenas de marcas no cabo do fuzil e já aprendeu na carne que jogar na defesa, em diálogo civilizado e cortês, é caminho certo para levar tiro nas costas.

Sem tirar nem pôr


Tira de Laerte, hoje, na Ilustrada. Livre pensar é só pensar.

Matinal...

Talvez não haja nada pior, para um palhaço alfabetizado, como eu, do que acordar, ligar a tevê para ver o noticiário e se deparar com o presidente da República, com cara de cínico apavorado, falando besteiras primárias sobre relações políticas internacionais.
Em uma única frase indireta, repleta de digressões e insinuações, e absolutamente inconclusa, Lula se escondeu na Constituição brasileira, que não tem nada a ver com isso, para justificar um posicionamento diplomático dúbio, incerto, sobre um governo fundamentalista do qual o mundo ocidental não sabe quais são as reais intenções do anunciado programa de desenvolvimento nuclear.
Dá vontade de tirar o colarinho voltar para a cama. Ou escrever logo um post raivoso.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Censura livre

Há algum tempo o presidente Lula está tangendo o País no rumo de uma ditadura.
A censura à Imprensa já é uma realidade, apesar do silêncio da própria Imprensa, cada vez mais dependente das polpudas verbas publicitárias do governo. Um dos maiores jornais diários da história do jornalismo na América Latina, O Estado de S. Paulo, está sob censura oficial a mais de 200 dias por conta de um dos maiores criminosos políticos da história do Brasil. Agora, outro ícone da Imprensa nacional, o jornalista Alberto Dines foi censurado e demitido do portal IG por ter escrito um artigo de opinião sobre a inexplicável e ininteligível posição do presidente Lula quanto aos direitos humanos na ilha de Cuba.
Publico o artigo de Dines como mínimo movimento de resistência ao autoritarismo e em defesa da liberdade de expressão. O Brasil é muito grande para ser dominado por fascistas ignorantes.

O azar dos sortudos

Alberto Dines

Tem fama de afortunado, ditoso ou, como diz o povo, empelicado. Mas nem tudo foram flores quando Lula enveredou pela política: perdeu três pleitos presidenciais sucessivos e já começava a ficar com fama de perdedor quando os ventos mudaram e embora não fosse surfista enganchou-se nas ondas certas.
Nestes últimos oito anos, inspirado pelos astros ou pelo bom senso, Lula acionou corretamente todos os botões mesmo quando os companheiros cometiam as barbaridades do mensalão e do dossiê Vedoin. Animado pela infalibilidade cometeu há um ano monumental asneira ao escolher José Sarney para presidir o Senado. Ainda não pagou por ela mas não está longe o dia em que será julgado pela complacência na desmoralização do Legislativo e na proteção a um dos coronéis mais corruptos da história do Nordeste.
A viagem ao México e Caribe prometia ser um cruzeiro de férias: em Cancun, na Cúpula das Américas, deveria envergar a confortável guayabera presenteada pelo anfitrião Filipe Calderon aos participantes homens (excluídas as mulheres) e participar de mais um bloco continental, não-carnavalesco, a “OEA do B”, sem a participação dos EUA e Canadá.
Em Cuba encontraria Fidel Castro, em franca recuperação, e talvez incentivasse as negociações recém iniciadas com os EUA cumprindo o seu papel de contrapeso à insanidade de Chávez. Não foi avisado ou não deu importância à informação de que o dissidente cubano, Orlando Zapata, em greve de fome há 85 dias, fora internado em estado grave uma semana antes num hospital de Havana.
Como a Parca não distingue sortudos dos azarados, o anúncio da morte de Zapata correu o mundo justamente quando o avião da Força Aérea Brasileira aterrava em Havana e Lula, feliz da vida, preparava-se para abraçar os irmãos Castro. Boas estrelas são volúveis, a sorte é movediça, pior ainda: imprevisível.
O presidente Lula atrapalhou-se ao explicar por que não atendera ao pedido dos dissidentes cubanos para interceder em favor de Zapata e cometeu uma barbaridade ao desqualificar o sacrifício do militante oposicionista. Ignorou ostensivamente a heróica jornada do Mahatma Gandhi que dobrou o invencível império britânico graças às greves de fome.
Desprezar a imolação e depreciar o martírio é uma forma de compactuar com aqueles que não permitem outra alternativa senão a imolação e o martírio. Invocando princípios religiosos Lula foi anti-religioso, ao buscar a racionalidade associou-se aos irracionais que relativizam as liberdades para defender o arbítrio. Não contente, em entrevista aos jornalistas cubanos, fez um apelo à ousadia de Obama para acabar com o embargo econômico dos EUA a Cuba.
Este embargo ianque é estúpido, desumano, imoral e inútil, Obama está empenhado em suspendê-lo, mas considerá-lo como único responsável pela ditadura cubana – como fizera na véspera seu homólogo, Raúl Castro – é um raciocínio primário à altura do intelecto de Hugo Chávez.
Atarantada por suas próprias mazelas, a imprensa internacional não deixou sem comentários o simplismo do nosso presidente. O prestigioso diário espanhol El País, o mais importante do mundo ibero-americano, lamentou a oportunidade perdida pelo dirigente brasileiro para forçar o regime cubano a respeitar os direitos humanos.
“O silêncio de Lula diante de uma ditadura como a castrista macula o que ele representa para a América Latina e à medida em que o Brasil se fortalece como potencia emergente, para o resto do mundo.” Não se trata de uma opinião pessoal do correspondente no Brasil, Juan Árias – geralmente cordato – mas da opinião institucional de um grande jornal que recentemente ofereceu a Lula um honroso galardão.
Negociar com todas as partes em conflito é a principal ferramenta da diplomacia, mas a confiança dos interlocutores não pode ser conquistada à custa do sacrifício de valores universais. Remember Munique: as concessões pragmáticas de Chamberlain e Deladier, ao invés de aplacar Hitler, só aumentaram a sua ferocidade.
A sorte é imponderável, inexplicável, mas consta que sortudos têm boa memória.

Essssportiva

Pouca gente notou, mas a seleção brasileira foi derrotada ontem em jogo amistoso na Inglaterra.
Perdeu de goleada. A Irlanda não está no mapa do futebol profissional no mundo. O Brasil é a seleção de futebol mais vencedora de toda a história do futebol. Dois a zero contra ninguém é igual a nada.
Robinho jogou mal o tempo todo, errou passes primários, não tem ritmo de jogo e não marca nem a própria sombra. É só fingimento, do princípio ao fim, em busca de uma câmera de tevê para abrir o sorriso marqueteiro. No primeiro gol, estava impedido e teve auxílio involuntário de um zagueiro irlandês. No segundo, entre dois toques geniais de Kaká e Grafite, sinceramente, até minha mãe chutaria aquela bola no cantinho. A sanha da mídia por heróis de ocasião (fica mais fácil vender jornal com ações esportivas épicas e sobre-humanas) coloca Robinho em todas as primeiras páginas do mundo esportivo.
Mesmo assim, não creio que a obtusidade mental de Dunga prevaleça contra a realidade dos fatos. O Brasil estará sim com seus melhores jogadores na Copa. Se vamos ganhar ou não, parodiando Parreira, é só um detalhe. O Brasil não tem obrigação de vencer. Já venceu a todos. O Brasil tem que ensinar o mundo a jogar futebol. Essa sim é nossa agradável missão na Copa. Missão que Dunga parece não ter humor suficiente para entender. E praticar.

Três por quatro

O telejornal Bom Dia, Brasil, da rede Globo, acaba de mostrar uma escola pública no Maranhão, ou o que a reportagem chamou de escola. O comentarista Alexandre Garcia, mais de 40 anos de jornalismo e 30 de convivência diária com a política em Brasília, disse que esse é mais um caso de lesa-Pátria no Estado do Maranhão.
Esqueceu de dizer, e nem os apresentadores Renato e Renata ressalvaram, que o Estado do Maranhão é propriedade de José Sarney, presidente do Senado Federal e membro da Academia Brasileira de Letras. Aquele mesmo Sarney que já foi presidente da República sem ter sido eleito para isso e que foi chamado de ladrão pelo atual presidente da República, mas que se mantém na crista da vida pública nacional por obra de um suposto acordo de governabilidade com este mesmíssimo presidente.
Este é um pequeno retrato do verdadeiro legado da era Lula. O fim da educação pública e a prevalência de obras públicas fantasiadas de faraônicas e sem mínimo suporte de infra-estrutura. Lula governa para banqueiros e construtoras, e compactua com figuras como o senhor José Sarney, um político que deveria, isto sim, estar internado em um manicômio judiciário.

terça-feira, 2 de março de 2010

Amigos do Leão

Mais de 120 mil contribuintes entregaram a declaração do Imposto de Renda no primeiro dia!
O Governo Federal bem que poderia distribuir a medalha Cuzinho de Ferro a cada uma destas almas ansiosas.

Isto é um crime

Tem uma propaganda no ar do Banco do Brasil com uma criança de sete, oito anos de idade dizendo a um grupo de adultos sorridentes que quer ser dono de banco quando crescer.
Como pode um redatorzinho qualquer de publicidade, certamente incentivado e brifado por um marqueteiro farsante, expor a milhões e milhões de pessoas uma idéia tão esdrúxula, tão covarde, tão submissa, tão imperialista, tão norte-americana, tão fedorenta.
Criança quer ser Tarzan, Batman, Ronaldinho, Senna, Giba, Daiane, Jade, Ivete Sangalo e até o cara do rebolation, menos dono de banco. Só se for filho de um idiota, e os idiotas, como se sabe, ainda não são maioria. Criança, no máximo, e se for filho de brasileiro consciente e trabalhador, como a maioria do país, quer é explodir o banco. Criança sonha, banco é lugar de pesadelo, pelo menos para gente comum, como a gente. Banco só é paraíso para ladrões e gente interessada em riqueza, só em riqueza.
O Conselho que regula publicidade devia intervir. O Governo Federal... Bem, o Governo Federal se beneficia eleitoralmente com estas propagandas fajutas e fascistas de empresas estatais e afins que têm inundado a televisão dos brasileiros.

Essssportiva

Hoje tem jogo do Brasil e, pela primeira vez nesta minha doce, atribulada e contraditória vida, vou torcer contra. Espero, de todo coração, que a seleção canarinho comandada pelo capitão Dunga leve uma sonora goleada da Irlanda.
Dunga acha que só a vitória interessa, a qualquer custo. Algo meio parecido com o jeito do presidente Lula fazer política, o que alguns otimistas chamam de pragmatismo. Na vida real não é bem assim. No futebol, vale o espetáculo. Na política, vale a defesa da liberdade, em todos os níveis, e o bem-estar da sociedade.
Dunga quer retrancar o melhor futebol do mundo, sonhando em ganhar de um zero, num contra-ataque. O futebol brasileiro sempre botou os gringos na roda –ou na roda dos gringos. Jogar para não levar gol é coisa de medíocre, de quem não tem recursos técnicos para se impor num jogo de bola. O Brasil tem os melhores jogadores do mundo e corre o risco de ir para a Copa com Josué, Ramires, Elano, Robinho, etc, deixando de fora os Ronaldo (dois dos quatro maiores jogadores de todos os tempos) e promessas nas pontas dos cascos, como Neymar e Pato. O jogador mais importante é um débil mental evangélico.
Dunga, caso fosse presidente do Brasil, seria um nacionalista nazi-fascista, algo assim ocmo o Lula, mas muito mais pernicioso ao País, pois além de ser tudo que lembra um reacionário emperdenido ainda é conservador e racista.
Dunga, neste momento, consegue ser mais obtuso que o próprio mestre da obtusidade.