quarta-feira, 12 de maio de 2010

Nós e nós mesmos



Laerte, na Ilustrada de hoje. Trabalhar é preciso.

sábado, 24 de abril de 2010

Dívida cruel



Laerte, na Ilustrada de hoje. Podia ser qualquer um de nós, povo do tempo do lápis e papel.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Vou ali e já volto

Não tenho tido condições de postar como deveria e gostaria, volto e explico outro dia qualquer.
Por enquanto, continuo insultado pela desfaçatez do presidente da República em se lançar candidato quatro anos e meio antes da eleição. Ele está fora por imposição da Constituição, mas já se sabe que tentará voltar em 2014, com Dilma ou Serra, tanto faz.
Também continuo fascinado pelo tema da desconstrução da Igreja Católica. Está chegando a hora de revisar os efeitos da religião na sociedade, os evangélicos têm de serem contidos, todos os religiosos enquadrados em uma nova ordem social inspirada e voltada unicamente para o conhecimento.
Estes pensamentos devem ser uma bobagem escandalosa diante da verdade absoluta da ciência política e dos modernos conceitos filosóficos e científicos, mas não posso deixar de dizer que Lula é um cínico, os padres nos envergonham, os bispos nos espantam e o Papa nos engana.
Até mais tarde.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Das 27 teclinhas

A candidata do governo a presidência da República começou a enfrentar dificuldades reais na campanha eleitoral. O grande problema, segundo posso ver aqui do alto do nada, sem dúvida, é o discurso. Ela largou na ofensiva, com agressividade e lógica de oposição, mas contra um fantasma eleitoral do seu partido, o ex-presidente Fernando Henrique. Este tipo de discurso, ou melhor, o texto de Dilma, não sustenta uma lógica progressiva, o inimigo é requentado de um passado distante e dito superado. Logo depois de anunciado, o textinho tem de ser explicado, justificado. Do ataque, passa de imediato à defesa. Isso não é bom. Quer dizer, não é bom para ela, candidata, mas é ótimo para os adversários.
Ou o pessoal do teclado fala sério ou a candidata vai para o baile eleitoral como alguém impulsivo, autoritário e... inconfiável. O marketing de maldades já parece bem assimilado pelo eleitor, talvez seja hora de simplesmente falar a verdade, tipo eu sou fulaninha de tal, fiz tal coisa e quero fazer isso, isso e aquilo. Não deve ser muito difícil. Até o Serra conseguiu.

Redondilha manca

O Haiti não é aqui.
O Chile não é aqui.
Teerã não é aqui.
Caracas não é aqui.
Havana não é aqui.
Washington não é aqui.

O Morro do Bumba é aqui.

domingo, 11 de abril de 2010

Amanhã será um novo dia

Estratégia de campanha política. Isso é o que decide eleição, fora suicídios voluntários de candidatos e fatos políticos excepcionais.
Os discursos de ontem, de Serra, Fernando Henrique, Lula e Dilma, desnudaram forma e conteúdo das campanhas eleitorais da oposição e da situação.
A Situação, pelos mais descabidos e extraordinários motivos, usará o discurso de Oposição. Ninguém entre os governistas foi capaz de formatar uma conversa lógica progressista. Preferiram desenvolver defesas específicas contra supostos ataques e acabaram apresentando-se ao distinto público como uma espécie de elefante enfeitado de bailarina tentando se equilibrar numa corda bamba em chamas. É muito "heroísmo" para um povinho debochado como os brasileiros.
A oposição conseguiu falar olhando para o futuro. E isso insinua um sentimento de orgulho nacionalista sem apelar para ufanismos personalistas e patrióticos. Deu para entender o que Serra estava querendo dizer. Conteúdo é fundamental, sem ele não há forma que resista. O palhaço, por mais simpático que seja, tem que ser engraçado.
O abismo entre o improviso de Serra e o de Dilma, nos eventos de ontem, é tão grande que pode muito bem abrigar o grande saco de popularidade do governo Lula.
A Oposição falou como um bom aluno do terceiro ano científico falaria sobre o que ele vai ser quando crescer. Uma conversa objetiva e inspirada na esperança.
A Situação falou como o pipoqueiro no pátio da escola, ”olhai, vamo aproveitá, o preço vai subi”, quer dizer, um papo de vendedor ambulante de oportunidades.
Se depender de estratégia, e do texto, o jogo já está ganho.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Hora de sofrer

Estava reparando a pouco, do alto da varanda aqui de casa, de onde tenho uma privilegiada vista panorâmica de um pedaço exemplar das franjas periféricas soteropolitanas, o cinza chumbo das nuvens pesadas e o ar noir, grisé, que cobre mangueiras, cajueiros, jambeiros, clubes sociais, palacetes e casebres amontoados. O outono é tão bonito quanto ameaçador.
As cidades são como os animais domésticos, sabem quando vai acontecer algo ruim. Agora, basta olhar para o céu da Bahia que se vê que vai acontecer algo ruim. Muito ruim.
Dizem que há estreita relação entre as forças da natureza e as divindades da crença humana.
Então, se por um acaso da minha lógica digressiva os deuses estejam mesmo castigando São Paulo e Rio de Janeiro por sua população ter votado em políticos incompetentes e ladrões, imaginem só o tamanho do problema que está chegando à Bahia nas asas do vento.

Blaarrrggh

E o “joguinho político”, heim?
Como pode um sujeito ser tão descaradamente mentiroso e cínico?
Neste ritmo alucinado de toma lá dá cá para controle dos meios de comunicação, o presidente da República pode chegar aos 90 por cento de popularidade. Os 10 por cento restantes, os que sabem ler e escrever direitinho, continuarão a ter acesso de vômito cada vez que a maior fraude política da história desse País aparecer na televisão.

Na casa do lobo mau

E o Bento 24, heim?
A moral da Igreja Católica escorre terra abaixo como se fosse uma ribanceira de favela carioca.
Os casos se avolumam nos noticiários mundo afora. Hoje, soube-se que um venerável padre alemão do pequeno município alagoano de Craíbas é um tarado débil mental que mantém um arquivo em casa com mais de 1.200 fotos de sexo com crianças e adolescentes.
A sociedade não pode ficar de braços cruzados à espera de uma atitude do Santo Padre, ele mesmo acusado de omissão e conivência.
Sugiro que se comece proibindo crianças de ir à Igreja. É mais perigoso que pátio de escola pública na Bahia.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ordem na casa

Ah, sim, antes que seja tarde demais, é preciso pressionar Dunga com a realidade da vida. Primeiro, o futebol é muito, muito importante para a grande maioria da população, vale, pois, a opinião de quem acha que tem opinião.
Segundo, El enano Lionel (melhor nem falar o nome do cara) fez quatro ao natural, e pra cima de uma zaga de assassinos autorizados pela rainha.
Terceiro, ou a gente leva os melhores tecnicamente, e não apenas os melhores profissionalmente, ou estamos ferrados e mal pagos.
Não sou poeta nem comungo do sorriso fácil do textinho modelito armandonogueira apenas sei, do fundo da alma de jogador por vocação, de centroavante nato , sei que isso é só um jogo e vence quem descobre um jeito de ser melhor que o adversário, quem ousa, cria, arrisca, erra e transforma. Bolinha de segurança pro lado é fim de campeonato. A união faz a força... e a obsessão. A individualidade faz arte e diversão. Esse é o jogo. Ronaldinho Gaúcho já!

Buenos dias

São Paulo e Rio estão pagando o pato que comem nas eleições. Quer dizer, todos pagamos nosso pato, paulistas e cariocas são apenas a maioria, e ai, ai, ai, a chuva está vindo para a Bahia.
Ando com o humor além do matagal que cobre meu jardim, não tenho disposição para raciocínios críticos, leiam, portanto, este trechinho do editorial de hoje de O Globo. É por aí:

Nessas horas, políticos apontam para a ocupação de áreas de risco. O presidente Lula, ontem no Rio, foi um deles.
Mas a favelização se deu e se dá devido a eles próprios, os políticos. No poder ou na oposição, costumam assumir posturas demagógicas de defensores dos “pobres sem teto”.
Que ficam, então, nas encostas cariocas, nas várzeas dos rios paulistanos.
Quando vem a água, é pedido para eles se retirarem, por segurança. É mais do que irônico — é cínico.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Regulamentar



Laerte, hoje, na ILustrada. Não, não tem nada a ver com Dilma. Só a distância.

sábado, 3 de abril de 2010

Assim é se lhe parece



Tira de Angeli, ou seria um cartoon, na Ilustrada de hoje. Acho que tem a ver com a páscoa, o avião parece de chocolate...

quinta-feira, 1 de abril de 2010

En nombre de Diós

O Papa está nu.
A Igreja Católica está nua.
Nuela como uma pecadora flagrada em adultério.
Padres? Melhor prendê-los.
Pode parecer bobagem, afinal o assunto exige algum entendimento teológico e certa profundidade filosófica, ou seja, só está autorizado a dar palpite quem pensa a sério, mas não resisto a tergiversar um pouquinho ou mesmo digressionar uns 45 graus à esquerda e afirmar alto e bom som que sempre achei batina uma espécie de vestido disfarçado. Sempre. O dia em que vi um Cardeal pela primeira vez, por Deus, eu achei que era a minha bisavó e que ela tinha enlouquecido.
Já vão tarde.

Dia de lorota

Hoje é 1º de abril.
Acho que vou visitar uma obra do PAC para comemorar.
E nem preciso sair de casa.
A obra do muro da quadra de futebol aqui de casa está atrasada quase dois anos e caso haja súbita condições de comprar material e contratar um pedreiro, segundo li no artigo de um economista, o alambrado do campinho minúsculo estará automaticamente cadastrada como obra do PAC.
Vou até ali daqui a pouco e acenderei uma vela no canto da fonte.
Um ritual digno de um país dirigido por um...
Bem, é de manhã, vem o sol, deixa pra lá....
Vamos nos ligar na semana santa. Bom momento para se reencontrar com o peixe. Pelo menos o cheiro é mais agradável.

terça-feira, 30 de março de 2010

A voz da ignorância

O lançamento do PAC 2 foi um espetáculo de terceira categoria, com atores políticos visivelmente constrangidos, sem qualquer emergência administrativa que justificasse o circo político-eleitoral. Uma vergonha que nem o surpreendente discurso vacilante do presidente Lula conseguiu encobrir. A ministra Dilma, microfone em punho, titubeou ao tentar explicar o que é o PAC e enveredou em ataques despropositados ao velho inimigo de sempre, um tal de FHC, e a louvar um pretenso fortalecimento do Estado, colocando-se em confronto direto com o desenvolvimento político-econômico neoliberal que deu justamente a base para a estabilidade econômica ao País.
Mas o espetáculo não estava completo com a cara de assustado e as frases inconclusas do presidente Lula ou mesmo o gaguejar inútil de uma espécie de samba do crioulo doido da candidata oficial. Faltava o molho do socialismo antidemocrático e autoritário do sindicalismo nacional no modelo de liberdade aplicado por Castro e Chavéz. Coube ao presidente da CUT dar o tempero do absurdo ao projeto político da esquerda corrupta encastelada no Planalto.
O moço da CUT se propôs a falar sobre a democratização dos meios de comunicação, mais ou menos no mesmo nível intelectual de seu mestre e líder político nas negociações de paz entre árabes e israelenses. O líder sindicalista disse que "A liberdade de Imprensa não pode ser só a liberdade privada da imprensa brasileira". Como assim? Os aloprados do PT, mesmo às vésperas do já garantido chute na bunda nas próximas eleições, ainda sonham com uma ditadura do proletariado de carteirinha, com um partido único e também um único jornal.
A grande dúvida, para a imensa maioria do povo brasileiro, neste fabuloso projeto político sindicalista, é quanto ao futebol. Será que também teremos apenas um único time de futebol? O Corínthians, por supuesto? Seria muito chato.
Esta chegando a hora de apagar esses caras da história política do Brasil.
Nada mais.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Fala, minha santa

E o Papa, heim?
A questão dos abusos sexuais na Igreja católica vai além dos improváveis tribunais de justiça mundo afora, está em jogo (quase dois milênios depois!!) a relação entre Estado e Religião. Afinal, chegou a hora de a sociedade civil enquadrar dogmas e valores que se debatem entre a cruz e a espada.
O senhor Bento XVI preferiu tentar minimizar o problema e acaba de dizer à Imprensa que tudo não passa de fofoca, de fofoquinhas.
Sei não, mas parece coisa de bichona.

A lição do povo

E as pesquisas, heim?
A questão não é mais saber quando Dilma vai passar a casa dos 30. Agora todos se perguntam se ela vai chegar à casa dos 30. O dado mais interessante divulgado pelo Data-Folha está na intenção de voto daqueles que vão votar no candidato de Lula: Serra tem 32 por cento e Dilma 31!
Pesquisa majoritária costuma provocar efeito dominó em candidaturas aderentes ou simpatizantes. O PT, neste instante, só tem um Estado importante, a Bahia (isso em termos de colégio eleitoral, economicamente a Bahia é pouco mais que nada). O Rio Grande é outro caso, o PT de lá tem nada a ver com Lula e seus quadrilheiros. O partido do presidente mais popular da história do planeta pode acabar as próximas eleições de mãos abanando, ou alguém acha que a sofisticada organização criminosa vai ganhar em São Paulo? Paraná? Rio? Minas? O PT deve ganhar em Sergipe... E olhe lá!
Os baianos, êta povinho preguiçoso, ainda vão ficar remanchando até agosto, setembro, aí a ficha cai e eles darão um pontapé na bunda desse governozinho fascista que fechou escolas públicas e não se sente responsável, por exemplo, por mais de 1700 pessoas assassinadas a tiros no ano passado, sendo 60 por cento menores de idade, pobres e pretos dos subúrbios. O governo de Todos Nós é uma fraude histórica, maior, muito maior que a Bahia do ACM meu amor, o Predador que considerava este Estado sua propriedade particular e instransferível.

sábado, 27 de março de 2010

Retrato do dia



Foto de Ernesto Rodrigues, no Estadão de ontem. Professores da rede estadual de São Paulo fazem manifetação de protesto. Os mestres queimaram apostilas que deveriam usar nas salas de aula. Como se vê no título em primeiro plano, os professores paulistas estão fazendo história.

quinta-feira, 25 de março de 2010

A água não lava tudo

Chove na Bahia. São as águas de março e abril. A chuva enche o saco até fim de maio, início de junho. Quer dizer, enche o saco para uns, para outros é caos, tragédia, desespero.
A Bahia sempre foi um castelo de cartas, linda de ver, mas podendo desabar com um sopro ou uma enxurrada. De uns tempos para cá, com o governo do PT, o “governo para todos”, o governo que não para de trabalhar fazendo “o bem a todos”, a situação piorou muito. É decepcionante ver a propaganda governista na televisão, um insulto fascista ao povo desamparado e desinformado e desprotegido e explorado. Os ditos socialistas apenas passam uma demão no castelo de cartas, igual fazia o Grande Demônio Antonio Carlos Magalhães. E também cobram comissão da tinta.
O ensino público faliu em silêncio, agonizando sob a escandalosa omissão dos movimentos sindicais, as escolas de segundo grau estão simplesmente fechando. O ensino está privatizado, parece que se instituiu a máxima do presidente Lula de que pobre não precisa de ensino, qualquer torneiro-mecânico analfabeto e mau caráter pode ”chegar lá”. A saúde pública é um jogo de crueldade diária, há epidemia de dengue, centenas de casos de meningite, hepatite B e gripe. A segurança pública é caso para um tribunal de justiça internacional. Nunca mataram tantos jovens pobres, pretos e desempregados. Os adolescentes do subúrbio são considerados todos eles membros do crime organizado e são executados aos magotes, sem direito à defesa, à proteção do Estado ou mesmo a um mínimo de civilidade.
E vem mais chuva por aí.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Na ponta da língua

Manchete política dos portais agora à tarde:

Lula: Já escolhi a candidata, escolher vice é demais.

Manifestação espontânea e sincera de um velho democrata cansado de guerra.

Los hermanos enanos

Vez em quando os argentinos reinventam a discussão sobre quem joga mais futebol, nós ou eles, Maradona ou Pelé, e agora Messi ou Ronaldinho Gaúcho.
Na qualidade de professor de Deus, esclareço ao meu imenso público leitor que os estilos são bastante semelhantes, mas com sutis diferenças que determinam, de fato, que um joga mais que o outro. Os números não mentem jamais. Estatística, em esporte, é determinante, com exceção de Robinho, uma invenção midiática, que mal toca na bola, erra a grande maioria dos passes, faz um golzinho de mês em mês, mas é o primeiro a expor o sorriso galhofeiro na comemoração de um gol de seu time para ser saudado como um mito por narradores, repórteres e comentaristas comprometidos com grandes anunciantes. Uma fraude espetacular, mas é outro assunto. Falávamos dos anões malabaristas.
Nós jogamos mais porque somos mais objetivos. Simples assim. Os dois jogam para ganhar, claro, mas somos mais objetivos, chutamos mais a gol, eles adoram uma firulinha, uma tabelinha, até chegar à área pequena, à frente do gol, para então finalizar. Essa é a diferença.
O metro e 75 que limita o tamanho dos super-craques vale para os dois lados. Lá, Maradona, Ortiz, Díaz, Messi, com duas ou três exceções como Riquelme e Kémpez, por exemplo. Aqui, todos los grandes, Garrincha, Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gérson, Zico, Reinaldo, Romário, todos baixotes, todos geniais. Também com cinco ou seis exceções, Falcão, Sócrates, Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho Gaúcho, por exemplo. Não, Kaká não conta. É fanático religioso, ou melhor, um picareta da fé, antes de ser jgador de futebol.
Os nossos números são mais expressivos (Copas do Mundo, melhores jogadores, maiores goleadores, etc.). Mesmo considerando o teto de metro e 75, somos mais altos. Eles ganham em ouros itens. Perón era mais populista do que Lula, embora Lula seja muito mais demagogo. A carne de gado deles é melhor, sem dúvida, mas nosso vinho é superior. Eles são melhores escritores, mas nossos cantores e pintores... E eles só ganham mesmo quando o caso é psicanálise. Agora, por exemplo, embora seja impossível, gostaria de saber a opinião de Emílio Rodrigué a respeito de salada que acabo de fazer neste post mutcho loco com frijoles, manzanas, tapa de quadril, palmito, aspargo, manga e caju. Muy hermosa.
Ah, sim. O melhor jogador do mundo é Ronaldinho. E é gaúcho, não gaucho.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Na terra do faz de conta

Acabou a greve de fome.
Ontem rolaram batatas cozidas. Almoçamos como se estivéssemos em Dresden, logo depois do bombardeio americano.
Os amigos apareceram. Dois. Um trouxe uma dúzia imaginária de ovos para tornar meu café mais protéico. Outro me apontou o caminho da luz. O terceiro mais assíduo, que ontem não veio, mandou dizer que não é inspetor de quarteirão a serviço do lulismo conforme escrevi aqui outro dia. Deve ter sido promovido a major do arraial.
Não posso mais jogar bola, os filhos estão longe, a mentira estrela o jornalismo Nacional.
Sinto-me um ganso solitário a grasnar contra bandoleiros invisíveis inatingíveis.
Tem nada mais ridículo.

sábado, 20 de março de 2010

Sorte do goleiro

Aconteceu o que todo mundo já sabia, o governador de São Paulo José Serra é candidato a Presidência da República.
A novidade, que nem é tão novidade assim, está na estratégia de campanha quanto ao discurso político. Serra se apresenta com credenciais de competência e experiência para dar continuidade ao legado econômico social da era Lula. Nada, nadica de nada, de combater o homem da popularidade imbatível. No máximo, um chega pra lá na candidata adversária, mas sem ofensas nem denúncias.
Mesmo diante da fabulosa fraude política do governo Lula, Serra abdica da oposição para ser alternativa de continuidade. O último candidato que eu vi ser cordial com adversário perdeu a eleição.
Lula se elegeu fantasiado de poeta revolucionário, com direito a barba e estrelinha vermelha. Hoje, a metamorfose usa o modelo da hora, azar é do goleiro.
Serra está pragmático antes da eleição.
Mal não comparando, é mais ou menos como ver Zico escalado para bater o pênalti.

Au-au



Tira de Laerte, hoje, na Ilustrada. A personagem é a cara do boxer aqui de casa, senador Fernando Gabeira. A postura diante do poder também é a mesma.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Ninguém merece

O ministro da Defesa Nelson Jobim é o retrato pronto e acabado do PMDB.
O ministro anunciou que vai recomendar ao presidente Lula a compra dos caças franceses Rafale.
Como alguns palhaços ainda se lembram, este mesmo ministro disse semanas atrás que a Força Aérea preferia os caças suecos ou mesmo os norte-americanos, ou seja, menos os franceses. E ainda argumentou que os jatos franceses eram cerca de 10 vezes mais caros.
O presidente Lula disse apenas que a decisão seria dele, tratava-se de uma questão política e não técnica (notem que estamos falando de caças de guerra).
O ministro da Defesa disse que analisaria o problema e agora “decidiu”: o Brasil deve comprar os caças franceses.
Dizem que o presidente Lula, em agradecimento ao ministro condescendente, vai permitir que ele use uma nova e reluzente farda de general de quarteirão e que leia um pronunciamento de três minutos na cerimônia oficial do anúncio da compra dos aviões, pronunciamento este, claro, escrito pelos "redatores" políticos do Palácio do Planalto.
O ministro da Defesa é uma figura ridícula e caricata, como a grande maioria dos seus companheiros de partido.
O que ele faz ou diz serve apenas para isto: piada ruim.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Canivete giratório

Sinto-me um ingênuo babaca.
Estou em greve de fome, e hoje, por exemplo, tomei café sem ovo frito!
E acabo de notar que os amigos desapareceram.
Jamais imaginei que a guerra civil se daria entre nós mesmos e por causa de um maldito prato de comida, tipo self-service, com direito a água ou refresco de maracujá.
A pobreza material, seja ela qual for, é sempre menor que a pobreza espiritual.
Pior do que ter quase nada em cima da mesa na hora da refeição é acreditar que a economia está bombando e que as pessoas nunca estiveram tão felizes.
Eleição? Dança de cadeiras entre palhaços, oportunistas e ladrões.
A melhor maneira de se comprometer é cair fora.

Os normais

Os secretários de segurança dos principais Estados do País estão reunidos hoje aqui em Salvador. Estão à beira mar, sob a brisa fresca da Bahia, comendo e bebendo do bom e do melhor, nem têm tempo para reparar na violenta realidade dos subúrbios das grandes capitais.
Os governistas, principalmente os ligados ao PT, vivem no mundo perfeito da ilusão, repetem para si mesmos “a economia está bombando, a economia está bombando”, e fecham os olhos para os massacres diários do confronto entre a Polícia armada e os pobres, pretos e adolescentes que se debatem para sobreviver na realidade criminosa do abandono e da omissão.
Ontem mesmo, no centro histórico de Salvador, numa dessas galerias de lojinhas de badulaques e bijuterias para desvalidos, três jovens foram mortos a tiros pela Polícia Militar depois de uma tentativa frustrada de roubar aparelhos celulares. Nada foi roubado, nenhum polícia se feriu (nem de susto!), mas três jovens foram executados no meio da rua.
Será que os secretários vão discutir o caso? Não creio. Estes senhores pensam alto. Precisam organizar licitações para comprar armas, veículos, equipamentos, construir delegacias, presídios, e, claro, manter a política de extermínio que nunca jamais ninguém viu igual neste País.

O sorriso do larápio

Interessante esta história de que o Governo Federal está cerceando a liberdade de expressão, ou em palavras mais objetivas, censurando a Imprensa.
Não é bem assim.
O Governo não está censurando ninguém.
O Governo está comprando a opinião dos principais veículos de comunicação, sejam jornais, portais, blogs ou até mesmo jornalistas a granel.
Esta é a realidade, o resto é farsa.
Nunca na história desse País a mídia de comunicação trabalhou tanto para conduzir a repercussão dos fatos a favor do Governo, sejam estes quais forem.
O resultado pode ser visto nos índices de popularidade do presidente da República e seu Governo.
Hoje, na manchete do portal UOL, o maior da América Latina, aparece o senhor José Dirceu, ex-deputado cassado sob acusação de chefiar uma organização criminosa de corrupção política e membro da Executiva nacional do Partido dos Trabalhadores, afirmando, sem qualquer gancho jornalístico que justificasse a presença na manchete principal do dia, que “no Brasil a mídia não elege mais presidente da República”.
O que o senhor Dirceu queria dizer com isso?
Creio que ele queria apenas encobrir a corrupção desembestada pelo marketing político que serve os altos e sagrados interesses do lulismo que salvou o Brasil e agora vai salvar o mundo.
É mais ou menos como a gente ter de dar bom dia pro cara que está saindo do nosso galinheiro com algumas penosas debaixo do braço.
O pior de ser roubado é ouvir o riso do ladrão.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Sinapses

A face branca do Word na tela do computador tem o mesmo recato da página pálida de susto que o poeta Mario Quintana contemplava em uma Olivetti enferrujada pelas maresias imaginárias do rio Guaíba, 100 anos atrás, atrás do tempo, deste mesmo tempo anunciado na claridade absoluta de um novo dia debruçado no mar da Bahia.
Pouco a fazer, não se pode nem fumar nos dias de hoje. Ainda não surgiu quem escreva alguma coisa minimamente interessante sem estar com um cigarro por perto.
Comer quindins, então, como o poeta fazia de garfo e faca, nem pensar.
Penso política e torço pelo constrangimento alheio. Jeito esquisito de exigir justiça.

Terra de bandoleiros

A greve de fome continua.
Pior. Foi intensificada.
Hoje vi naqueles recados do MSN uma frasezinha de meu amigo Amilton Coelho, mestre em Letras e em criação publicitária, purgando amargura, “se a dor eleva, estratosfera aqui vamos nós”. E recebi um e-mail-bomba de um veterano companheiro de lutas profissionais, hoje uma espécie de inspetor de quarteirão do lulismo no subúrbio norte de Salvador, “chega de baboseiras ideológicas, a economia está bombando”.
Baboseiras ideológicas. Economia bombando. A mesma economia que caiu de oitavo para nono no ranking mundial.
O assalto está consumado.
O chefe da quadrilha luta pela sucessão dele mesmo.
E temos que pagar consumação para continuar trabalhando.

segunda-feira, 15 de março de 2010

Alma bolivariana

Continuo em greve de fome.
Comi um pedaço de mamão e uma banana do quintal, e tomei café preto com bolacha creme cracker lambuzada de patê de fígado.
Quer dizer, greve de fome rigorosa.
Agoras, como diz a garotada, vamos caminhar um pouco nas cercanias de lugar nenhum.
Estou muito animado com a segunda-feira. Pode ser até que exista o resto da semana.
Salvo uma certa amargura natural do povo brasileiro, uma insistente névoa de tristeza no calorão à beira mar, sinto-me cada vez mais orgulhoso de viver no recém-pintado País das Maravilhas e de ser comandado pelo Grande Mestre Luis Lula da Silva.
Como podem ver, e como canta Sabina, a maneira de comprometer-me foi dar-me a la fuga.

domingo, 14 de março de 2010

Bandeirada de toalha

Minutos atrás, apesar de tossindo como uma vaca guerrilheira e arrotando como um boi dissimulado, assisti, aos pedaços, a primeira corrida de Fórmula 1 do ano.
O narrador Galvão Bueno estava em um dia de presidente da República, ou seja, não dava uma informação sequer sem embutir uma mentira. As novas regras do circo, pelo menos para quem assiste a isso deste o tempo da voz tresloucada de Luciano do Valle, transformaram a corrida em prova de resistência, com visível favorecimento aos motores Ferrari e Mercedes. Galvão falseou tanto a verdade que chegou a dar a bandeirada da vitória para Fernando Alonso uma volta antes. Ao perceber, meio minuto depois, que havia cometido um erro fundamental em uma transmissão ao vivo, disse que tinha se “precipitado”. De bom mesmo, apenas Felipe Massa provando que não perdeu o meio segundo que todos perdem depois de um acidente grave como o dele.
Daqui a pouco tem Luciano do Valle transmitindo também uma corrida de fórmula, mas com carros de tecnologia superada em uma pista tipo maquete gigante de concreto armado e guiados por pilotos do segundo quadro, como diria meu pai. Os carros andam aos pulos na reta. Vai ser divertido. Tomara que ninguém se machuque.

Com a mão na massa

Estou em greve de fome.
Parcial.
Não vou comer filé nem tomar vinho nem saborear um petit gateau, no almoço solitário deste domingo.
Vou de macarrão com sardinha, água de poço e uma manga do quintal.
Não, não é cinismo, ou desrespeito com legítimo recurso de qualquer prisioneiro de Estado.
Sou prisioneiro de mim mesmo, protesto contra minha própria incompetência para resisitir a uma ditadura de ignorâncias.
Nada de política, só questão de grana, ou melhor, de falta de grana.
Cínico é o presidente da República.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um boi e a boiada

O ator Rogério Cardoso que me perdoe lá do céu por citar seu inocente bordão, mas nunca neste país um cidadão rolou tanto o lero quanto o atual presidente da República.
O cara é um humorista nato, domina como ninguém a arte de digressão do pensamento usando exclusivamente ditados populares e filosofias de almanaque. Ele emenda um ditado no outro como se estivesse alinhavando bom senso em princípios éticos e morais aos risos e grunhidos.
Ele diz, por exemplo, que continuará visitando obras porque “o olho do dono é que engorda a boiada”. Essa frase é típica de coronéis fazendeiros e de comerciantes gananciosos, gente que vive para o enriquecimento a qualquer preço. Soa até meio estranho na boca de um homem que diz governar para os mais necessitados.
O pior desta expressão infeliz, entretanto, é o fato de o presidente se colocar na posição de dono da boiada. Ele se referia a uma obra federal de infra-estrutura, quer dizer, obrigação administrativa do Governo Federal, e não alguma propriedade particular dele. Ele não é o dono do Brasil, como seu desvario político imagina. E devia ter um mínimo de decência para não insinuar um despautério dessa magnitude, afinal é um presidente eleito, devia respeitar seus eleitores e principalmente a Nação que suporta este governo de tantas controvérsias morais e éticas. Mas seu coraçãozinho de galinha sindicalista parece que comanda a língua desaforada e mentirosa sem se importar com quem quer que seja.
Por causa disso, e em homenagem à falecida Escolinha do Professor Raimundo, estou bolando um quadro para programa eleitoral gratuito, misturando tendências gaúchas e baianas, com enredo Deu Pra Ti, Excelência, Vá Mamar Noutro Lugar...

Kabuki no chão

O movimento retórico dos altos senhores que servem o governo Lula para minimizar o choque internacional provocado pelas declarações do presidente sobre os dissidentes cubanos transpassa a lógica como uma faca corta um pedaço de manteiga. As besteiras se sucedem, ninguém consegue justificar o óbvio, o presidente brasileiro apóia ditaduras de esquerda em detrimento de direitos humanos básicos. Ponto.
Na real da real, o presidente parece não saber do que está falando exatamente. Seus argumentos são uma espécie de poeira filosófica de um improvável almanaque de mitos e farsas do mundo moderno.
A quadrilha cisca, cisca, cacareja, cacareja e diz nada. Não há quem consiga dar um nó para manter a máscara de liberal progressista de esquerda na cara-de-pau do velho sindicalista reacionário. Como se sabe desde o tempo do guaraná de rolha, ninguém consegue enganar a todos o tempo todo.

Perdemos

O cartunista Glauco e seu filho mais velho foram assassinados a tiros ontem à noite em Osasco. Os dois foram mortos em casa por uma dupla de assaltantes.
O cartunista deixa órfãos Dona Marta, Doy Jorge, Geraldão e outros dois filhos de verdade.
A Folha de S. Paulo de hoje ainda publica a tira diária de Glauco.
Eu, que já não tenho mínimo motivo para sorrir no dia-a-dia deste sanatório, homenageio o veterano trombadinha dos quadrinhos com este post póstumo e me solidarizo com sua família e as de todas as vítimas da violência urbana que cobre o País das Maravilhas, da Demagogia e da Ignorância.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Para todos

O fim do amor é tema da vez para poetas mundo afora.
Estava a pouco ouvindo Joaquín Sabina se queixar das muitas mulheres que teve quando me ocorreu uma frase definitiva sobre este velho e desgastado exercício de duas pessoas viverem juntas.
Parece um verso à espera de uma canção. Bom para os antigos diários de normalistas ou mesmo para brilhar no prato de porcelana na parede da cozinha.
Eis:
- O pior do amor quando termina é que não acaba.

Bom Dia, Babaca

Como diz a minha mãe, tem coisas que até Deus duvida.
O crescimento do Brasil em 2009 foi zero.
É. Zero.
Pois às sete e meia da manhã, no Bom Dia Brasil, a jornalista e filósofa contemporânea Miriam Leitão começou gaguejando, afinal a missão não era nada fácil, mas conseguiu provar ao querido público matinal, o povo que gira a roda, os que acordam cedo para trabalhar, que o ZERO no Produto Interno Bruto nacional é positivo.
O PIB sob Lula é positivo, claro, não poderia deixar de ser. E para provar a lorota descabida, a senhora jornalista dos cabelos desgrenhados chegou a se valer de um quadro estatístico dos números do Brasil frente ao mundo. Isso mesmo. Ao mundo, incluindo Serra Leoa, Etiópia, Somália, Afeganistão, Laos, Camboja, Belize e outras potências internacionais. O ZERO do Brasil, claro, nestes termos, é goleada.
A senhora crítica de economia da Globo, tida como inimiga dos governistas por alguns idiotas avermelhados, fechou seu “comentário” afirmando que o Brasil precisa de crescimento continuado, o que quer dizer isso mesmo que o senhor pensou.
Com oposição desse quilate, o presidente da República nem precisar latir mentiras como está fazendo todo santo dia. É só deixar na mão da mídia golpista e reacionária.

quarta-feira, 10 de março de 2010

Prato do dia

O ex-presidente Fernando Henrique não se emenda, como se poderia dizer das cabeças roladas pela guilhotina da liberdade, fraternidade e igualdade.
O sociólogo palestrou ontem em São Paulo em troca de alguns trocados e com certeza reavivou as suspeitas de que votou em Lula, em 2002. Dona Ruth Cardoso, como todo mundo sabe, votou no cara da estrela vermelha, ela achava que era hora do avanço das conquistas sociais.
O resultado do diz-que-diz progressista é que Lula enfrentou uma eleição sem oposição direta, no plano das idéias, o máximo que aconteceu foi uma suposta atriz popular dizer na tevê que estava com medo. No segundo tempo, o máximo que a oposição fez foi apresentar um candidato que representava o neto bem comportado de uma senhora de Pindamonhangaba. Mesmo assim, foi para o segundo trno e perdeu por seis pontos de diferença. Enquanto isso, a cabeça de Fernando Henrique rolou por todo País como se fosse o maior inimigo público da Nação. Foi o jeitinho Lula de agradecer ao sociólogo vacilão.
O texto de Fernando Henrique está nesta matéria da Folha de hoje, mas não deve ter sido compreendido pelo Dragão da Bondade. O mais interessante da matéria é a afirmação de que “o baixo clero dominou de tal maneira que hoje não há mais alto clero”. E daí?
Ou a oposição fala sério ou Lula continuará comendo intelectuais e atrizes medrosas no jantar.

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc1003201006.htm

Sai de baixo

O presidente Lula voltou a falar sobre presos políticos em Cuba.
Devia ter ficado calado, lógico. Ele não consegue uma expressão clara sobre a evidente contradição entre a importância do regime cubano para o equilíbrio político na América Latina e a absoluta falta de direitos humanos na ilha de Fidel. Lula não sabe porque apóia Castro.
Então, por que não se cala?
A resposta deve estar nos boletins de pesquisas sobre as próximas eleições presidenciais. Boletins de verdade, claro, não estes arremedos dirigidos da Sensus e Vox Populi. Os números devem estar provocando este desarranjo demagógico de frases idiotas que se viu nos últimos dias.
Lula foi eleito trajando uma vistosa fantasia de esquerdista e, por suposto, quer ver sua favorita reluzindo os trapos vermelhos do autoritarismo, mais atraente à juventude.
Na realidade da vida política nacional, a dupla tem pouca chance eleitoral, salvo, claro, se apostar na farsa para iludir o eleitorado mais uma vez. A economia está bombando. É a melhor hora para repetir o golpe de esquerda.
Deus nos livre dessas marolinhas de ignorânica.

terça-feira, 9 de março de 2010

Nas asas da mentira

Informação interessante do jornal O Globo de hoje, ao desmentir, mais uma vez, os números maquiados da economia lulista.
- O Governo Geisel investiu mais do que o Governo Lula.
Lula tem dito, e feito propaganda disso, que o governo dele é quem mais investiu no País. Não é verdade. Os números oficiais mostram que os investimentos oficiais, sob Lula, foram três vezes menores do que no Brasil comandado pelo general Geisel.
Vergonha em dose dupla para nossa cara de esquerdista.

O dragão da bondade




A campanha eleitoral para a Presidência da República ainda nem começou, segundo a ótica transversa e obnubilada do TSE, mas a farra dos candidatos está a pleno vapor.
De acordo com a manchete da Folha de hoje, os principais candidatos, Serra e Dilma, estão em campo a inaugurar obras inacabadas ou até obras dos outros. Vale tudo em busca de visibilidade na Imprensa.
Lula, o dissimulado, se mantém a mil por hora, conforme se viu ontem, na favela da Rocinha, com arco e flecha nas mãos a 50 centímetros do alvo enorme, sob olhar carinhoso e admirado do governador carioca, como se este estivesse vendo o próprio Robin Hood em ação, em cena de humor pastelão. Seria de rir não fosse uma simples palhaçada de dois dos maiores canastrões da política nacional.
Mas a foto de hoje na capa da Folha é muito interessante.
Um filósofo contemporâneo diria que o jogo é jogado e o lambari é pescado.

Pode-se dizer tudo do presidente fanfarrão, menos que ele não sabe desfrutar de seus poderes sobrenaturais diante das câmeras da tevê ou de quem quer que seja. Lula, mais do que nunca neste país, não quer nem saber, diz e faz o que pensa e quer.
A nós, o querido ouvinte do interior, resta espernear –ou admirar o sacripanta descarado.

Repare na expressão me-leva-que-eu-vou da moça abraçada.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Na contramão

Manchete da Folha de S. Paulo de hoje:
Filiais no Brasil seguram os resultados das múltis.
O Brasil já é o segundo maior consumidor para Unilever e Nestlé e a filial brasileira da Fiat já é maior que a matriz italiana.
O atual presidente foi eleito para enquadrar as multinacionais que sempre exploraram mão-de-obra e riquezas nacionais às mãos cheias. Não fez nada neste sentido, ao contrário, fortaleceu a política econômica neoliberal e enriqueceu ainda mais seu grupo político e os investidores estrangeiros.
O Brasil cresce para enriquecer velhos e novos exploradores da força de trabalho dos brasileiros.
E o senhor aí, se não for ligado à cadeia (!!) progressiva do PT, claro, o senhor ganhou alguma coisa com seu trabalho, além do soldo de sempre?
Eu não. Para mim, na verdade, cada dia sai pior. Ando a bater de frente com locomotivas desembestadas.

Geminiano

Ignorante como o presidente Lula, raciocino no mesmo estilo truculento.
O problema de escrever contra o PT é que os leitores pensam que estamos a favor do PSDB ou de coisa pior, como o DEM.
Esclareço que não voto em Serra nem para evitar a eleição de Dilma.
Não voto em Ciro nem para garantir a mulher mais bonita do Brasil como Primeira-Dama.
Não voto em Marina porque ela anda elogiando militares e citando a Bíblia, esta espécie de manual de instruções para o bom comportamento de ovelhas.
Não tenho em quem votar desde que Brizola morreu. Assim como não tenho a quem ler, ouvir ou ver desde que o Brasil se transformou no País das Maravilhas, maravilhas para eles, claro, os usurpadores da Nação.
Enquanto minha morte não vem, vivo de brigar contra o rei.
Parece coisa de escorpião, mas não.
É só puro instinto.

Alô, alô, tem alguém aí?

Não dá mais para segurar.
A política no Brasil virou uma questão de defender o País, a terra, as instituições, o povo.
Ninguém tem mais o direito de ficar calado ou, do outro lado, defender apenas sua tribo. Quem sabe ler e escrever tem obrigação de expulsar da vida pública esta quadrilha de ladrões que se instalou no Palácio do Planalto.
Nunca na história deste País um grupo político partidário roubou tanto quanto o Partido dos Trabalhadores.
O caso do Bancoop vai além da imaginação.
O PT ROUBOU OS PRÓPRIOS TRABALHADORES.
Já não se trata mais apenas de um governo que pratica a excelência da ignorância, agora é caso de Polícia.
O PT INVENTOU O ESTELIONATO COM REQUINTE DE CRUELDADE.
Os depoimentos das pessoas, famílias inteiras que foram roubadas pelo PT, são estarrecedores.
E o presidente da República? O dinheiro roubado dos trabalhadores foi para os cofres do PT, para a campanha de Lula. O que ele vai dizer? Que não sabia de nada? Que não é com ele?
O homem acusado pela Polícia Federal de comandar o cruel estelionato em São Paulo assumiu, foi eleito por seus comparsas, o cargo de tesoureiro nacional do PT.
E o que vão dizer os petistas? Ainda vale tudo para chegar ao poder?
Como pode ex-guerrilheiros, ex-operários, ex-intelectuais apoiarem um cidadão que varreu para debaixo do tapete a luta por Educação, Saúde e Segurança em favor da bandeira do desenvolvimento econômico, que serve, isto sim, para enriquecer ainda mais as grandes construtoras e encher os bolsos dos comissários petistas. Será que todos aspiram a se transformar em uma casta política, em inspetores de quarteirão bem vestidos, embriagados de rum e charuto cubano, a divulgar números mentirosos de estatísticas oficiais como se ninguém estivesse vendo a absurda realidade nacional?
SERÁ QUE TODOS PERDERAM A VERGONHA NA CARA?
Os nomes dos ladrões estão todos escritos nas páginas da Imprensa que não foi comprada pelo marketing pragmático da quadrilha vermelha. Só não vê quem não quer ou é cego.
A candidata do presidente, chamada por ele mesmo de Dilminha, uma autodenominada ex-guerrilheira que defende com unhas, dentes e máscara a execução de grandes obras públicas e não diz uma palavra sobre a redistribuição da renda (Bolsa Família é esmola eleitoral!), encontrou logo a solução diante desse último escândalo com a quadrilha: vai ter um tesoureiro próprio! É uma gracinha a Dilminha.
Lula é omisso (Mensalão, Bancoop, Sarney), covarde (Cuba, Venezuela, Irã) e traidor (todas as bandeiras de consciência que o levaram ao poder).
E todos os que apóiam este safado não passam de canalhas oportunistas, gente cujo único talento é enganar o povo.

Pronto, agora. com o coração aos pedaços, vamos tratar da segunda-feira.

domingo, 7 de março de 2010

Globalização

A lógica de sobrevivência política petista chegou enfim, quem diria, ao Vaticano. Não que esta pérola do moderno pensamento pragmático seja qualquer novidade na fortaleza religiosa romana, mas não deixa de soar bastante familiar aos nossos ouvidos a resposta do irmão do Papa às indagações dramáticas de abuso sexual no coro infantil que ele dirigiu por mais de 30 anos:
“Não vi nada. Não sei de nada a respeito. Nunca ouvi nada sobre isso. (...) Trata-se de outra geração, diferente da dos meus anos”.
A conversa é quase a mesma, da camiseta com a estrela vermelha ao pala dourado eclesiástico. Com um detalhe de diferença, suponho. A palavra anos, no Brasil, soa com u e não o, o que, afinal, dá sentido à resposta do bispo Ratzinger.

sábado, 6 de março de 2010

Poesia dissonante

Já não se fazem mais sambas como antigamente, ou até os anos 80, só para tentar ser exato. No meu computador, onde se ouve música hoje em dia, só toca Joaquín Sabina (in direto), Piazzola, Dylan, Pavarotti, uma ou outra banda de rock e olhe lá. Brasileiros, tudo de Elis/Milton/Brant, uma ou outra saudade, e muito Gil, demais até, a se considerar o ministro que foi. Não, não esqueci de Chico. Desisti de Chico, isto sim, depois que se fantasiou de escritor e passou a freqüentar feiras de livro com crachá de romancista.
Mas o jornalista, poeta e compositor Paulo D’Ántão me perguntou por e-mail se eu conhecia Não Tenho Medo da Morte, de Gil, e teve a gentileza de enviar um link. Cliquei, procurei, li a letra e ouvi a música. Não sei direito, acho que ando de má vontade com o negrão... Mas gostei do site do ex-ministro. Tem-se acesso à fantástica obra do maior músico baiano pós Dorival Caymmi, esquecendo de João Gilberto e Caetano Veloso de propósito, claro, só de sacanagem com os vanguardinhas de antanho, mas foi bisbilhotando no índice alfabético das músicas que cheguei justo a homenagem do discípulo ao mestre, Buda Nagô, com direito a Nana Caymmi num contralto de fazer sorrir. Valeu o dia.
E aproveito para devolver a Paulo e a quem se interessar um link pro grande poeta espanhol, mais ou menos no décimo quinto andar em relação ao sobradinho da MPB, capaz de cantarolar versos como “nada de adiós muchachos, durmo nos enterros da minha geração, toda noite me invento, like a Rolling Stones”. Ou “morrer não é tão grave, agonizo em voz baixa por cortesia”.
Ou ainda "roubei a garrafa de rum de um mendigo moribundo, eu queria escrever a canção mais bonita do mundo".
Esta aí embaixo não fala de morte, fala de trajetória de vida –“com 60, que importa o corte do meu Calvin Klein?” A letra está à direita, em “mais informações”.


http://www.youtube.com/watch?v=q7-I0o8LMsE

Coisa de criança

UOL, maior portal de notícias da Web latino-americana, está neste momento, 9h50min, com noticiário velho nos Esportes. São fatos do fim-de-semana passado. Tudo bem, deve ser resultado de alguma besteira do editor ou diagramador, sei lá. Mais abaixo, entretanto, há uma chamada com direito a foto ordenando ou ameaçando, não sei, ouvir a música e ler a letra do novo “sucesso” do cantor Daniel. Por quê? Mais abaixo ainda, há outra ordem ou ameaça, não sei, dizendo pra ouvir os grandes hits de Britney Spears desde seu primeiro álbum. Putaquepariu!

Apocalíptico


Angeli angelical, na Ilustrada de hoje. A legião de anjos do Senhor recolhe alguns trocadinhos em montes de gente exterminada.

Canalhice

O grande cartunista Ziraldo publicou hoje em seu blog um desenho que supõe a evolução de Mônica, a genial criação de Maurício de Souza, para uma caricatura de Dilma Roussef.
A questão ética profissional deve ser rebatida, lógico, por Maurício em processo judicial.
A questão ética política é problema nosso.
Eu sugiro, humildemente, que o grande cartunista vá direto ao ponto e coloque o número de sua conta bancária no blog, para que os petistas e o governo possam agradecer, bem ao seu estilo deles, os bons serviços prestados à causa do autoritarismo e da usurpação nacional.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Incoerências

O Jornal Nacional acabou a pouco, mais um espetáculo de esconde-esconde informação política relevante e de incentivo a pequenos fatos esportivos ou de entretenimento. Até a moça do tempo disse bobagem. Está chovendo em Salvador e não fazendo sol, como ela anunciou.
Não se ouviu nenhuma palavra sobre dois fatos de primeira página, como se dizia no tempo em que havia jornalismo no País, isso no interregno entre o autoritarismo dos militares e o do Lula.
O primeiro fato: o Ministério Público pediu o bloqueio das contas bancárias da atriz global Débora Secco, envolvida em esquema de desvio de verbas públicas. William Bonner preferiu gastar a cara-de-pau em sorrisos e trejeitos ao final de materinhas açucaradas e mais uma vez sonegou a informação, para felicidade do casal Garotinho, principal alvo da mesma acusação.
O segundo fato é bem mais sério. O jornal O Globo deu de manchete ontem, e O Globo não é jornal de apostar em notícia não confirmada, ainda mais em manchete de primeira página, que o presidente Lula vai se licenciar para fazer a campanha de Dilma. A notícia dizia ainda que o senador José Sarney assumiria o cargo, mas já estamos falando de porcaria demais, deixamos de lado este senhor, e fiquemos apenas com a primeira parte da manchete.
A questão tem outros desdobramentos mais interessantes. Esta mesma informação, em tom de expectativa e não de fato, foi divulgada pelo próprio presidente Lula dias atrás. Hoje, depois que a manchete do Globo virou um rastilho de nitrogliocerina, o presidente Lula resolveu desdizer a si mesmo. Chegou a afirmar que seria uma coisa descabida, irresponsável. Ele confessou, em outras palavras, que é um homem capaz de imaginar –e falar– coisas descabidas e irresponsáveis. Só isso já seria motivo para o senhor âncora do Jornal Nacional botar o caso alguns segundinhos no ar. Não precisava nem dizer que os profissionais de política no País, de candidatos a marqueteiros, todos consideram que um pedido de licença nesses termos é o mesmo que o reconhecimento da derrota evidente nas urnas.
Bonner não é um piadista. É um profissional sério. E para não dizerem que não falou de política, o Jornal Nacional deu mais umas pauladas em Arruda, ou chutou cachorro morto, como se dizia no tempo em que... blábláblá.

O careca da vez

Impressionante o inferno astral do DEM.
Mas seus filiados merecem, sem dúvida.
O senador mais visível do partido, o líder, o senhor Agripino Maia, não transmite um gramo de confiabilidade nem muito menos de credibilidade com os cabelos pintados de ferrugem dourada e a voz enjoada de personagem de Walt Disney. Impossível acreditar até num simples “bom dia” dito por este sujeito.
O Arruda... Bem, o Arruda é só um ladrão. Ou melhor, um homem forjado à maracutaia desde o tempo em que era do PSDB.
Agora, talvez o único texto legível do partido, o senador Demóstenes Torres acaba de pisar no tomate, sapatear e ainda jogar uma banana para o público. Demóstenes, ungido certamente por uma ideologia incubada no fundo da alma, para não citar lugar mais profundo e escuro da anatomia humana, acusa os negros pela escravidão. E chega ao cúmulo de afirmar que a miscigenação entre os fazendeiros brancos e as escravas negras se deu de forma consensual.
Não sei se são os ares sufocantes baianos, mas não posso deixar de escrever que este cidadão deveria passar pelo menos um fim-de-semana preso em qualquer presídio nacional, para entender, na ponta da língua e naquele já citado local profundo e escuro, como se deu realmente a miscigenação no tempo do Brasil colônia.

Sorria...

“A Bahia é o melhor lugar”.
Esta frase digna das patéticas campanhas de publicidade do Governo estadual foi dita ontem à noite, no programa Conexão Repórter, do SBT, por uma agenciadora de crianças para adoção ou, na realidade dos fatos, por uma traficante de crianças. A vendedora de gente indefesa explicava ao repórter Roberto Cabrini onde costuma negociar com mais facilidade.
Pouco antes, no noticiário local da Globo, às sete da noite, três casos de brigas de adolescentes armados de revólveres e facas dentro de escolas públicas em Salvador.
Em Vitória da Conquista, a 500 quilômetros da capital, seguem as investigações e exumações de corpos de adolescentes executados a tiros. Foram 16 jovens assassinados em represália pela morte de um PM. Dezesseis por um é a receita macabra da Polícia Militar da Bahia.
O governador? Está em campanha pela reeleição, líder absoluto das pesquisas de opinião segundo ele mesmo. Hoje estará em Juazeiro, na recepção ao presidente Lula, na cerimônia oficial eleitoral da inauguração de coisas que equivalem a um ninho de bem-te-vi e um cupinzeiro ecológico, obras fundamentais para os índices de desenvolvimento humano do sofrido povo baiano, no maior curral eleitoral do PT no País.
“...Você está na Bahia” completa o título acima.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Censura e auto-censura

O ataque lento e gradual do Governo Federal à liberdade de expressão começa a expor situações inusitadas, surpreendentes e até meio ridículas. Mas não poderia ser diferente quando se trata de tentar “corrigir” manifestações artísticas ou críticas jornalísticas. A Rede Globo, como também não poderia deixar de ser, está envolvida até a raiz dos cabelos.
Só hoje, dois casos ganharam destaque nos portais e telejornais.
Primeiro, o humorista Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, denunciou que os redatores do programa têm sido pressionados por vozes governistas a não satirizar atos da Presidência da República, com frases do tipo “o presidente não está gostando, Dona Marisa não está gostando”. Quer dizer, não chega a ser uma agressão, parece mais com empurrões de gente truculenta, no pior estilo da política sindical, mas não deixa de ser claro cerceamento à criação.
Segundo, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou o ex-governador e a ex-governadora Garotinho e mais 86 pessoas por desvio de verbas públicas. A atriz Débora Secco, do primeiro time global, está entre os denunciados, mas não foi sequer citada na “reportagem” que o Jornal Nacional levou a pouco ao ar. A Horta do Noblat, o blog mais lido do País, já publicou dois textos e também teve o “cuidado” de suprimir o nome da artista, colega do plantador de notícias na folha de pagamento da empresa.
Neste segundo caso, o Governo não tem nada a ver. É pura auto-censura da Globo.

Atiradores de elite

Março, quem diria?
Começam a montar-se equipes de comunicação para atuar na próxima campanha eleitoral. Pistoleiro de aluguel, ou redator de marketing político, geralmente não quer nem saber o nome da vítima nem o agrupamento partidário, afinal vítima é vítima, são todas iguais, e essa é a parte divertida do trabalho. Volto, pois, ao mural, a quem interessar possa.
Tenho vivido aturdido os últimos meses, sem saber direito se sou volante ou meia armador no time da vez. O tempo passa por mim como passam ondas de tsunami nas aldeias à beira mar. Hoje prestei atenção na data porque notei que há um novo seguidor neste blog meio clandestino. São cinco. Um internauta maluco que não conheço, uma irmã, uma sobrinha, um amigo, e agora uma mestra em jornalismo. Além desses, há uma dúzia de leitores fiéis, todos profisionais de comunicação ligadíssimos na tal realidade política nacional.
O que tem uma coisa a ver com a outra? Tudo. Alguns dos principais marqueteiros do País, Barros, Einhardt, Alves, Zé Luís, creio eu, zapeiam a vitrine da Web vez em quando para descobrir por onde andam as consciências volúveis, capazes e independentes que compõem seus comandos de caça em campanha eleitoral. Sempre estive com um ou outro, agora cá estou outra vez para ver quem saca mais rápido.
Entonces, o que quero dizer aos mestres do bom senso neste post chove-não-molha é que aqui nesta página, por trás deste fraseado político radical, hiberna uma equipe completa, acostumada e interessada em jogar no ataque. Uma equipe que tem dezenas de marcas no cabo do fuzil e já aprendeu na carne que jogar na defesa, em diálogo civilizado e cortês, é caminho certo para levar tiro nas costas.

Sem tirar nem pôr


Tira de Laerte, hoje, na Ilustrada. Livre pensar é só pensar.

Matinal...

Talvez não haja nada pior, para um palhaço alfabetizado, como eu, do que acordar, ligar a tevê para ver o noticiário e se deparar com o presidente da República, com cara de cínico apavorado, falando besteiras primárias sobre relações políticas internacionais.
Em uma única frase indireta, repleta de digressões e insinuações, e absolutamente inconclusa, Lula se escondeu na Constituição brasileira, que não tem nada a ver com isso, para justificar um posicionamento diplomático dúbio, incerto, sobre um governo fundamentalista do qual o mundo ocidental não sabe quais são as reais intenções do anunciado programa de desenvolvimento nuclear.
Dá vontade de tirar o colarinho voltar para a cama. Ou escrever logo um post raivoso.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Censura livre

Há algum tempo o presidente Lula está tangendo o País no rumo de uma ditadura.
A censura à Imprensa já é uma realidade, apesar do silêncio da própria Imprensa, cada vez mais dependente das polpudas verbas publicitárias do governo. Um dos maiores jornais diários da história do jornalismo na América Latina, O Estado de S. Paulo, está sob censura oficial a mais de 200 dias por conta de um dos maiores criminosos políticos da história do Brasil. Agora, outro ícone da Imprensa nacional, o jornalista Alberto Dines foi censurado e demitido do portal IG por ter escrito um artigo de opinião sobre a inexplicável e ininteligível posição do presidente Lula quanto aos direitos humanos na ilha de Cuba.
Publico o artigo de Dines como mínimo movimento de resistência ao autoritarismo e em defesa da liberdade de expressão. O Brasil é muito grande para ser dominado por fascistas ignorantes.

O azar dos sortudos

Alberto Dines

Tem fama de afortunado, ditoso ou, como diz o povo, empelicado. Mas nem tudo foram flores quando Lula enveredou pela política: perdeu três pleitos presidenciais sucessivos e já começava a ficar com fama de perdedor quando os ventos mudaram e embora não fosse surfista enganchou-se nas ondas certas.
Nestes últimos oito anos, inspirado pelos astros ou pelo bom senso, Lula acionou corretamente todos os botões mesmo quando os companheiros cometiam as barbaridades do mensalão e do dossiê Vedoin. Animado pela infalibilidade cometeu há um ano monumental asneira ao escolher José Sarney para presidir o Senado. Ainda não pagou por ela mas não está longe o dia em que será julgado pela complacência na desmoralização do Legislativo e na proteção a um dos coronéis mais corruptos da história do Nordeste.
A viagem ao México e Caribe prometia ser um cruzeiro de férias: em Cancun, na Cúpula das Américas, deveria envergar a confortável guayabera presenteada pelo anfitrião Filipe Calderon aos participantes homens (excluídas as mulheres) e participar de mais um bloco continental, não-carnavalesco, a “OEA do B”, sem a participação dos EUA e Canadá.
Em Cuba encontraria Fidel Castro, em franca recuperação, e talvez incentivasse as negociações recém iniciadas com os EUA cumprindo o seu papel de contrapeso à insanidade de Chávez. Não foi avisado ou não deu importância à informação de que o dissidente cubano, Orlando Zapata, em greve de fome há 85 dias, fora internado em estado grave uma semana antes num hospital de Havana.
Como a Parca não distingue sortudos dos azarados, o anúncio da morte de Zapata correu o mundo justamente quando o avião da Força Aérea Brasileira aterrava em Havana e Lula, feliz da vida, preparava-se para abraçar os irmãos Castro. Boas estrelas são volúveis, a sorte é movediça, pior ainda: imprevisível.
O presidente Lula atrapalhou-se ao explicar por que não atendera ao pedido dos dissidentes cubanos para interceder em favor de Zapata e cometeu uma barbaridade ao desqualificar o sacrifício do militante oposicionista. Ignorou ostensivamente a heróica jornada do Mahatma Gandhi que dobrou o invencível império britânico graças às greves de fome.
Desprezar a imolação e depreciar o martírio é uma forma de compactuar com aqueles que não permitem outra alternativa senão a imolação e o martírio. Invocando princípios religiosos Lula foi anti-religioso, ao buscar a racionalidade associou-se aos irracionais que relativizam as liberdades para defender o arbítrio. Não contente, em entrevista aos jornalistas cubanos, fez um apelo à ousadia de Obama para acabar com o embargo econômico dos EUA a Cuba.
Este embargo ianque é estúpido, desumano, imoral e inútil, Obama está empenhado em suspendê-lo, mas considerá-lo como único responsável pela ditadura cubana – como fizera na véspera seu homólogo, Raúl Castro – é um raciocínio primário à altura do intelecto de Hugo Chávez.
Atarantada por suas próprias mazelas, a imprensa internacional não deixou sem comentários o simplismo do nosso presidente. O prestigioso diário espanhol El País, o mais importante do mundo ibero-americano, lamentou a oportunidade perdida pelo dirigente brasileiro para forçar o regime cubano a respeitar os direitos humanos.
“O silêncio de Lula diante de uma ditadura como a castrista macula o que ele representa para a América Latina e à medida em que o Brasil se fortalece como potencia emergente, para o resto do mundo.” Não se trata de uma opinião pessoal do correspondente no Brasil, Juan Árias – geralmente cordato – mas da opinião institucional de um grande jornal que recentemente ofereceu a Lula um honroso galardão.
Negociar com todas as partes em conflito é a principal ferramenta da diplomacia, mas a confiança dos interlocutores não pode ser conquistada à custa do sacrifício de valores universais. Remember Munique: as concessões pragmáticas de Chamberlain e Deladier, ao invés de aplacar Hitler, só aumentaram a sua ferocidade.
A sorte é imponderável, inexplicável, mas consta que sortudos têm boa memória.

Essssportiva

Pouca gente notou, mas a seleção brasileira foi derrotada ontem em jogo amistoso na Inglaterra.
Perdeu de goleada. A Irlanda não está no mapa do futebol profissional no mundo. O Brasil é a seleção de futebol mais vencedora de toda a história do futebol. Dois a zero contra ninguém é igual a nada.
Robinho jogou mal o tempo todo, errou passes primários, não tem ritmo de jogo e não marca nem a própria sombra. É só fingimento, do princípio ao fim, em busca de uma câmera de tevê para abrir o sorriso marqueteiro. No primeiro gol, estava impedido e teve auxílio involuntário de um zagueiro irlandês. No segundo, entre dois toques geniais de Kaká e Grafite, sinceramente, até minha mãe chutaria aquela bola no cantinho. A sanha da mídia por heróis de ocasião (fica mais fácil vender jornal com ações esportivas épicas e sobre-humanas) coloca Robinho em todas as primeiras páginas do mundo esportivo.
Mesmo assim, não creio que a obtusidade mental de Dunga prevaleça contra a realidade dos fatos. O Brasil estará sim com seus melhores jogadores na Copa. Se vamos ganhar ou não, parodiando Parreira, é só um detalhe. O Brasil não tem obrigação de vencer. Já venceu a todos. O Brasil tem que ensinar o mundo a jogar futebol. Essa sim é nossa agradável missão na Copa. Missão que Dunga parece não ter humor suficiente para entender. E praticar.

Três por quatro

O telejornal Bom Dia, Brasil, da rede Globo, acaba de mostrar uma escola pública no Maranhão, ou o que a reportagem chamou de escola. O comentarista Alexandre Garcia, mais de 40 anos de jornalismo e 30 de convivência diária com a política em Brasília, disse que esse é mais um caso de lesa-Pátria no Estado do Maranhão.
Esqueceu de dizer, e nem os apresentadores Renato e Renata ressalvaram, que o Estado do Maranhão é propriedade de José Sarney, presidente do Senado Federal e membro da Academia Brasileira de Letras. Aquele mesmo Sarney que já foi presidente da República sem ter sido eleito para isso e que foi chamado de ladrão pelo atual presidente da República, mas que se mantém na crista da vida pública nacional por obra de um suposto acordo de governabilidade com este mesmíssimo presidente.
Este é um pequeno retrato do verdadeiro legado da era Lula. O fim da educação pública e a prevalência de obras públicas fantasiadas de faraônicas e sem mínimo suporte de infra-estrutura. Lula governa para banqueiros e construtoras, e compactua com figuras como o senhor José Sarney, um político que deveria, isto sim, estar internado em um manicômio judiciário.

terça-feira, 2 de março de 2010

Amigos do Leão

Mais de 120 mil contribuintes entregaram a declaração do Imposto de Renda no primeiro dia!
O Governo Federal bem que poderia distribuir a medalha Cuzinho de Ferro a cada uma destas almas ansiosas.

Isto é um crime

Tem uma propaganda no ar do Banco do Brasil com uma criança de sete, oito anos de idade dizendo a um grupo de adultos sorridentes que quer ser dono de banco quando crescer.
Como pode um redatorzinho qualquer de publicidade, certamente incentivado e brifado por um marqueteiro farsante, expor a milhões e milhões de pessoas uma idéia tão esdrúxula, tão covarde, tão submissa, tão imperialista, tão norte-americana, tão fedorenta.
Criança quer ser Tarzan, Batman, Ronaldinho, Senna, Giba, Daiane, Jade, Ivete Sangalo e até o cara do rebolation, menos dono de banco. Só se for filho de um idiota, e os idiotas, como se sabe, ainda não são maioria. Criança, no máximo, e se for filho de brasileiro consciente e trabalhador, como a maioria do país, quer é explodir o banco. Criança sonha, banco é lugar de pesadelo, pelo menos para gente comum, como a gente. Banco só é paraíso para ladrões e gente interessada em riqueza, só em riqueza.
O Conselho que regula publicidade devia intervir. O Governo Federal... Bem, o Governo Federal se beneficia eleitoralmente com estas propagandas fajutas e fascistas de empresas estatais e afins que têm inundado a televisão dos brasileiros.

Essssportiva

Hoje tem jogo do Brasil e, pela primeira vez nesta minha doce, atribulada e contraditória vida, vou torcer contra. Espero, de todo coração, que a seleção canarinho comandada pelo capitão Dunga leve uma sonora goleada da Irlanda.
Dunga acha que só a vitória interessa, a qualquer custo. Algo meio parecido com o jeito do presidente Lula fazer política, o que alguns otimistas chamam de pragmatismo. Na vida real não é bem assim. No futebol, vale o espetáculo. Na política, vale a defesa da liberdade, em todos os níveis, e o bem-estar da sociedade.
Dunga quer retrancar o melhor futebol do mundo, sonhando em ganhar de um zero, num contra-ataque. O futebol brasileiro sempre botou os gringos na roda –ou na roda dos gringos. Jogar para não levar gol é coisa de medíocre, de quem não tem recursos técnicos para se impor num jogo de bola. O Brasil tem os melhores jogadores do mundo e corre o risco de ir para a Copa com Josué, Ramires, Elano, Robinho, etc, deixando de fora os Ronaldo (dois dos quatro maiores jogadores de todos os tempos) e promessas nas pontas dos cascos, como Neymar e Pato. O jogador mais importante é um débil mental evangélico.
Dunga, caso fosse presidente do Brasil, seria um nacionalista nazi-fascista, algo assim ocmo o Lula, mas muito mais pernicioso ao País, pois além de ser tudo que lembra um reacionário emperdenido ainda é conservador e racista.
Dunga, neste momento, consegue ser mais obtuso que o próprio mestre da obtusidade.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Gibi de domingo

Surpresas do primeiro fim de semana real do ano, depois das festas populares e do horário de verão: a denúncia da vez saiu na Isto É e não na Veja, e a candidatura de Dilma Roussef continua se arrastando ladeira acima, lenta e persistente, tanto que pode até cruzar com a candidatura de José Serra no sentido contrário, ladeira abaixo.
As duas surpresas têm cheiro de truque, não são exatamente o que parecem.
A IstoÉ não tem credibilidade nem para vender desodorante, está comprada ou tentando se vender. Nada mais.
A pesquisa da Datafolha, único instituto confiável num país cujo governo é movido a corrupção, era esperada como um sinal real da tendência eleitoral. Dilma cresce, mas muito aquém do esforço desmedido das forças governistas, ainda sequer chegou ao patamar histórico do PT. A surpresa real é a queda de Serra. A alegação de que o governador ainda não está em campanha é bobagem, uma balela, para usar um termo a gosto paulista. Serra está em campanha desde 2002. A campanha de Dilma é mais visível, organizada e objetiva, com toda fabulosa infra-estrutura do Governo Federal, mas compete a Serra incrementar a movimentação pelo País e subir o tom de voz.
A surpresa verdadeira é que talvez, apesar de todas as evidências da péssima gestão do governo Lula em Educação, Saúde e Segurança, o povo corre sério risco de mais uma vez pagar o pato para o banquete dos ladravazes petistas.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Frases giratórias

Tenho esses peixes e dou de coração:
- O cúmulo da falsidade ideológica é ex-guerrilheiro manipular dados estatísticos para criar índices de inclusão social.
- O cúmulo dos cúmulos é usar esses números fajutos como argumento político eleitoral.
- Não olhe agora, pode dar câimbra no pescoço, mas não existe mais nenhuma produção cultural nacional genuinamente artística. Nenhuma. Só existem peças comerciais.
- O brilho opaco da merda que nos cerca é reflexo do conjunto da obra invisível, intangível e insondável do mestre-sala da lama do fundo da consciência política nacional.
- A maior cantora do País, o que seria a maior intérprete de música popular brasileira, não é cantora, trata-se apenas de uma animadora de bloco carnavalesco, e muito menos é intérprete, não passa de uma mulherona tipo gostosa, de corpo escultural e atitude francamente pornográfica.
- O jornalismo acabou, morreu, mas ressuscitou e está sentado sobre o polegar da mão direita do novo deus senhor criador do Brasil e de tudo de bom e de bem que se possa pensar.
- Alguns dos nossos inimigos estão no poder. E roubando. Outros estão infiltrados na trincheira, mas estes são facilmente identificáveis, basta chamá-los pelo apelido, demônios.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Alerta cívico

Aos que vieram na crista da maré dos anos 60 e 70, a respeito da atual discussão política eleitoral sobre o movimento nacional de resistência à ditadura militar, em verdade vos digo:
não serão alguns canalhas ladravazes fantasiados de vermelho que irão manchar a história de nossas vidas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Psiu...



Genialidade discreta do cartunista Laerte, na Folha Ilustrada online de hoje, assinada Angeli, por distração do diagramador, mas que, afinal, dá mais ou menos na mesma coisa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ecos da folia

Duas constatações que se impõem na discussão sobre o lançamento da candidatura do PT a Presidência da República.
- O ousadíssimo descaramento de usar novamente bandeiras de esquerda para tentar atrair a juventude perdida.
- E, claro, muito acima do discurso tipo gringo no samba que a candidata recitou à platéia, o modelito Evo Morales que Lula usou.
Os petistas de carteirinha estão encantados. A fantasia está completa.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A favorita do Divino

Uns batedores afobados, emocionados, batiam porta em porta para avisar, lá vem a bandeira do Divino. Toda a gente corria à calçada. Alguns para ver a cena por dentro, outros, como minha avó, para fechar a veneziana da janela da frente. Ninguém no 1403 da rua Marcílio Dias, no bairro da Azenha, no porto mais alegre do País, no tempo que o Brasil era recém campeão do mundo, ninguém ali aceitava beijar a pomba da paz que os fanáticos esfregavam no rosto da multidão enquanto senhoras chorosas cutucavam as pessoas com uma sacola de boca aberta, à espera de cruzeiros.
Lembrei da bandeira do divino quando vi agora de manhã a escandalosa oferta da imagem de Dilma exposta em jornais, portais e blogs país afora. Acho que a qualquer momento vai chegar uma mala direta ali no portão, com panfleto explicativo, adesivo da estrela vermelha, boné, camiseta, cartão do bolsa-família e alguma ameaça do tipo dá ou desce.
Mudam os fanáticos e o fanatismo, tudo muda, parece que só a sacanagem continua a mesma.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Psicopatinhas...

Nunca na história desse País a mídia trabalhou tanto para um governo. A última pesquisa eleitoral do Ibope simplesmente não encontrou espaço no noticiário dos jornais, dos portais, e nem muito menos nos telejornais. A mídia prefere a fantasia carnavalesca da CNT/Sensus e da Vox Populi.
O caso de Arnaldo Jabor também está escandalosamente encoberto. E é um ato claro e objetivo de censura à Imprensa, quer dizer, a própria Imprensa colabora com a falta de respeito aos princípios básicos da democracia.
Abaixo, trecho do texto de Jabor que foi retirado do site da CBN a pedido do presidente Lula. Leia e imagine, se tiver criatividade suficiente, o que este atual Governo vai fazer para tentar se manter no poder.


A VERDADE ESTÁ NA CARA, MAS NÃO SE IMPÕE.

ARNALDO JABOR

O que foi que nos aconteceu? No Brasil, estamos diante de acontecimentos inexplicáveis, ou melhor, 'explicáveis' demais. Toda a verdade já foi descoberta, todos os crimes provados, todas as mentiras percebidas. Tudo já aconteceu e nada acontece. Os culpados estão catalogados, fichados, e nada rola. A verdade está na cara, mas a verdade não se impõe. Isto é uma situação inédita na História brasileira!!!!!!! Claro que a mentira sempre foi a base do sistema político, infiltrada no labirinto das oligarquias, mas nunca a verdade foi tão límpida à nossa frente e, no entanto, tão inútil, impotente, desfigurada!!!!!!!! Os fatos reais:
com a eleição de Lula, uma quadrilha se enfiou no governo e desviou bilhões de dinheiro público para tomar o Estado e ficar no poder 20 anos!!!!
Os culpados são todos conhecidos, tudo está decifrado, os cheques assinados, as contas no estrangeiro, os tapes, as provas irrefutáveis, mas o governo psicopata de Lula nega e ignora tudo !!!!! Questionado ou flagrado, o psicopata não se responsabiliza por suas ações. Sempre se acha inocente ou vítima do mundo, do qual tem de se vingar. O outro não existe para ele e não sente nem remorso nem vergonha do que faz !!!!! Mente compulsivamente, acreditando na própria mentira, para conseguir poder.
Este governo é psicopata!!! Seus membros riem da verdade, viram-lhe as costas, passam-lhe a mão nas nádegas. A verdade se encolhe, humilhada, num canto.
E o pior é que o Lula, amparado em sua imagem de 'povo', consegue transformar a Razão em vilã, as provas contra ele em acusações 'falsas', sua condição de cúmplice e Comandante em 'vítima'!!!!! E a população ignorante engole tudo. Como é possível isso? Simples: o Judiciário paralítico entoca todos os crimes na Fortaleza da lentidão e da impunidade. Só daqui a dois anos serão julgados os indiciados - nos comunica o STF. Os delitos são esquecidos, empacotados, prescrevem. A Lei protege os crimes e regulamenta a própria desmoralização. Jornalistas e formadores de opinião sentem-se inúteis, pois a indignação ficou supérflua. O que dizemos não se escreve, o que escrevemos não se finca, tudo quebra diante do poder da mentira desse governo..Sei que este é um artigo óbvio, repetitivo, inútil, mas tem de ser escrito... Está havendo uma desmoralização do pensamento.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Guerrilheira empresária

Entre as centenas de besteiras ditas por políticos carnavalescos, a cintura dura Dilma Roussef, candidata favorita do presidente Lula e seus seguidores a Presidente da República, conseguiu chegar à manchete da Folha de S. Paulo em plena terça-feira gorda de carnaval com um enunciado político-estratégico digno dos democratas socialistas do leste europeu.
- O Estado terá, inexoravelmente, de reforçar seu segmento executor, disse a ministra que promete juntar desenvolvimento econômico e bem-estar social na mesma salada pragmática.
Acho que ela devia desfilar fantasiada de apito. Não é esse o sonho de consumo dos índios?

Em cartaz



Angeli, na Ilustrada de hoje. A realidade da vida.

Marchinha do dia

Carnaval.
Ô, ô, ô, ô.
Triste Bahia.
Melhor ficar calado...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Hora de dizer NÃO

Começa a ficar mais animada a sucessão do presidente Lula. A pista vai ficando cada vez mais estreita e quase reta, já é impossível conchavos à beira do caminho, impõem-se apenas as piruetas evolucionistas dos candidatos e candidatas. Quer dizer, a cada novo dia, mais luz sobre o sambódromo nacional, as máscaras pipoca liça escorrem pelo rosto dos farsantes, ou melhor, pela cara de pau dos canalhas.
Ontem passou aqui na Bahia o filmete comercial do PT, propaganda oficial da candidatura de Dilma Roussef, com Lula recitando textinho ruim à frente do que se possa imaginar fosse um bloco de militantes petistas num suposto carnaval eleitoral. Um lixo cibernético, ou uma bobagem informática modernosa. Uma apoteose ufanista digna dos mais exaltados patriotas, os militares ou todos estes imbecis que lutam pelos salários do poder. A criação do filme é assinada por João Santana Filho, popularmente conhecido como Patinhas, e a direção é de Giovanni Lima. A dupla de publicitários baiana é a mesma que destruiu as chances de Marta Suplicy em São Paulo, com um filme que mostrava tudo em dois segundos e não dizia nada em 10 minutos.
Hoje, quando começa circular por todo País a revista Veja com artigo esclarecedor sobre o grande líder pelego e a salada ideológica petista, ou o plano de assalto ao coração, a alma e aos cofres da Nação, a banca de defesa dos governistas faz circular pela Internet um levantamento da Fundação Getúlio Vargas dando conta que o melhor momento do País, nos últimos 30 anos, é este sob responsabilidade do presidente Lula. Lula, portanto, para a FGV, é o cara. O segundo melhor presidente, pra não dizer que estamos falando de um insulto ao Brasil e aos brasileiros, é o senhor José Sarney. Isso mesmo. Lula em primeiro, Sarney em segundo.
Enquanto isso, com água pelo pescoço, o governador José serra faz caras e bocas com Madona, Ciro Gomes fala mal até da própria mãe e Marina Silva está prestes a levitar rumo aos confins do universo.
Tempere seu título de eleitor. Talvez o senhor tenha que enfiá-lo boca abaixo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O Sindicato no torneio

Encantado que está em se transformar em sócio majoritário de construtoras e empreiteiras pelo País afora, o PT ainda não percebeu, mas já é possível ler nas entrelinhas da grande imprensa o futuro resultado das eleições presidenciais, inclusive com nome e sobrenome dos culpados pela derrota anunciada do grande partido que era isto e virou aquilo.
Sob a égide A Estupidez Política Não Tem Limites, a trindade radical petista que inviabilizará o golpe do lulismo em se perpetuar no poder:
-José Dirceu, Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia.
Com um meio de campo desses, com essas idéias progressistas socialistas em direção ao fim do mundo, não tem técnico marqueteiro que resolva. Já perderam –e vão dar vexame na saída.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parla, mestre!

O boneco falou antes do ventríloquo.
Quer dizer, a ministra Dilma Roussef respondeu antes do presidente Lula às reclamações do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sobre os temas que serão explorados na campanha eleitoral.
Talvez quisesse demonstrar independência, mas faltou ao discurso agressividade e autoridade de quem sabe o que diz. Eis o que ministra disse:
— Comparar não é ficar olhando para o retrovisor. Pelo contrário. É discutir que caminho eu vou seguir. Para que lado eu vou. E por que o povo tem que discutir isso? Porque é importante saber se nós vamos fazer obras de saneamento ou não.
O boneco fala sobre uma outra dimensão da realidade. O povo não tem a menor idéia do que seja saneamento.
O cara, por exemplo, jamais tentaria uma frase decisiva com um palavrão desse calibre.
O boneco, decididamente, não é o cara.
O artigo de Fernando Henrique (lead no post abaixo) foi contundente, respondeu pontapé na canela com cotovelada na cara.
Continuamos aguardando a palavra do ventríloquo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Do abacateiro

O presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores têm chamado insistentemente o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a briga eleitoral.
O ex-presidente resolveu aceitar o convite.
Leiam o que ele escreveu em seu artigo semanal para alguns jornais (eu li no blog do Noblat). Reproduzo o lead, digamos assim:

O presidente Lula passa por momentos de euforia que o levam a inventar inimigos e enunciar inverdades. Para ganhar sua guerra imaginária distorce o ocorrido no governo do antecessor, autoglorifica-se na comparação e sugere que, se a oposição ganhar, será o caos.
Por trás dessas bravatas está o personalismo e o fantasma da intolerância: só eu e os meus somos capazes de tanta glória. Houve quem dissesse "o Estado sou eu". Lula dirá: "o Brasil sou eu!" Ecos de um autoritarismo mais chegado à direita.
Lamento que Lula se deixe contaminar por impulsos tão toscos e perigosos. Ele possui méritos de sobra para defender a candidatura que queira. Deu passos adiante no que fora plantado por seus antecessores. Para que, então, baixar o nível da política à dissimulação e à mentira?
A estratégia do petismo-lulista é simples: desconstruir o inimigo principal, o PSDB e FHC (muita honra para um pobre marquês...). Por que seríamos o inimigo principal? Porque podemos ganhar as eleições.

O presidente Lula vai responder, é claro. Não será em artigo pela Imprensa, mas em qualquer das centenas de microfones que tem à disposição para falar o que bem entende na hora que quiser. Publicarei a resposta. O esquentamento do processo eleitoral pelos dois grandes nomes nacionais que não disputam o pleito pode –e deve– influenciar diretamente no resultado. Eles, os dois, Lula e Fernando Henrique são os caras, as caras do Bem e do Mal, a depender, claro, do ponto de vista do espectador. Aguardaremos quietos à beira do regato.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Jogo aberto

A sucessão presidencial entrou fevereiro rebolando como passista de escola de samba.
Há quatro candidatos no páreo, com peso eleitoral mais ou menos definido, mas o ritmo dos tamborins é tão contagiante que hoje, oito meses antes, é impossível saber qual a bundinha que vai sentar na cadeira mais desejada da Nação.
Ciro personalizou rápido, como pistoleiro experiente, a imagem do combativo, do ferrabrás, daquele que não tem papas na língua. Seus perdigotos já resvalam até em Lula, a quem o cearense paulista chamou de “santo” com clara conotação pejorativa. Isso, como se sabe, ganha voto, a questão é saber quem perde, se Serra ou Dilma.
Marina foi muito feliz em seu primeiro programa eleitoral, ontem. Câmera fechada em seu rosto quase o tempo todo, sem se jactar de realizações duvidosas nem se basear em promessas de futuro progressista, deixou uma imagem clara ao eleitorado, muito santinha do pau oco, para o gosto de muitos, mas original, genuína e verdadeira. Deve crescer com consistência, mas com o mesmo problema de Ciro, não tem uma bandeira clara e objetiva, com cores bem definidas. Ninguém sabe de quem ela tira voto. Eu acho que é do Lula, mas o “santo” não é candidato.
Dilma. Ninguém nunca mentiu tanto neste País. E nem precisava. O pessoal da “estratégia” errou a mão na primeira tentativa, voltou a errar na segunda, e hoje não há dois cidadãos que concordem em apontar um perfil definido para a ministra. Ela é a menina do Lula, isso todo mundo sabe, o que não se sabe se ela é a menina boazinha ou é a menina má.
José Serra. Ou Arres Esoj. Nunca o vampiro simpatia esteve com cara tão desesperada na tevê. Sua eleição “garantida”, como indicava dez entre nove observadores independentes da cena política nacional, está boiando na inundação interminável de São Paulo, e pode afundar como uma anta numa boca de lobo.
Melhor para nós, a comer pipocas na arquibancada do circo enquanto o novo lobo, ou loba, não entra em cena para valer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Atrás do trio

Atenção!
Está em curso um dos piores crimes jamais acontecidos na Terra da Felicidade do País das Maravilhas.
Um soldado PM foi morto num confronto com um grupo de jovens marginalizados em Vitória da Conquista. Dois depois do crime, 15 adolescentes, todos pobres e marginalizados, foram assassinados a tiros. Entre os mortos, meninos e meninas de 14, 15 anos de idade. Um massacre do qual não se ouve uma voz sequer de qualquer autoridade que seja. Ou melhor, quer dizer, ou pior, se ouve apenas explicações fajutas de “oficiais da corporação”.
A Imprensa local não sabe nem como abordar o caso, comprometida que está com Deus e o Diabo na terra do sol. A opinião editorial depende diretamente do volume de anúncios.
O governador? Bem, o governador mantém impecável o desenho da barba e dedica-se todos os dias a perseguir os adversários políticos e a palmilhar seu caminho em direção à reeleição. Quer dizer, o governador só pensa em eleição. E isso em nome de supostos interesses do povo. Negócio de adolescente morto não interessa. Bahia boa é Bahia em festa.
Agora, querida paulistinha, venha brincar o carnaval com um barulho desses...

Pula a fogueira, neném

Êê, Bahia, êê Brasil.
O sol está quente, o ar está quente, a alma do povo está quente, o noticiário das entrelinhas, então, está pegando fogo.
Aproveito para jogar um palito de fósforo aceso na fogueira.
Como todo mundo sabe, viu e não deve fingir que não aconteceu, o presidente Lula rasgou sua biografia de líder sindicalista de esquerda ao assumir o poder em nome de um projeto político pessoal, distribuir esmolas aos pobres e apaniguados e entupir de dinheiro os bancos privados, as incorporadoras e os grupos econômicos que exploram os benefícios do capitalismo no País das Maravilhas.
Pois, agora, o presidente Lula já está estraçalhando sua novíssima biografia de autodenominado líder mundial do bom senso com os mais variados, desonestos e inimagináveis golpes contra a democracia, na desesperada –e até incompreensível– intenção de se manter no poder a qualquer custo. O Governo, o PT e os quadrilheiros de aluguel estão montando e manipulando pesquisas eleitorais, chantageando os políticos da base de apoio e fazendo ameaças (por escrito!!) ao povo que recebe o Bolsa Família. Isso está nos jornais, nos portais, nos blogs, em todo lugar.
Acho que nenhuma rasteira nos interesses reais dos brasileiros vai adiantar. Parece que qualquer candidato ganha de Dilma. Até um tal de Arres Esoj que apareceu na lista de candidatos exibida pelo Vox Populi aos elitores.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Sem lenço...

Dois de fevereiro, dia de festa no mar.
E de vexame no ar.
O Jornal da Manhã, da Globo local, tem um repórter de plantão na casa do presente, praia da Paciência, Rio Vermelho. Arde o sol no céu da Bahia, mas a luz não nasceu para todos. O rapaz reporta mais ou menos assim: “Há uma pequena confusão por aqui, O presente de Iemanjá está atrasado. O presente este ano foi montado em Arembepe e quando vinha sendo transportado pela estrada foi barrado no posto rodoviário. O caminhão não tinha documentos”... E continuou a falar sem se dar conta que a matéria era justamente aquela e não esta. Os âncoras do estúdio são espécie de animadores de bloco e nem tem obrigação, pelo menos é o que parece, de dar um encaminhamento jornalístico mínimo aos fatos do cotidiano, então ficamos, eu e os outros telespectadores matinais, sem saber o que houve afinal com o presente oficial de Iemanjá no dia dois de fevereiro. Pela gota mínima de informação reportada no telejornal, um guarda rodoviário impediu o cortejo de Iemanjá de chegar ao mar. O motivo seria a falta de documentação do caminhão que transportava o barco dos presentes ofertados à deusa do candomblé.
Infelizmente, talvez jamais saibamos o que houve de fato. Não vimos o caminhão nem a cara do guarda mau. Mas das duas, uma, como diz o povo. Ou estava todo mundo bêbado, o motorista do caminhão inclusive, e o caminhão caindo aos pedaços, o que é bastante provável, ou o tal guarda rodoviário é um evangélico destemido e considerou aquilo tudo uma afronta a Jesus ou a Jeová e decretou um teje preso radical.
O eterno enfrentamento das entidades espirituais parece ter produzido uma inusitada escaramuça suburbana que escapou aos olhos festivos e distraídos da Imprensa baiana.

domingo, 31 de janeiro de 2010

Alerta vermelho

Atenção.
Vejam como foi armada a pesquisa da Vox Populi para beneficiar a candidatura Dilma Roussef.

http://coturnonoturno.blogspot.com/

De chapéu de palha

Domingo de sol na Bahia.
Seis e meia da manhã fui pegar uma manga no pé, uns 50 metros pra ir mais 50 pra voltar, pronto, voltei suando.
Deu vontade de ir à praia, mas infelizmente resolvi dar uma olhada no noticiário da Internet, pronto, voltei pra varanda puto dentro da bermuda.
Como é que pode? Uma terra tão linda, gente tão boa, e uma pá de safados a disputar administração pública na faca e no chute no saco.
Devia ser no voto, mas é no golpe.
O que o Instituto Vox Populi acaba de fazer para tentar alavancar a candidatura da favorita do Planalto é mais um crime de lesa-cidadania.
A maioria dos municípios usados na pesquisa são currais eleitorais do PT, e tem um, na Bahia, claro, que não tem nem representação dos partidos de oposição e o prefeito chama-se Chico da Dilma.
Mesmo assim, a escolhida do rei não faz nem cosquinha no índice do real favorito, o governador de São Paulo.
Procurando mais novidades aqui e ali encontrei algo sobre a provável estratégia de campanha da candidatura de Dilma. Ela irá explorar os alagamentos em São Paulo, uma exploração lamentável de uma anunciada tragédia natural, fartamente explicada pelas, digamos assim, autoridades meteorológicas, e tem grandes chances reais, segundo a experiência com marketing político ensina até aos mais distraídos, de transformar o inimigo em mártir.
As manobras da campanha de Dilma lembram as ações desesperadas dos antigos coronéis nordestinos para manter seu povo no cabresto quando começou o processo de abertura democrática ainda durante a ditadura.
Conforme esclareceu um dos maiores escritores do planeta, o peruano Mário Vargas Llosa, Lula, o Mito, o Deus, o Rei, o Iluminado, age como um aprendiz de ditador.
E aprendiz de ditador, sinceramente seu João e dona Maria, não tem direito de atrapalhar o domingo de sol de sonhadores como eu.
Vou à praia.

sábado, 30 de janeiro de 2010

Xô!

Sábado, arde o sol no céu da Bahia.
Os turistas invadiram a nossa praia.
Eu não quero coroas paulistas cobertas de cosméticos caóticos disparando olhares de peixe morto tarado.
Eu quero ir a Itapuan para sentir o cheiro do tempero da vida e para jogar uma flor no colo de uma morena.
Turista bom é turista em Pernambuco.
A Bahia devia dar-se ao respeito e fechar o aeroporto.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Diagnósticos...

O senhor já se perguntou por que um homem que não é hipertenso, está, por supuesto, com a bola toda, e acaba de chegar de férias, de repente sente-se mal a bordo de seu avião particular a ponto de cancelar todos os compromissos e se recolher à casa, para repouso absoluto?
Eu já me perguntei, sim, desde o primeiro momento em que vi o cara das relações institucionais mentindo descaradamente, com uma conversa que queria dizer que o presidente está tão bem que os médicos resolveram que ele descansasse um pouco. Ridículo.
Como diz o filho de um amigo meu, não ria meu tio que o caso é sério.
O presidente deve ter sofrido uma grande contrariedade, um desapontamento capaz de dar um pontapé no peito de um sujeito “saúde de ferro” como ele. Qualquer criança pode perceber isso.
Parece bastante lógico acreditar que a repentina crise de hipertensão tenha a ver com o desenho da realidade eleitoral que a base apoio do governo está esboçando em torno da mais valorosa moeda nacional, o voto.
Lula está sendo vítima de suas principais armas de angariar apoio político, o conchavo, a impunidade e a corrupção. Nunca na história desse País um presidente foi tão assediado por ladrões e oportunistas.

O buraco é mais embaixo

A legenda do Estadão para a foto de J.D. Salinger na capa de hoje é exata, morre o arredio.
O escritor de um único grande romance começou a se afastar da sociedade logo após ter escancarado às portas do último andar. Ele sabia escrever, isso é único, tanto para ele quanto para todos os outros. Salinger, que trocou de mulher a cada década, e nunca permitiu que nenhuma delas falasse sobre a sua vida dele, considerava Hemingway um escritor de segunda categoria, e Hemingway era um gênio, inigualável na arte de descrever o nada do cotidiano, o bucolismo do amanhecer no campo, a melancolia neurótica da solidão, essas coisas que às vezes acabam com um cano de espingarda enfiado na boca. Salinger desprezava a tal mídia de comunicação porque sabia que celebridades são como a purpurina capilar da realidade, só a arte é eterna, as pessoas morrem.
O que o senhor tem a ver com isso? Nada, isto é apenas para lembrar que não se deve acreditar em algo dito ou feito por alguém, artista ou não, que seja subsidiado por brasões governamentais ou instituições sociais. Celebridade boa é celebridade invisível.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Coração de leão

Pontos luminosos na radiografia do novo quadro político no País descobertos com a crise hipertensiva do presidente da República.
-Ciro mantém candidatura a presidente.
-Maluf é a oposição em São Paulo.
-Dilma pode perder PSB, PTB e PP.
Por assim dizer, 18 por 12 é pinto.

No ar

Estou alguns dias sem comentar neste blog clandestino porque, sinceramente, está ficando impossível acompanhar o desenvolvimento natural dos fatos no país, seja política, cultura, economia, cidadania, segurança, esporte, qualquer coisa.
Mas o mínimo que um profissional do palavreado pode fazer é assistir aos telejornais.
Ontem, por exemplo, no Jornal da Band, edição da noite, vi uma cena impressionante. Plano panorâmico de um bairro inteiramente alagado. No meio da água, no que deveria ser uma rua, uma repórter. Com água pela cintura, ela começou a caminhar em direção a um orelhão a alguns metros de distância enquanto descrevia a enchente. Não havia viva alma por perto, só a chuva, o imenso alagamento, a repórter e o orelhão. Afinal, ela chegou ao aparelho, pegou o telefone, colocou no ouvido, tirou, recolocou no gancho e disse “não tem linha por motivo de segurança”. Corte para o estúdio. O apreentador emendou outro assunto. Fellini não faria melhor.
Hoje, no Jornal da Manhã, da retransmissora da Globo na Bahia, o secretário da Justiça, bravo deputado federal pelo PT , respondeu com sonolência e displicência às perguntas da reportagem sobre a superlotação presidiária, onde as delegacias são espécie de panelas de pressão encostadas nos caldeirões ferventes dos presídios. De dentro de um belo terno tipo feito sob medida, entre frases balbuciadas no seu já reconhecido idioma da língua presa, a maioria incompreensível para o ouvido humano, o secretário anunciou que estava sendo realizada a terraplanagem da construção de um novo presídio. Ele e o repórter consideraram que desta maneira, com a terraplanagem da construção de um novo presídio. a questão da segurança pública no Estado estava sendo enfrentada e resolvida. Enquanto desligava a tevê, lembrei que o veterano militante petista é acusado a boca pequena de ter ficado rico 15 minutos depois de chegar ao poder. Devia ter se aposentado.